Da Solidão

Ressoando com Vinicius de Moraes

No livro Para viver um grande amor há um texto Da Solidão em que o autor faz várias indagações sobre qual seria a maior solidão.

Fala da morte do ser amado e de muitas outras situações, trazendo alguns personagens e situações, entre elas “a  solidão dos últimos dias do pintor Toulouse-Lautrec, em seu leito de moribundo, lúcido, fechado em si mesmo, e no duro olhar de ódio que deitou ao pai, segundos antes de morrer.”

Após muitas questões, conclui que ” a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.

Assunto relevante na contemporaneidade na qual o “Amor líquido“, fragilidade dos laços humanos, gera grande insegurança, angústias e leva a uma concreta solidão.

Referências

DE MORAES,V. Para viver um grande amor. Rio de Janeiro: Sabia, 1973

BAUMAN, Z. Amor líquido. Sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

Grata por sua visita

Norma Emiliano

Comments

  • chica
    Responder

    Lindo texto e ressonância. A maior solidão deve ser a de estar sentindo falta até de nós mesmas…beijos, lindo domingo! chica

  • Beth Lilás
    Responder

    É exatamente isso, o tal “amor líquido” que Bauman fala e que eu estava lendo a respeito noutro dia. O imediatismo, a intolerância, a vaidade e a falha em não criar pontes hoje em dia.
    Como bem diz Exupéry “As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes”

  • Graça Pires
    Responder

    A maior solidão é a dos que não sabem amar … Concordo.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

  • Maria Luiza Saes de Rezende
    Responder

    Quem não se entrega, não ama! Vive a vida caçando a si próprio e não enxerga a essência do amor, da entrega, da devoção, da fé ao outro, logo na frente! Tenta exaurir as forças nessa caçada interior! Oh! Dor! Tudo de bom!

  • Ailime
    Responder

    Boa noite Norma,
    Concordo, o maior solidário é o que se fecha em si próprio e tem medo de amar, de se doar..
    Um beijinho,
    Ailime

  • Sueli
    Responder

    Boa tarde Norma, lindo texto, …”a maior solidão é a do ser que se ausenta”… muito verdadeiro.
    Bjs, Sueli

  • toninhobira
    Responder

    Muito interessante o olhar de Vina sobre a solidão. Eu ainda fico com a definição de solidão que Chico Buarque definiu Norma, que é sobre arrumar o quarto do filho que já perdi. Esta solidão não tem remédio. Mas gosto deste olhar sobre a solidão, de quem não se permite, que não se dá às oportunidades que se apresentam no dia a dia e vive-se como caramujo fechado em si. Muito bom este livro que li flash. Viver um grande amor, que começa por si amar mesmo e assim poder se permitir ser amado, mas sem fantasias, um amor que sinta, que há sintonia real. E já um mineiro compositor afirma, que o medo de amar é o medo de não ser livre para o que der e vier e assim vive numa certa solidão. E creio, que quanto mais lemos sobre a solidão, mais as definições se afunilam. E talvez não a definimos, mas sentimos.
    Bela postagem Norma.
    Beijo amiga.

  • rudynalva
    Responder

    Norma!
    Importante lermos livros com assuntos tão relevantes.
    cheirinhos
    Rudy

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