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Vai e vem da vida

Assim que nos damos conta que somos viventes,  percebemos a  entrada e a saída das pessoas à nossa volta. Nem sempre conseguimos introjetar que este movimento faz parte da vida como as ondas fazem parte do mar. Muitas vezes, queremos ficar, queremos que fiquem.

Na música "Encontro e despedida", temos  uma interessante metáfora dessa viagem.  "O trem que chega é o mesmo trem da partida. A hora do encontro é também de despedida.  A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar.  É a vida".

Quando criança sempre gostei de acompanhar aquele que ia. Pensando bem, sempre fui "andarilha". Hoje,  observo porque  a blogosfera me atraiu:  navegar,  navegar. No virtual,  em segundos entramos e saímos de vários espaços e, também,  por aqui, como nos diz a música,  "tem gente que chega pra ficar; tem gente que vem e quer voltar; tem gente que veio só olhar. E assim, chegar e partir.

E neste vai e vem que comecei a pensar em cada chegada e partida e  na " plataforma dessa estação. É a vida desse meu lugar.  É a vida desse meu lugar.  É a vida".

Norma

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Atitudes

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“Somos pessoas com mil e uma personalidades, e vemos isso a cada dia, principalmente naqueles momentos em que parece que outra pessoa invade nosso corpo e nos faz tomar atitudes que em um estado normal não tomaríamos.” in  O amor que acende a lua”, Rubem Alves

Diante deste pressuposto, não é muito conveniente julgarmos as pessoas pelas aparências, e, assim,  já nos dizia Madre Teresa de Calcutá  “quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”.

De outra forma,  há uma uma história  que diz respeito ao Rei Salomão,  uma alegoria para fazer apologia a um julgamento . Trata-se do caso de uma mãe que reivindicava a posse de seu filho e  Salomão foi o juiz.

Duas mulheres reivindicavam como sua uma criança. Após ouvir as duas pessoas envolvidas  o Rei chegou a seu veredicto dizendo: “bom, faz-se necessário que se divida a criança ao meio, e cada qual fica com a sua parte, cuja mãe verdadeira abdicou da sua. Aquela senhora resolveu que o seu filho não fosse partido ao meio, mas ficasse com a outra que não era a sua mãe, dando provas de que o filho seria o seu, e teria amor por ele, cujo Rei Salomão prontamente lhe restituiu o filho”. Do livro: O Mercador e o Papagaio,

Norma

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Esperança

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Há palavras que compõem o curso da nossa vida. Para mim esperança faz parte da forma como me coloco diante da vida.

Na etimologia latina, esperança vem de “«spes» e «sperare», que significa uma espera aberta, que se baseia em resultados externos (como a expectativa), mas sobre a realização da pessoa (uma mudança radical da condição humana)”. Pequeno dicionário jurídico.

Na leitura do livro Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, vi- me diante de algumas das suas idéias que reforçam o meu pensar. Segundo este autor, tudo que tem vida é inacabado e, portanto, está sempre em construção. Assim sendo, chega-se a idéia de que o mundo não é, mas está sendo.

Uno suas idéias a minha visão da nossa corresponsabilidade perante a tudo que nos rodeia e, desta forma, coloco- me como sujeito da história, capaz de intervir na realidade. E como nos fala o poeta, esperança é

“Saber que se pode querer que aconteça,
Esquecer os medos, jogá-los pra fora.
Pintar sua cara com a cor da esperança,
Tentar o futuro com o coração.  Música cor da esperança- Tradição.

Norma

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Sexualidade infantil

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A sexualidade é um tema cercado de preconceitos.


Vivemos numa época de muitas informações, a sexualidade está cada vez mais presente nos meios de comunicação, principalmente na televisão, gerando curiosidade da criança em relação à sexualidade.

Paradoxalmente os pais se percebem inseguros na forma de lidar com as primeiras manifestações da sexualidade da criança. Tais manifestações geram angústia e ansiedade nos pais ao se perguntarem o que fazer, como fazer?

Muitos buscam uma receita, respostas, na tentativa de baixar a ansiedade diante deste momento, outros, inconscientemente, alienam-se para não ter que enfrentar o assunto. Alguns se dispõem a pensar sobre o assunto, repensar valores e refletir sobre os seus objetivos enquanto educadores. Contudo, a grande dificuldade está nos conflitos destes pais com sua própria sexualidade.

Como foram introduzidos na sexualidade? Como tiveram seus questionamentos atendidos?  Suas atitudes foram acolhidas ou rejeitadas pelos pais? Como se percebem como seres sexuados? Essas e muitas outras questões permeiam os pensamentos paternos no momento de lidar com seus filhos.

Neste sentido, o primeiro passo de uma boa educação sexual consiste na plena aceitação da condição sexual da criança.

A forma como o bebê é cuidado, o banho, a amamentação, a troca de carinho e de olhar estabelecem as primeiras sensações que servirão de base para edificar os vínculos amorosos e o despertar do desejo de aprendizado.

