Archive for category Terapia de Família

Você Pergunta – 10

 

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta,  mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que poderão se interessar e ler .

 

Meus pais se separaram quanto eu tinha 13 anos e tive que cuidar de dois irmãos pequenos e assumir a casa. Hoje, aos 19 anos, sinto-me mal comigo mesmo (sinto-me feia, má, sem amigos e preciso sempre ter um rapaz comigo). Estou com uma enorme depressão, sem vontade de viver e sem gostar de mim. Nunca me dei muita importância, nem nunca tive uma figura feminina para me apoiar. O que faço da minha vida se não sei viver nem gosto de nada?

 

Cada pessoa é única em suas vivências, sentimentos e percepções. Assim sendo, as respostas fornecidas a cada questão são contextualizadas, não se aplicando necessariamente a todos a todos os casos.

 

 De acordo com os dados fornecidos identifiquei alguns fatores significativos da questão:

 - Desestruturação familiar- brigas constantes dos pais, infidelidade, desatenção com os filhos;

 - Separação dos pais;

 - Ausência do modelo feminino;

 - Inversão de papéis  - de filha à cuidadora;

 - Fragilidade emocional para atender as demandas das funções (ser mãe dos irmãos e cuidar da casa na pré- adolescência);

 - Baixa auto-imagem

 - Sentimentos contraditórios em relação à família – amor e ódio;

 - Vitimação

 - Sentimentos de impotência diante da vida (depressão).

 

Você tem uma história familiar complexa e hoje está sofrendo as consequências desta sua trajetória. Os modelos paternos (pai e mãe) são fundamentais na formação da nossa personalidade. As interações primárias nos dão visão de mundo e de nós mesmo (auto-estima).

Você assumiu papéis que não foram compatíveis com o momento do seu ciclo vital (pré-adolescente), não tinha estrutura emocional para tal. Não teve o cuidado, atenção que se sentia merecedora. Porém, cada um dá o que recebeu,  e as atitudes de seus pais estão relacionadas, provavelmente,  a essa premissa

 Nós somos frutos de uma história que se inicia antes mesmo do nosso nascimento. Todas as experiências pessoais de seus pais constituíram o que eles são. Portanto, a forma como foram criados e as percepções que tiveram do que viveram,  influenciaram a forma de vida que você começou a participar quando nasceu. Não somos como” bolhas de sabão suspensas no ar”.

 Seus sentimentos contraditórios em relação a sua mãe e pai – amor e ódio- , provavelmente, lhe dão sentimento de culpa.

O comportamento libertino da sua mãe está interferindo em seu comportamento e você  se vê um pouco como ela, tendo vários casos. Assim sendo, sua auto-imagem é fruto do mal estar interno que está vivendo.  

 Podemos ter escolhas diferentes dos nossos  pais.  O trechinho abaixo é de Charles Chaplin (Seguir em frente) traz uma excelente mensagem. Fonte

 

 ”Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás…
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te
.”

 

Ou seja, você pode procurar entender as histórias dos seus pais, perdoá-los e seguir uma vida própria. Cuidar-se, amar-se, fazer boas escolhas relacionais e construir um núcleo familiar seu ( ser boa mãe e esposa).  A este processo chamamos de individuação  (Bowen, 1978).   Mas,  a terapia é fundamental para poder realizá- lo.  Oriento a  procurar primeiro um médico para avaliar e tratar sua depressão.

Você se coloca como vítima (o que fizeram de mim e para mim). Contudo pode ser dona da sua própria história.

Você é jovem, com uma vida pela frente, e cheia de possibilidades.

 

 Norma Emiliano

 

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Você pergunta – 9

 

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta, mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que se interessarem em ler.

 

Tenho 23 anos e tenho 3 irmãos de mais de 30 anos.  Tenho brigas diarias com meus pais devido a falta de interrese e desapego pelos filhos!  Sinto falta do carinho e da preocupaçao que vejo as mães das minhas amigas tem! Isso está acabando comigo e com minha auto estima! queria ententer porque eles agem dessa forma?

