Final de semana, pausa merecida, mas para este nosso encontro vem Fernando Pessoa com sua poesia, ilustrando a travessia do conhecimento do si próprio, pois o que procuramos está dentro de nós.
Eros e Psique
deldebbio | 1 de maio de 2009
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Este espaço é um dos meios que utilizo para me comunicar. A comunicação causa impactos em nossas vidas e é no relacional que aprendemos e crescemos.
Nas observações, indagações e reflexões caminho em direção da construção de um mundo mais humano e acolhedor. Assim, trago, hoje, para você, através do romancista, poeta e dramaturgo e autodidata José Saramago, um poema que expressa crítica à desvalorização da essência da vida.
Bom final de semana.
Norma
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
Os dias de carnaval inspiram folia para muitos, o descanso para alguns e para outros viagens e passeios. Portanto, é um momento de pausa em nossas rotinas.
As atualizações ficarão suspensas até o dia 17 de fevereiro. Mas se desejar, faça deste espaço instante de pausa e reflexões. Aproveite o arquivo do blog e deixe seus comentários.
“Quem consegue realizar as metas de sua alma é feliz” Roberto Shinyashiki
Casou-se muito jovem. Seu projeto maior era constituir uma grande família. Por trinta e dois anos, viveu com o sentimento de realização. Era feliz, tinha ao seu lado um marido atencioso e quatro filhos saudáveis e carinhosos.
Certa manhã, foi surpreendida pelo marido. Ele queria a separação. Atônita não conseguia entender o que lhe relatava. Só conseguia ouvir: você não merece que eu continue a lhe enganar. Há anos seu marido tinha um outro relacionamento pelo qual, hoje, optara. Tinha consciência de que fora mãe dedicada, boa dona de casa, esposa e amiga. Onde falhara?
Após várias conversas, ele se foi. Sentiu-se perdida. Os filhos casaram-se. De repente, viu-se sem as ocupações cotidianas, sem a companhia do homem a quem tanto se dedicara! Assim, dia após dia, foi vendo seu corpo se transformar. A balança apontou-lhe trinta quilos a mais.
Não podia manter-se na inércia. Os amigos, todos em comum ao casal, já não lhe satisfaziam. Só lhe traziam recordações que desejava abandonar. Agendou médico e terapia. Resolveu “dar a volta por cima”. Em quatro meses foi se reconhecendo, mas precisava conhecer pessoas, fazer novas amizades, construir um novo caminho. Recomeçar.
Na dança de salão, conseguiu ir tecendo os seus fios. Cercada de pessoas de várias idades, foi recuperando a alegria de viver. Iniciou, também, curso de línguas. Contudo, sentia falta de uma companhia mais próxima, do afeto. Percebeu que tinha de virar uma outra página: a esperança do marido voltar. Queria encontrar novo parceiro.
Em um dos bailinhos, encontrou seu novo parceiro. A partir daí, sempre juntos, freqüentaram os salões de dança e foram se apoiando mutuamente.
Na passagem do tempo, algumas restrições surgiram. Ao completar sessenta anos, mesmo após internação de quinze dias, quis fazer uma festa em sua homenagem.
Tudo foi detalhadamente programado. Reconectou-se com os amigos e contratou um DJ. Não queria deixar de usufruir tudo o que sentia ter direito. As dores da artrose, que não a largavam, não a impediriam de bailar. Sete meses sem ter podido quase caminhar. Sentia-se inchada, não estava tão bonita, mas nada disto seria obstáculo.
Em sua festa, muito alegre a todos recebeu. Cercada pelos filhos, netos, amigo e do atual parceiro, fazia uma grande celebração à vida. Quis de tudo usufruir. Culminou com a valsa a sua confirmação e demonstração do que é ser feliz
Norma Emiliano
No video abaixo, na poesia de Fernando Pessoa mais um olhar sobre ser feliz .
