Maternidade

 

 Maternidade, uma reflexão

 

Ao longo do tempo, a forma de ser mãe altera-se, adaptando-se ao contexto sócio histórico de cada época.

O advento da família nuclear ( baseada na afeição entre parentes e na intimidade entre pais e filhos) é fortemente marcado pelo discurso patriarcal, no qual foi delegado à mulher as tarefas do lar e o cuidado do marido e dos filhos. Assim sendo, este contexto familiar elege a mulher mãe como figura principal, cabendo ao homem o papel de provedor. Por outro lado, traz- lhe total dependência econômica do marido e emocional dos filhos. A maternidade passa a representar a sua realização.

O início da Segunda Guerra Mundial vai trazer mudanças significativas aos papéis atribuídos às mulheres, uma vez que começaram a ocupar o mercado de trabalho. Isto deflaga, posteriormente, os movimentos feministas que passam a contestar sobre a divisão rígida dos papéis entre os homens e as mulheres.

As reivindicações tomam vulto e, aos poucos, a mulher se desloca do espaço privado para esfera pública. Com este deslocamento, a identidade feminina encontra novas bases de sustentação (econômica e intelectual).

Diante destas transformações, a atividade materna também se transforma e torna-se um campo ainda de muitas contradições para a sociedade, como por exemplo, a ideia de que ‘a mulher sem filho não se realiza’.

Tudo isto tem sido vivenciado pelas mulheres de forma muito diversificada e controvertida. Para muitas ainda persiste a ideia de que a mulher guarda um dom mágico que se revelará com a maternidade, outras já compreendem que este amor pode ser apreendido ou não com a prática da maternagem, que segundo Rocha Coutinho (2005) se diferencia da maternidade, por ser realizada tanto por homens como por mulheres, pois não é biológica.

Tendo em vista o exposto, este tema, muito abordado na clínica, vem envolvido de crenças, sentimentos e conflitos pessoais (internos) e relacionais que acabam sendo disparadores de conflitos conjugais.

As relações de poder estão presentes e trazem consequências que limitam a vida pessoal e de casal e nos leva a considerar a importância do constante repensar sobre o que somos?

 

Referência bibliográfica

 Rocha Coutinho. Variações sobre um antigo tema. Em Feres-Carneiro,T (Org.) A Família e Casal):efeitos da contemporaneidade.RJ: PUC-Rio, 2005.

 Norma Emiliano

 

 

Comments

  • Lúcia Soares
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    Norma, estou até achando que vou escrever um pouco sobre isso, pois hoje já é o segundo blog em que leio das frustrações das mulheres, muitas sem saber se optam em estudar e trabalhar ou em ser mães. Fica parecendo que tudo é “obrigatório”, socialmente.não fica?
    Se escrever, será postado mais à tardinha e gostaria da sua opinião profissional.
    Beijo!

  • Norma Emiliano
    Responder

    Caca
    Olhar amplo sobre a questão ajuda nas escolhas. Muitas vezes é necessário um olhar mais interirizado para se fazer escolhas. Mas na parceria é fundamental uma soluçaõ conjunta no projeto de se ter filhos.
    bjs

  • Norma Emiliano
    Responder

    Sonia
    Estas questões acabam realmente trazendo questionamentos na vida, mas estão relacionadas ao seu direcimento e escolhas e por que disperdiçando o seu corpo? Ele é a nossa morada.
    bjs

  • josé cláudio – Cacá
    Responder

    Isso é um tema espinhoso demais, Norma. Por exemplo, a mulher com quem estou casado atualmente optou por não ter filhos (eu já tenho duas). Mas vejo que a opção dela não tem nenhuma deliberação firme, definitiva. Parece-me mais um temor da maternidade, o que ela não assume publicamente. Mas tem constantes recaídas. Eu não pretendo ter mais e tenho receio de que isso possa nos trazer problemas futuros. Ela já está naquela idade que é limítrofe para a saúde. É um caminho difícil de se trilhar ou não, vai depender de nossas escolhas, que para mim ainda não estão cristalizadas. Bom para pensar mais depois de ler o seu artigo. Abraços. paz e bem.

  • Beth Q.
    Responder

    Bom dia, NOrma!
    Maternagem – gostei de conhecer este novo vocábulo, não sabia que era usada para estes fins e, concordo, afinal hoje, não só as mulheres são mães na criação, vemos muitos pais fazendo este papel também e conhecia como pãe.
    As mulheres desde a segunda grande guerra cresceram demais em atitude, trabalho, convivência, estudos, participação laborial, tudo praticamente.
    NO trabalho de meu marido que antes era reino de homens, agora muitas mulheres e competentes.
    Mas, realmente, sofrem pelo lado pessoal, pois quem não consegue um horário flexível, acaba sobrecarregada, doente e envelhece mais rápido.
    Gostei muito do tema.
    bjs cariocas

  • Nilce
    Responder

    Oi, Norma

    A mulher assumiu tudo e muito rapidamente. As responsabilidades e cobranças são muitas.
    A mulher pode se sentir realizada e muito bem resolvida sem precisar ser dona de casa ou ter um filho de sangue.
    Essas “necessidades” podem ser apenas desejos isolados.

    Bjs no coração!

    Nilce

  • Sonia Beth
    Responder

    Norma, estou com 52 anos e não tenho filhos. Às vezes dou graças à minha liberdade, outras vezes fico pensando que desperdicei um potencial incrível do meu corpo de mulher, não gerando filhos…

    beijinhos

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