 

De acordo com os dados fornecidos identifiquei alguns fatores significativos da questão:

- Filhos em fase adulta residindo com pais;

- mãe dedicada exclusivamente aos  cuidados  da família;

- valores paternos na independência finançeira dos filhos;

- dificuldade de assumir a vida adulta;

- dependência emocional ;

- percepção negativa da conduta dos pais.

Nornalmente ocorre que os pais lidam com os filhos conforme foram criados pelos próprios pais ou fazem o extremo oposto. Há muitas formas de se demonstrar amor e interesse.  O  afago, os cuidados com a criança ( da higiene à alimentação), os  limites são algumas dessas formas.

É comum se ter a impressão que a família dos outros são melhores que a nossa. Pode ser apenas ilusão. Todas as famílias tem algum problema. Não há perfeição. É importante que se sintir amada, se amar  para poder dar amor…

Os pais precisam dar raizes e asas para os filhos. Os animais nos ensinam isto de forma linda.

A familia passa por etapas e quando chega a vida aulta,  os filhos precisam ter vida propria, independência financeira e emocional. Há momentos, inclusive, que as posições invertem: os filhos cuidam dos pais….

Os pais serão sempre pais,  mas precisam de ter suas vidas ( isto não é ser egoista).
Todos temos de desempenhar vários papéis e não se fixar apenas em um, pois se assim for há sobrecarga.  Minha hipótese é que sua mãe cuidou de vocês em tempo integral e por ter tido vida dificil na família de origem,  valoriza a independência financeira dos filhos.

Saber sobre as histórias familiares nos ajudam a resignificar pensamentos que se possa ter em relação aos nossos pais. No seu caso, pode ajudá- la a entender  a atitudes dos seus pais e  o seu sentimento de falta amor maternal.  

 

Norma

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Abuso sexual e segredo

 

Conte a eles que você jamais é realmente uma pessoa inteira se
permanece em silêncio, porque há sempre aquele pedacinho
dentro de você que deseja ser verbalizado, e se você continua
ignorando-o, ele fica cada vez mais indignado, e se você não
falar, um dia ele simplesmente vai levantar e soqueá-la na boca,
vindo de dentro
”. (AUDRE LORDE, 1984).

 

Há temas e situações que desencadeiam dentro de nós tantos sentimentos que nos dificultam abordá-los. Mas, tanto na minha experiência clínica como neste espaço, houve uma sincronização que me despertou a escrever este post, escolhendo um foco que envolve o abuso sexual da criança e adolescente pouco explorado – o pacto de silêncio (segredo).

A violência sexual contra criança e adolescente é secular. No Brasil transformou-se em preocupação pública na década de 80. Muito se tem escrito e estudado sobre esta questão, mas poucos se detiveram sobre os segredos que envolvem as famílias em situações de abuso.

Entende-se como abuso sexual “uma série de práticas sexuais” onde há o desvirtuamento de alguns pressupostos necessários para sua ocorrência, tais como a falta de consentimento (que pode ser explícito, no caso de adultos – ou tácito, ou implícito, no caso de menores),  ou uso da violência (física ou moral).  Fonte

A ocorrência desse fenômeno se dá em todas as classes sociais e econômicas. Em relação ao gênero,  o abuso sexual atingi meninos e adolescentes do sexo masculino, mas o percentual maior é contra o sexo feminino.

Frequentemente, no abuso sexual da criança o agressor é um membro da família ou alguém em quem a criança confia.  O mais devastador é o incesto consumado por um pai (biológico ou adotivo).

Ele vem cercado pelo silêncio imposto por violência, ameaça ou mesmo uma relação sem palavra.  O segredo tem por função manter uma coesão familiar e proteger a família do julgamento de seu meio social.