O INVENTOR DOS PONTOS
Ele nasceu há 200 anos: Louis Braille, o inventor da escrita para cegos
SENTIR. LER COM OS DEDOS. As coisas decisivas na vida de Louis Braille, o inventor da escrita para cegos, aconteceram na oficina de couro de seu pai. Ele amava esse local. As selas de couro macio, as ferramentas pontiagudas o fascinavam. Até que no ano de 1812 acontecesse a desgraça: brincando, o pequeno de 3 anos enfiou uma uma agulha grossa em seu olho, que infeccionou e contaminou o outro. Ele ficou totalmente cego. Mas o pequeno menino não se abateu, frequentou uma escola para cegos, aprendeu até a tocar piano. Apenas uma coisa o entristecia: não poder ler. Havia apenas livros, nos quais as letras, por meio de fios de cobre, ficavam destacadas para os cegos, um método que não funcionava muito bem.
Ler por meio do tato: na escrita Braille seis pontos, três em cima vezes dois pontos na largura, formam a retícula para combinações de letras perceptíveis que podem ser representadas
CERTO DIA, LOUIS ouviu sobre uma escrita de pontos com a qual os soldados podiam ler também à noite. Os homens tateavam pontos, que formavam letras. O menino entendeu logo: essa escrita era ainda muito complicada, mas a ideia era genial! Louis decidiu inventar um sistema com menos pontos. Em 1825, ao completar 16 anos, veio-lhe a concepção decisiva. Estava – outra vez – sentado na oficina do pai. Férias escolares. Pegou então a agulha e imprimiu pontos em cartão firme, ordenados como o “6″ em um dado. Esse era o sistema: conforme quais e quantos dos seis pontos ficavam em relevo, formavam letras, números, sinais matemáticos, fáceis de serem tateados por cegos. Assim, uma a uma, o menino estampou 64 combinações diferentes, suficientes para todas as letras do alfabeto, números e sinais gráficos. Os colegas cegos de Louis na escola ficaram entusiasmados! Um mundo novo se abria para eles: o das palavras e dos livros.
POSTERIORMENTE, LOUIS BRAILLE tornou-se professor para cegos. Mas exatamente o novo diretor de sua escola era contra a escrita de pontos. Ele acreditava que os cegos se isolariam através de uma escrita que era desconhecida para os que enxergavam. Braille batalhou uma vida toda para a difusão de sua ideia. Somente em 1850, dois anos antes de sua morte, o alfabeto por tato foi reconhecido em sua pátria, a França.
ATÉ HOJE, OS CEGOS do mundo todo leem com a ajuda desse sistema, que recebeu o nome de seu jovem inventor: o alfabeto braile. Já há muito tempo existem máquinas de escrever especiais e impressoras que imprimem, em papel especial, escritos vertidos para as letras da escrita por pontos. Documentos com textos em braile têm, contudo, aproximadamente um volume 30 vezes maior do que o original. Quem possui um computador feito especialmente para cegos, também pode escanear textos impressos, que serão lidos por uma voz eletrônica desse computador. Ao navegar, enviar e-mails ou escrever cartas, essa voz ou uma linha em braile mecânica em frente ao teclado reproduz o que se pode ver na tela. Um resultado fascinante desde o 4 de janeiro de 1809, quando Louis Braille nasceu em Coupvray, perto de Paris.
Cada mundo de sentidos surge individualmente e reflete-se no modus operandi de cada cérebro em particular. Diversos grupos de cientistas em todo o mundo tentam rastreá-lo também nos deficientes visuais. Esses grupos querem saber, por exemplo, o que ocorre nas seções cerebrais que são ameaçadas de “desemprego” em cegos.
Olá.
Sou Norma Emiliano,Terapeuta de Família. Faço atendimentos clínicos há 16 anos.Tenho paixão pelo que faço. Minhas experiências profissionais constituem a base das minhas reflexões sobre as mudanças ocorridas na sociedade e suas repercussões nos indivíduos, nas relações interpessoais e, principalmente, no interior das famílias.
Neste blog, convido o internauta a ler, refletir e a trocar idéias sobre assuntos que dizem respeito à família.