egocentrismo

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A  GAIVOTA

 

Uma bela gaivota chegou à capital do reino, deu voltas ao seu redor e foi pousar numa das ruas da cidade. O acontecimento chegou aos ouvidos do governador. Ligeiro, este foi dar-lhe as boas-vindas e ordenou ainda que preparassem uma festa especial para a distinta visita. Pensou que a gaivota merecia, no mínimo, que a sua chegada fosse celebrada no interior de um templo.

Chegou o dia, a gaivota foi conduzida ao templo. Em sua honra começaram a tocar os melhores músicos, mas os sons que produziam, confundiam e perturbavam o animal. Para lhe prestar homenagem, queimou-se incenso da melhor qualidade, mas o seu aroma penetrante enjoava a ave. Celebraram-se prolongados rituais litúrgicos, mas como a gaivota não os entendia, eram-lhe insuportáveis e esgotantes. Após a cerimónia, foi obrigada a ingerir, contra a sua vontade, variados elementos condimentados e fortes licores. Mas, além de tudo isto, a celebração prolongou-se vários dias e a gaivota teve de se submeter ao mesmo programa em cada um deles. O animal foi ficando muito triste, fraco e melancólico. E antes de finalizar o tempo dedicado a honrá-la, o seu coração deteve-se para sempre.

Moral:

É preciso sermos especialmente cuidadosos e sensíveis para dar aos outros o que eles desejam verdadeiramente, e não o que nós pensamos que desejam de acordo com as nossas atitudes egocêntricas e os nossos padrões, ou com o que nós gostávamos que desejassem. Se uma ave, com as suas melhores intenções, der um passeio pelos ares com um peixe, as consequências são desastrosas, apesar das intenções.

Fonte

Os melhores contos espirituais do Oriente, de Ramiro Calle

 

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