Google Imagem
A vida é composta de alegrias e tristezas, de altos e baixos. Cada pessoa tem uma forma de ver e sentir a vida, de encarar os fatos e de lidar com as pessoa.
Na arte encontramos sensibilidades que nos expressam a vida. Cecilia Meireles, conforme suas próprias palavra, ” procuro mostrar a vida em profundidade (…) por uma contemplação poética afetuosa e participante.” (1982). No poema abaixo, revela os motivos de sua existência como poeta e não faz distinção entre a obra e a própria vida.
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
cobre as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio…
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas
Cecilia Meireles
Fonte
Cecilia Meireles. Literatura comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982.


Saiba mais