A guarda de segredos envolve fidelidades familiares. Para Imber-Black, 1994 “segredos são fenômenos sistêmicos. Eles estão ligados ao relacionamento, moldam as díades, formam triângulos, alianças encobertas, divisões, rompimentos, definem limites de quem está ‘dentro’ e de quem está ‘fora’ e calibram a intimidade e os distanciamentos nos relacionamentos”.

Karpel (apud Imber-Black, 1994) descreve três níveis de segredos.” O primeiro, ele chama de individual, onde uma pessoa da família conhece um segredo e o mantém para si mesmo. Um outro nível é o interno, no qual algumas pessoas da família compartilham o segredo e o mantém de outros. O terceiro nível é formado de segredos familiares compartilhados, onde toda a família sabe algo, mas não deseja compartilhar com o mundo externo.”.

A força do segredo, segundo alguns autores, ocasiona a não revelação do abuso, envolvendo a pessoa que abusa,  a criança vítima, a mãe e os profissionais.

O abusador é motivado a se calar temeroso das ameaças objetivas de punição, sanções legais e sociais; a criança por motivos como não ter sido acreditada, por temer as conseqüências de uma revelação, pelas ameaças introjetadas entre outros; a mãe porque teme perder o parceiro, teme rupturas familiares, por ser questionada em seu papel maternal na manutenção do abuso e por considerar a ação dos serviços de proteção como mais danosos do que positivos para ela e a família.

Do ponto de vista terapêutico… “a necessidade de atravessar, passo a passo, a seqüência de eventos, de modo a compreender e relacionar emoções específicas a cognições específicas na seqüência do abuso constitui um elemento terapêutico central, quando lidamos com o abuso sexual da criança.” (FURNISS, 1993).

O rompimento do pacto de silêncio do abuso sexual é o primeiro e decisivo passo para o enfrentamento da questão. No entanto, é um dos maiores desafios para as vítimas.

Considerando Roberts (in Imber-Black1994) são cinco os efeitos principais na guarda de segredos localizados nas famílias:
 
1. Distorções perceptivas e comunicacionais.
2.Estabelecimento de pseudovínculos e distanciamentos negativos.
3. Ocorrência de processos familiares patológicos.
4. Esgotamento de recursos familiares.
5. Manutenção de ansiedades.

Os segredos devem ser identificados e analisados através da herança de padrões de gerações anteriores. Isto possibilita a construção de um novo modelo familiar.

A terapia auxilia a criança e a família a lidarem com suas emoções, cria ambiente favorável ao resgate da autoestima, da reconstrução de relações e vínculos afetivos, bem como propicia a emergência de significados ocultos ou inconscientes.

A aliança terapêutica e fundamental para desenvolver o relacionamento saudável terapeuta-paciente bem como a obtenção de sucesso no tratamento.

Referências bibliográdicas

FURNISS, Tillmann. Abuso sexual da criança. Trad. Maria Adriana Veríssimo
Veronese. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

IMBER-BLACK, Evan et all. Os segredos na família e na terapia familiar. Trad. Dayse Batista. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

Norma Emiliano

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Terapia de Família?

 

REEDIÇÃO

terapia

Google Imagem

 Ontem, hoje e amanhã constituem uma trajetória.

 

Quantas vezes ouvimos pessoas desesperançadas e infelizes por se depararem freqüentemente com situações repetitivas em suas vidas e, com certa constância, culpando a terceiros pelo que lhes acontece. Quando o ser humano se indaga quais são as suas atitudes que podem estar favorecendo a uma seqüência de acontecimentos desagradáveis?

O homem ao nascer entra numa história construída por seus antepassados e recebe uma bagagem composta de valores, expectativas, comportamentos. Assim, no decorrer do seu desenvolvimento no contexto familiar aprende a se relacionar através das interações constantes com os diversos membros. Este aprendizado se converte em marcas que se levam para todas as diversas áreas: amizade, profissional, amor, entre outras.