A descoberta do próprio corpo pelos órgãos dos sentidos ocorre durante o primeiro ano de vida. A criança olhando e brincando com as próprias mãos. As brincadeiras, os jogos sexuais e curiosidades são indispensáveis à formação do eu sexual.

No decorrer do segundo ano, as crianças se interessam em descobrir por onde saem as fezes e o xixi e assim descobrindo   as sensações agradáveis do toque nos órgãos genitais.

Na fase dos quatro anos, surgem as brincadeiras onde as crianças podem ter um contato mais direto com a diferença dos sexos, como por exemplo, brincadeiras de casinha, de médico, etc. Neste tipo de brincadeira estão satisfazendo uma curiosidade infantil e não há erotização nesse contato. Assim sendo, os pais não devem repreender, mas desviar a curiosidade da criança para outros estímulos.

Com seis anos, as crianças passam a buscar as razões, os porquês por trás de um problema ou de um fato.  Nesse momento, a curiosidade de saber como elas vieram ao mundo e a diferença entre meninos e meninas começam a ser despertadas. As perguntas surgem e a melhor maneira do adulto receber e responder a esses questionamentos é com clareza e simplicidade.

A conversa aberta, espontânea e verdadeira dos pais com os filhos e suas explicações sobre sexo contribuem para a intimidade, confiança, afetividade e criará um ambiente mais seguro para  a criança.

Norma Emiliano

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Pai solteiro

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Normalmente, os pais e mães proporcionam aos filhos experiências diferenciadas na infância e seus papéis não são idênticos. Inclusive, não encontramos sociedade que substitua a mãe no papel da primeira pessoa a tomar conta da criança.

No filme A menina dos olhos, o diretor apresenta uma fatalidade e desenvolve a trama baseado na relação pai/filha. Um bem sucedido publicitário se torna abruptamente um pai solteiro após a morte da companheira no parto.

O desenrolar das cenas mostra, inicialmente, as dificuldades deste homem para assumir a total responsabilidade pelos cuidados com a filha e a mudança radical de sua vida pessoal e profissional. Ele vai para o interior morar com o pai, inicia atividade braçal e se dedica inteiramente à filha.

O enredo enfatiza seu sucesso na educação e relação com a filha e sua frustração na parte profissional.

No entanto, quando consegue uma vaga que lhe traria o antigo status percebe que nada lhe traria maior felicidade do que a simplicidade da vida em família. Enfim, a mensagem final: “ ser pai é a coisa que mais vale a pena no mundo”.
 
Na atualidade, encontramos alguns casos de homens que assumem suas crias e se transformam, tanto quanto as mulheres (mães) emocionalmente importantes para os filhos.  Criam uma intimidade e afetividade que vão  contra o que o culturalmente fora construído.

Na blogosfera temos um bom exemplo de que o homem pode assumir importante papel junto aos seus filhos com atitudes e sentimentos bem semelhantes às mães quando se propõe a assumir integralmente seus filhos:
 
Aggeo, blogueiro, traz vários depoimentos da sua relação com a filha, exemplificando: “Estou tentando me policiar. Mesmo minha filha acha ruim quando insisto para que tome banho, escove os dentes, coma bem, durma na hora certa. Eu mesmo odeio quando meus pais me dão conselhos. Mas há alguns momentos em que não consigo ficar de boca fechada. Daí a culpa é da minha chatice inata mesmo.” Aggeo Simões.

Enfim, podemos supor que novas formas de relacionamento entre pais e filhos suscitam boas experiências no âmbito dos gêneros.

Norma Emiliano

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Irmãos, guardiãs do passado.

 

 

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A palavra irmão, de origem latina!”germanus” (dicionário da língua portuguesa, 2004), aqui se refere aquele com quem se tem laços de consaguinidade.

A família é composta por um casal e oito filhos, sendo seis mulheres e dois homens. A diferença entre a primeira filha e a última é de 13 anos. A primogênita passou a dividir com  a  mãe, aos sete anos, os cuidados dos irmãos. Na passagem do tempo, as mulheres se aliançaram, mas os dois homens, pela diferença de idade de 10 anos não tinham afinidades e se mantinham distantes. O menino mais moço fora muito “paparicado” pela irmã mais velha e pela mãe e o outro se sentira um “estranho no ninho”.

Quando adultos era visível a forma como cada um deles sofreu a influência desta dinâmica familiar. Num pequeno recorte, a filha primogênita tornou-se a cuidadora dos pais, o homem mais novo tornou-se dependente e não conseguia se estabelecer financeiramente. O mais velho saiu de casa cedo e foi para o exterior, onde se estabeleceu profissionalmente e se casou.

O nascimento dos filhos inaugura a família e os pais aprendem a viver esse novo papel.  O primogênito abre o caminho para os demais irmãos e cria um novo jogo nas relações familiares. Cada entrada de um novo membro exige um reequilíbrio da família.

 As primeiras experiências entre irmãos moldam o modo de agir, de pensar e de ser do indivíduo. Cada uma das posições fraternais define traços da personalidade (Alfred Adler- 1870/1937).  Para esse autor, é na relação familiar, principalmente, com os irmãos que se começa a desenvolver o sentimento de comunidade. Afirma ainda que a posição na fratria (primogênito, segundo, caçula, do meio, único) é a base da modelação do caráter individual.

