amor- Kahlil

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Quando iniciamos nosso relacionamento, fazíamos tudo juntos. Eu, mesmo sem gostar de academia, comecei a fazer musculação e a ir ao futebol para acompanhá-lo. Eu sentia-me feliz só por estar com ele. Hoje, não sei o que está acontecendo, ele sai com os amigos e eu fico em casa só esperando por ele. Será que ele não me ama mais?

 

As relações interpessoais decorrem das interações e os sentimentos interferem nesse processo.

Pensando em diversos relacionamentos numa dimensão temporal, podemos perceber que a distância que se estabelece nessa dança entre os parceiros sofre alterações no decorrer do tempo, tendo em vista as características pessoais de cada um, suas motivações pessoais, dinâmica pessoal e dinâmica da parceria. Mas distância e limites são continuamente elementos imprescindíveis nos relacionamentos íntimos, destacando que tanto o isolamento (distância excessiva) como a fusão (excesso de proximidade)  são permissíveis.

É necessário que se compreenda o estágio inicial, de paixão e de conquista, como ilusório. Esse período traz consigo uma grande carga de projeção, ou seja, se vê o outro através de si próprio, dos sonhos, desejos e expectativas e, por outro lado, também só se mostra o melhor de si mesmo no desejo de agradar.

Na construção da parceria, a percepção de si próprio e do outro é vital para o bem-estar do “eu” e para a harmonia do “nós”. Assim sendo, é significativo ter interesses pessoais e aceitar as diferenças.  No entanto, é fundamental também saber negociar, pois há momentos que o “nós” implica na conciliação de interesses. O amor expresso como sentimento de escravidão ou posse suscita mágoas que geram distância emocional e até mesmo a raiva.

Cabe ressaltar que nos diversos estágios do ciclo vital dos indivíduos, a saída e entrada de novos membros e/ou fatos alteram a dança relacional necessitando que haja uma re- organização. Por exemplo: um novo emprego pode exigir mais horas de dedicação, bem como o nascimento de um filho.  Portanto, o estar junto ou separado precisa ser pensando sobre vários ângulos, inclusive porque estar perto fisicamente não significa estar próximo emocionalmente (intimidade).

Ao se analisar o ciclo de vida do casal pode-se constatar que existem períodos alternados dos movimentos de união e de afastamento. É importante que nesse interjogo o casal possa administrá-los de forma a manter o desejo mútuo de conservar a parceria.

Mudanças são necessárias. As interações rígidas carregam tensões criadas em determinada etapa, gerando sofrimentos e, mesmo assim, as pessoas podem permanecer juntas distantes ao longo de toda vida.

Norma Emiliano