Imaginação

 

“Os poetas devem ser o grande estudo do filósofo que deseja conhecer o homem”  Joubert, Pensés.

 

Ao ler o livro de Gaston Bachelar, O Ar e os Sonhos. Ensaio sobre a imaginação do movimento, comecei a ter uma percepção diferenciada sobre a imaginação e a confirmação da sua importância  sobre o bem que faz ao psiquismo humano “quando assume o aspecto de uma viagem ao país do infinito”P.6. Segundo esse autor o vocábulo que corresponde à imaginação é o imaginário, ou seja, “o valor de uma imagem mede-se pela extensão de sua auréola imaginária (…) ela não é um estado, é a própria existência humana”.  Assim sendo, quando uma imagem presente não faz pensar numa ausente, uma explosão de imagens não há imaginação.

“O sonhador se deixa ir à deriva, cada poeta nos deve seu convite à viagem. Com estes aprendemos a imaginar todo matiz como uma mudança.” Pg. 11. Sua proposta é examinar a imanência do imaginário no real, é o trajeto continuo do real ao imaginário. Desta forma ele cita Rilke que diz: “Para escrever um único verso, é preciso ter visto muitas cidades, homens e coisas. É preciso conhecer os animais, sentir como voam os pássaros e saber que movimento fazem as flores minúsculas quando se abrem pela manhã.”

O estudo, neste livro, consiste na reunião de diversas imagens em que a imaginação projeta impressões íntimas sobre o mundo exterior, estudo do psiquismo aéreo, trazendo exemplos em que a imaginação projeta o ser inteiro e recebe dela um dinamismo renovador.

Uma imaginação, aberta em permanente mobilidade criativa, é a proposta central deste livro

Sobre o livro

“Este livro busca dar uma contribuição positiva à psicologia, por meio do estudo das viagens imaginárias mais evasivas. O autor sublinha o caráter dinâmico do exagero imaginário, sem o qual ele considera que a vida não pode se desenvolver. Para ele, para que haja imaginação, é necessário que uma imagem suscite outras diferentes. Caso contrário, há apenas percepção, lembrança, memória familiar, hábito das cores e formas”.
Título: O ar e os sonhos: ensaio sobre a imaginação do movimento
Autor: Gaston Bachelard
Editora: Martins Fontes
Cidade: São Paulo
Tradução: Antonio de Pádua Danesi

Comments

  • taislc
    Responder

    Olá, Norma, a poesia, os poetas são matérias nobres para o estudo do comportamento humano. O poeta é sentimento, é emoção, deixa vir o subconsciente sem censura, deixa aparecer a imaginação sem medo das imagens que alguma coisa lhe acrescentaram, que vivenciou e muitas vezes não se deu conta. Difícil esconder emoções, os poetas querem mais é poder usá-las, escrevem mais é com o coração.

    Gostei muito da postagem, amiga.
    Um bom feriadão!
    Beijo

  • toninhobira
    Responder

    Bem interessante Norma mergulhar neste mundo desconhecido do imaginário e dos sonhos e nas criações poéticas onde estes se manifestam profundamente e sempre será um ponto de curiosidade.
    Valeu a partilha e indicação.
    Beijo amiga.

Sua visita e comentários são muito significativos. Volte sempre.

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