 Vários outros autores realizaram estudos que nos confirmam a importância das relações fraternas na aprendizagem, inclusive para a vida conjugal e profissional (M.Bowen, W. Toman, 1976).

 Mc Goldrick, R. Gerson (1990), assinalam o lugar funcional dentro da fratria, exemplos cuidador e  rebelde.  A função é parte dos jogos relacionais e, portanto também é interdependente das outras relações familiares. Assim sendo, o “lugar funcional” na fratria não vai ser necessariamente de acordo com a ordem do nascimento.

 Nas reuniões familiares, anualmente, todos se encontram, ao redor da primogênita, uma vez que os pais morreram.  As conversas versam sobre o tempo da meninice, dos entornos  daquela época, num desejo de parar o tempo,  congelando as imagens que lhes remetem à pertença.

 Referências bibliográficas 

Adler, A. (1984). Conocimiento del hombre (7a. ed.). Madrid: Editorial Espasa-Calpe. (Originalmente publicado em1926).

 Bowen M. Um conceito de família de Esquizofrenia / / A etiologia da esquizofrenia / ed. by D.Jackson, 1960. por D. Jackson, 1960.

 Dicionário da língua portuguesa, 2004, Porto ed.

“Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,

o mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objetos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?”.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘Boitempo’

Norma  

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Navego

 

Pensando neste meu espaço e na dinâmica que foi criada entre mim e os meus leitores/amigos,  encontrei nas  palavras  de José Saramago aquilo que tenho  buscado  quando abordo qualquer temática  ou faço alguma proposta. Assim, através deste excelente escritor enfatizo que   “o  leitor deve colocar a sua música, interpretar a partitura do texto de um modo muscular, de acordo com a sua respiração e o seu próprio ritmo. “La Vanguardia, Barcelona, Buenos Aires, 10 de Dezembro de 2008

Considero de grande significado  a unicidade que cada um coloca em seus comentário, uma vez que essa constitui a  representação  das subjetividades.

As diferenças pessoais são , na maioria das vezes, a causas dos conflitos interpessoais, mas é o desafio que a vida nos coloca para sairmos do nosso próprio referencial e conhecermos outras formas de pensar, ser e agir.

Vocês, leitores e amigos, emprestam-me diariamente suas lentes, permitem-me uma viagem  constante por mares nunca antes nagáveis. Por isto agradeço a sua presença e a sua disponibilidade de troca. Os afetos me possibilitam criar elos que vão cruzando mares.

Como prova de reconhecimento e agradecimento ofereço a vocês uma bela melódia, pois para que possamos nos encontrar “navegar é  preciso”.

 

 

Os Argonautas
Caetano Veloso

O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!…

Navegar é preciso
Viver não é preciso…

O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!…

Navegar é preciso
Viver não é preciso

Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!…

Navegar é preciso
Viver não é preciso…

 

Norma

 

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Espelho Meu

Reedição

Ah, onde está o meu você? Ah.Ah. …onde está você?”Serginho  Moa.

Contos de fadas são metáforas de situações e interações que fazem parte do repertório do cotidiano humano. Em Branca de Neve, a madastra, como a bruxa presa a vaidade, traduz  arquetipicamente  os  perigos da  experiência baseada na busca da beleza eterna . Branca de Neve também paga o preço da sua ingenuidade, todavia renasce de sua morte simbólica nos braços de seu príncipe encantado representando a consagração dos ideais da alma.

Em outro sentido, podemos pensar que todos gostam de aplausos e nesse percurso encontra-se todo um contexto construído de exigências sociais que leva as pessoas a seguirem como autômatas e não escutarem seus sentimentos, desejos e aspirações, enfim a não escutarem a si próprias.

Como me vejo, como sou visto? Na trajetória do ser humano as respostas a essas perguntas constroem a autoestima, que se inicia na infância e se reforça na adolescência. O espelho reflete – se nas ações e  nas  interações. Cada  olhar  é impregnado de valores, crenças, etc. Formam-se diversas lentes, e emoção e visão traçam seus fios.

A compreensão de si mesmo é vital para se poder apreender o outro sem tantos ruídos (emoção), tendo em vista a projeção do seu próprio eu. Neste sentido, Perls nos lembra com suas palavras: “Eu sou eu, você é você. Eu não vim ao mundo para atender às suas necessidades, e nem você às minhas. Se a gente se ENCONTRAR vai ser lindo. Senão, nada se pode fazer”.

Quanto aos elogios, quem não fica feliz ao ser admirado? O enaltecimento remete ao valor, ao respeito e ao amor.  No entanto, o excesso de autoestima (narcisismo) pode  levar a  autodestruição, pois  nos  aprisiona  ao nosso próprio casulo. Enfim, a forma como cada um se vê, interfere na maneira de viver e conviver. A prática de se perceber e de perceber que afetamos uns aos outros nos ajuda a melhorar cada vez mais.

Norma

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