Devaneios e a infância

Infância

O devaneio voltado para a infância nos restitui à beleza das imagens primeiras.” Gastão Bachelard

O despertar da vida e para vida da menina era cercado de proteções; caçula  e temporão, era  arisca e curiosa. Suas brincadeiras prediletas era  burlar a vigilância e mexer no que não lhe pertencia. Os objetos dos adultos a atraiam. Adereços, roupas e sapatos  compunham sua fantasia. Andava de lá pra cá, fazia trejeitos e, assim, brincava até que alguém a surpreendesse. Não adiantava ser repreendida ou castigada.

Sua mãe era uma pessoa simples, mas gostava de estar arrumada e cheirosa. Quando saiam juntas ficava admirar sua elegância discreta. Sonhava em poder usar pinturas, sapatos altos,  bolsas, soutiens e meias calças. Sua maior felicidade era quando tinha um evento e era arrumada com vestidos bordados e laçarotes na cintura.

Uma de suas peraltices, aos 7 anos,  raspar perna com barbeador de gilete do pai, touxe-lhe como conseqüência sangue escorrendo pelas pernas e um curativo num dia de festa. Já aos 10 anos, para sair com amiguinhas,  lançou mão de rouge, lápis de olhos e batom das irmãs e sofreu uma grande frustração: seu pai ao vê-la, pois lhe na pia para lavar todo o rosto, dizendo que assim não sairia de casa.

A menina tinha em seu imaginário ser uma bela moça cortejada pelos rapazes e ter seu príncipe encantado com sua beleza. Não perdia os concursos de Miss e sonhava com a passarela. Devaneios infantis,  base que pôs em seu olhar o sentido da beleza expandida  em pequenos detalhes e transmutados na poética do viver.

A Poética do viver

No olhar fugaz da menina
O encanto e o amar
Na poética da vida

Sonhar
amar
vibrar

No olhar perspicaz da mulher
O encanto e a sabedoria
Na poética da vida

Sonhar
Realizar
Transformar

Na poética da vida
De menina à mulher
Transcende o encanto da vida.

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Norma Emiliano

Comments

  • chica
    Responder

    Encantadora tua poesia e o texto inicial mostrando as meninas como são ou foram..Adorei! beijos, chica

  • Celina
    Responder

    Boa tarde, Norma!
    Texto encantador, lembrando a menina graciosa sonhando com a vida adulta, envolta em sonhos e romance.
    Lindo também o poema, muito leve,
    transportando para a poesia o mesmo espírito do texto.
    Boa semana! Escrever é muito bom!
    E ler também.

  • roseliadosreisbezerra
    Responder

    Boa noite de paz de Seman Santa, querida amiga Norma!
    O terceiro parágrafo eu vivi só aos doze anos e sangrou as pernas também, lá vinha bronca da mãe, claro! Para variar… rs…
    O poema eu me lembro do livro, se não me engana a memória…
    Tudp lindo na sua poética do viver.
    Tenha dias abençoados na proteção do mal!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

  • toninhobira
    Responder

    É tão lindas as reminiscencias Norma deste tempo de feliz idade, que vez ou outra vem aflora e espalha pelas poesias. Todos temos esta criança buliçosa, que sempre vem nos acalmar e provocar a rebelar e a revelar-se. Gosto deste buscar lá na infância, nosso pomar de frutos bons. Bem como ter esta criança que nos leva ao viver mais pleno, agora com sabedorias e experiências.
    Linda postagem com historias e poesia.
    Beijo amiga e semana feliz e leve.

  • Ailime
    Responder

    Boa tarde Norma,
    Que texto tão belo.
    Havia amiguinhas minhas que gostavam de se arrumar assim. Eu não, era uma Maria rapaz. Gostava de correr e saltar…;))!!
    O poema é maravilhoso e retrata bem a evolução da menina-mulher.
    Beijinhos e fique bem.
    Ailime

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