O olhar do poeta

olhar

 Publicado 2010
Republicando
 
A poesia é um canto pessoal, mas também coletivo” .  Fábio Rodrigues
 
Uma das funções sociais  do escritor  é expressar o seu mundo. A linguagem poética  constitui-se  no olhar do observador. Olhar que  institui um sentido  para o signo ou modifica um sentido existente.
Costuma-se associar o nome de Carlos Drummond de Andrade ao Modernismo Brasileiro.
O  poeta  Drummond, em seu  poema Mãos dadas,   afirma  a consciência do outro  em sua existência  (companheiro) numa percepção da  importância do tempo presente. Analisa  sua experiência individual, a convivência com outros homens e o momento histórico, concluindo  que o ser humano luta sempre para sair do isolamento, da solidão. Ele nos faz mergulhar nas profundezas dos signos e  nos torna participantes da busca do segredo do conhecimento humano.
Mãos dadas

“Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considere a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.”

Carlos Drummond de Andrade

Fontes

Fábio Della Paschoa Rodrigues. O Fazer Poético  Em DRUMMOND

Drummond de Andrade, Carlos. Poesia e prosa. Rio de Janeiro:Aguilar, 1922

Grata por sua visita

Norma Emiliano

Comments

  • chica
    Responder

    Lindo o olhar do poeta, aliás, ele é maravilhoso sempre! Precisamos sempre dos outros…beijos, lindo dia! chica

  • roseliadosreisbezerra
    Responder

    Boa tarde de Domingo, querida amiga Norma!
    Hoje pela manhã, antes do passeio, conversávamos sobre isso…
    O ser humano não foi criado para viver isolado.
    A mensagem de mãos dadas é sugestiva pois de teia deve ser nossos relacionamentos.
    Drummond tem sensibilidade postiça suficiente para poetar sobre o tema assim como você o feZ.
    Tenha uma nova semana abençoada e feliz!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

  • verena
    Responder

    Um olhar lindo, Norma
    Obrigada por partilhar.
    Beijinhos
    Verena.

  • Ailime
    Responder

    Boa tarde Norma,
    Gostei imenso desta partilha do poema Mãos Dadas de Carlos Drumomd de Andrade.
    «Estou preso à vida e olho meus companheiros
    Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças
    Entre eles, considere a enorme realidade
    O presente é tão grande, não nos afastemos
    Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas»
    Uma expressão poética do autor onde revela a sua preocupação com o outro. Nós não somos ilhas e devemos interagir.
    Um beijinho e uma boa semana.,
    Ailime

  • toninhobira
    Responder

    Participante do movimento modernista Drummond veio como o novo, o questionador e assim direcionou sua arte com seu olhar sempre profundo na existência. O poema em ilustração é um belo retrato deste Drummond, que faz inclusive uma referencia à fuga para Passargada lugar imaginário por Manuel Bandeira que era um critico literário. Drummond seria a segunda turma do Modernismo. Muito boa postagem com este olhar Drummondiano, de que sou fã desde criancinha ouvindo suas poesias.

    Valeu Norma.
    Beijo

  • Diná Fernandes
    Responder

    Ola querida Norma,
    Ler Drumond é maravilhoso , e o poema em questão é uma aula sobre
    não nos isolarmos do mundo nem dos amigos, Um olhar de humanidade,
    O poema todo é rico em detalhes, destaco:
    “Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins
    O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
    a vida presente.”

    Obrigada por compartilhar essa pérola poética.

    Bjss

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