poesia_25

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A vida é composta de alegrias e tristezas, de  altos e baixos. Cada pessoa tem  uma forma de ver e sentir a vida, de encarar os fatos e  de lidar com as pessoa.  

Na arte encontramos sensibilidades que nos expressam a vida.  Cecilia Meireles, conforme suas próprias palavra,  ” procuro mostrar a vida  em profundidade  (…)  por uma contemplação poética afetuosa e participante.”  (1982).  No poema abaixo, revela os motivos de sua existência como poeta e não faz distinção entre a obra e a própria vida.

 

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
cobre as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas

Cecilia Meireles

Fonte

Cecilia Meireles. Literatura comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982.