Essas marcas trazidas da família não são percebidas e as pessoas vão lidando em seus diversos relacionamentos repetindo os padrões relacionais originais, atraindo para si sempre os mesmos resultados, muitos deles insatisfatórios. Por outro lado, os passos normais da vida na família (infância, adolescência, vida adulta) somados às dificuldades ocasionais como: desemprego, acidentes, morte,  podem ocasionar o surgimento de problemas, na medida em que vão exigir mudanças nas relações e nos hábitos.

Quando surge uma crise a família paralisa e o sintoma em um dos membros (distúrbio de aprendizagem, distúrbio alimentar, depressão, agressividade, drogadição ) pode denunciar a disfunção familiar. Este é um momento que significa risco, mas ao mesmo tempo a possibilidade de crescimento e mudanças. Neste sentido a Terapia de Família, através da intervenção junto ao indivíduo, casal e/ou família analisa os padrões de interações familiares, identifica o problema, como ele está sendo mantido e como poderá ser alterado, possibilitando que cada pessoa se torne mais centrada e menos repetidora dos seus padrões relacionais. Conhecer a si mesmo  possibilita lidar melhor com as pessoas e os obstáculos do viver.

Podemos criar nossa própria história e não sermos apenas mero repetidores dos scripts familiares.

Norma

Se ficou com alguma dúvida sobre esta forma de tratamento terapêutico deixe aqui  registado nos comentários.

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Você pergunta (8)

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta, mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que se interessarem em ler.

Tenho um filho de 34 anos que não quer nada, nada de viver por suas próprias pernas. Quer continuar morando com os pais, descolando uns trocados através de pequenos serviços para gastar nas baladas e é só. Na idade dele eu já era pai dele e trabalhava duro, agora estou com 60 e acho que está na hora de eu procurar poupar recursos para a próxima fase de vida minha e de minha mulher. Não sei o que fazer, os outros caminham cada vez melhor, este nunca quis responsabilidade. Eu não tenho coragem de expulsar o filho, minha mulher é muito mais mole que eu e está aflita também com essa incoerência.
O que fazer?

A  resposta a esta questão não foi contextualizada,  portanto  vou abordar a questão baseada em minha experiência prática e na teoria sistêmica.

A  dependência reciproca  entre pais e fihos  irá manifestar-se como um foco em um dos filhos.” Haley

Congelamento familiar

Temos constatado um fenômeno crescente na sociedade atual que esta sendo denominado de “adolescência estendida” caracterizada  pela negação do jovem assumir responsabilidades e ser independência de sua  família.  É um momento que está além do desenvolvimento de maturação orgânica  do ser humano.

Na clínica observa-se a entrada antecipada da adolescência e em contrapartida a saída demorada.  O indivíduo nega a fase adulta e não assume suas responsabilidades diante da vida, mantendo-se  na dependência dos pais e emocionalmente impossibilitados de autorrealização.

Hoje crianças de 8 ou 9 anos se portam como mini adultos induzidos pela mídia na vestimenta e pela pressão familiar ao assumirem várias atividades direcionadas ao preparo para o futuro mercado de trabalho.  “As brincadeiras, atividades essenciais ao desenvolvimento do indivíduo, não têm mais espaço.” Assim quebra-se um elo.

Outro fator significativo e a forma como os pais tentam proteger seus filhos de frustrações, de enfrentar dificuldades e arcar com a responsabilidade dos seus atos gerando falta de autoconfiança do adolescente, bem como de valorizar o que faz tendo como consequência o medo do futuro. Desta forma, estende-se  o período da adolescência,  evitando a responsabilidade inerente de ser adulto arriscando-se por sua própria conta.

