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No seu olhar

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O tempo transcorreu, os olhares brilhantes e penetrantes não mais encontra. Acostumara-se no cotidiano ter sempre a sua procura aquele azul que lhe seguia com ternura e se sentia plena.  Sabia que tivera em sua vida um mágico encontro que perdurou por 35 anos.

Jovem, sempre havia algum rapaz a sua volta, mas com todos apenas flertava, adorava paquerar. Gostava da liberdade, de dançar com quem a convidasse nos bailes. Os olhares que a seguiam lhe divertia. Contudo, um sorriso  azul a atraiu e nunca mais dele se afastou.

Namoraram por quatro anos, havia muita afinidade entre eles. Divertiam-se, estudavam juntos e se tornaram companheiros nos momentos de necessidades. Casaram-se, tiveram três filhos, passaram por momentos difíceis com as crianças, porém com muita cumplicidade. Ambos trabalhavam e conseguiam se dividir nos cuidados com os filhos e na administração do lar. Quando se recorda disto, percebe o quanto fora feliz em sua escolha.

Na vida tudo é transitório e lá se fora seu amor; repentinamente a deixara. Ficaram belas lembranças, que revê saudosamente no álbum, que construíram juntos, dos melhores momentos do casal e família.

Hoje, sente-se invisível, não há ninguém que a olhe nos olhos, que lhe admire. Procura sentido em sua vida através de serviços voluntários e com escritas. Então decide que sua história tem um diferencial que precisa ser compartilhado e que, provavelmente, poderá lhe dar a visibilidade que ainda almeja, mesmo que seja indiretamente.

Norma

Obrigada por sua visita.

Comments

  • taislc
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    Norma, sempre quando vamos a um velório, coisa das mais tristes, ainda não conheci alguém que, vendo o defuntinho, não pense em si e na sua vida. Isso é do ser humano, o que nos leva a pensar muitas coisas. Principalmente num novo sentido para sua vida. Essa tua narrativa, tão verdadeira, fez com que eu lembrasse disso, e somos todos iguais, homens e mulheres, a fragilidade abraça a todos da mesma maneira. Passamos anos e anos vivendo de uma maneira, e de repente tudo tem de mudar. Muito triste.
    Beijo, querida, um bom domingo.

  • toninhobira
    Responder

    O que há no olhar que cada dia focaliza uma realidade e refaz caminhos, reconstrói outros onde talvez nunca imaginara. O olhar para a realidade que muitas vezes se apresenta dura demais, quando há este sentimento de invisibilidade, abandono, síndrome da solidão em meio à multidão. Um belo texto com reflexão.
    Carinhoso abraço Norma.
    Beijo.

Sua visita e comentários são muito significativos. Volte sempre.

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