Na família os eventos não são isolados e a situação possui uma função dentro deste contexto.  Os pais desejam que seus filhos cresçam sejam independentes, mas, paradoxalmente, têm grande dificuldade de abrir mão desta condição de cuidar dos filhos. Assim sendo, enquanto o filho continua dependente congela também os papéis de pai e mãe. Cria-se uma armadilha, pois a incapacidade construída do jovem ajuda os pais a não enfrentarem a fase do ciclo da vida familiar, que é a saída dos filhos de casa (ninho vazio), o reencontro do casal sozinho e a sua preparação para a velhice.

Cabe, portanto, rever atitudes de mantêm a situação, pois como observamos trata-se de uma trama familiar em que cada um dos membros tem sua cota de responsabilidade. Sugestões: em relação ao jovem citado não solicitar dinheiro aos pais, arcar com suas despesas pessoais, inclusive cursos e contribuir com a renda familiar. O casal ficar mais próximo realizando atividades conjuntas; cada um investir mais em si mesmo.

Em alguns caso, a intervenção profissional na família se faz necessária para que ocorra a novas consexões e o jovem possa seguir adiante.

Norma

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Desamparo e amor

 

O homem é o lobo do homem”, Freud  1930.

 

Muito se comenta sobre o  excessivo individualismo reinante em nossos dias. Nas conversas informais confirmam-se as queixas sobre a maneira como as pessoas compartilham os espaços coletivos. Há um descaso pelo outro. É  freqüente  entre pedestres ou motoristas urbanos exemplos gritantes: pedestres andando em dupla ou em trio com carrinhos de crianças ou cachorros fazendo uma muralha nas calçadas, não se incomodando com quem vem a frente ou atrás. Os motoristas fecham cruzamentos, sem se importarem com aqueles que  precisam atravessá-los. Não há o mínimo interesse pelos outros e a solidariedade é substituída pelas competições cada vez mais estimuladas na sociedade.  Há a exigência social do indivíduo responsável (a conquista do emprego ou mesmo de um relacionamento pautada na ação individual), o que deixa as pessoas com seus próprios recursos. Assim, esse modo de “cada um por si” gera em contrapartida sentimento de desamparo.

Por outro lado, o modo individualista de existir sem amarras e à deriva (sem referências) acarreta insegurança ou instabilidade pessoal que somada às constantes frustrações geram dores psíquicas, entre elas o pânico e a depressão.

Na clínica, a angústia revela, algumas vezes, a situação de desamparo pela perda do amor e nesse está incluso o de si próprio e o do outro. Desta forma, abordar sobre o individualismo é caminhar por esferas de sentimentos que permeiam as relações desde a esfera privada à publica e que constroem mal-estar e consequentemente adoecimentos.

As influências são recíprocas (sociedade e indivíduos) e os sintomas nos alertam que o circulo vicioso necessita ser interrompido para darmos chance a novos ares. Nessa retomada urge um olhar cuidadoso sobre o si mesmo numa perspectiva mais humana e menos mercantilizada ( marca de roupa, carro x, etc.).  Assim sendo, quem sabe o amor (rearfirmado e cuidado)   possa ser a mola mestre que nos ajude a trilhar caminhos menos desumanos e que o outro possa ser reconhecido como o si próprio, pois como diz John Powell,  “Na verdade, as coisas que mais me diferenciam e me individualizam em relação aos outros, o que torna a comunicação de minha pessoa um conhecimento único, são meus sentimentos ou emoções»,

 

 Referências bibliográficas

BAUMAN, Z. (1997). O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

JOHN POWELL, S. J. Por que Tenho Medo…  Editora Crescer, B. Horizonte, 1987. Tradução de Clara Feldman de Miranda

        Norma

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Sexo e família

 

 

“… vosso corpo é a harpa de vossa alma e a vós pertence extrair dela doce música ou sons confusos.” Kalil Gibran

 

Os tempos mudaram, a liberdade sexual cresce, mas o assunto sexo ainda é tabu para muitas famílias. Por quê?

O assunto sexo não é isento de valores e uma grande parte dos pais encontra-se com muitas dúvidas de como agir em relação à sexualidade dos filhos, pois vem de uma geração muito repressiva.  Antes os valores eram absolutos. Não havia muita dificuldade sobre o certo e o errado, o que devia ser permitido ou negado. As rápidas mudanças nos valores sexuais trazem medo, inseguranças e angustia aos pais.

Freqüentemente, os pais sentem-se desconfortáveis e encabulados com as demandas de seus filhos nesta área, mas a educação sexual faz parte da educação pura e simples e, deste modo, tem a finalidade de permitir ao indivíduo seu pleno desenvolvimento na promoção dos valores. Os pais são modelos dos filhos. Eles ensinam muito mais através de suas ações do que pela linguagem verbal. Assim, o lidar com seus próprios questionamentos em relação à sexualidade, o expressar através de gestos, de afeto e da aceitação mútua, o criar um ambiente de confiança, respeito e abertura formam campo fértil para os pais lidarem com a sexualidade de seus filhos.

 A experiência com a liberdade começa quando os pais encaminham os filhos à auto-responsabilidade, e isto se faz cedo, o que significa a criança aprender a comportar-se por si e a fazer o certo por si.

É comum o questionamento dos pais sobre a prática do sexo entre os adolescentes no espaço familiar. Alguns, na indecisão, passam por cima de seus valores pessoais favorecendo aos filhos. Entretanto, considerar isso faz parte da aprendizagem do respeito a si próprio e do respeito pelo outro, o que perpassa todo comportamento humano e, portanto, também em relação à prática sexual.

Por outro lado, o assunto também exige comunicação entre os pais e os filhos. As conversas precisam acontecer. Os filhos precisam de uma opinião clara dos pais no sentido de guiá-los em seu processo interno para decidirem. É importante os pais expressarem seus limites, valores e as preocupações, pois mesmo que não aprovem as relações sexuais de seus jovens filhos, estarão demonstrando que se preocupam com o seu bem-estar.

Na atualidade, o sexo adolescente é problemático, tendo em vista que seu  corpo está capaz, os apelos sexuais são muitos bem como as facilidades. Entretanto, poucos estão preparados para as conseqüências dos seus atos. Além disto, temos um agravante que são os meios de comunicação, que banalizam situações, passando uma simplificação que não corresponde à complexidade do ser humano. 

Hoje, há um grande incentivo à educação sexual nas escolas, seja pública ou privada, tendo em vista a Aids. Todavia, os pais têm papéis preponderantes com suas atitudes. Só as informações sobre os aspectos da anatomia e fisiológica da sexualidade e reprodução não é o suficiente, É necessário também conversas sobre os mecanismos emocionais que envolvem a pratica sexual.  Portanto, para se devolver nos filhos uma atitude positiva sobre o sexo, esse deve ser tratado na família de forma digna e sem preconceitos. Enfim, de forma sadia.

Norma Emiliano

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Em tempo de espera

 

A reação à notícia de uma doença grave ou fatal varia de uma pessoa para outras.  

Há vários filmes, entre eles, Antes de partir, no qual presenciamos os personagens lançarem-se a realizar tudo que queriam e ainda tinham feito, numa entrega total à sede de experienciar a vida. Como no filme, isto também acontece na realidade.

No entanto, há pessoas que tendem ao pessimismo, desespero e revolta. Há outras que fazem uma conexão profunda com sua vida interior e passam por transformações pessoais e relacionais, como observada no filme Quando você viu seu pai pela última vez? Neste, um filho passa a ter um novo olhar sobre seu pai doente, reconciliando-se com o passado em que  via o pai como uma pessoa superior e que o humilhava.

 Há, ainda, outras, em que o laço emocional entre os membros familiares é tão forte, que todos acabam se autodestruindo.  No filme Uma prova de amor, o desejo de salvar um membro da família apresenta a  vida de uma jovem numa total impossibilidade de viver a sua própria vida, por ter nascido para salvar a vida de sua irmã.

Muitos estudos já têm sido realizados no sentido de avaliar o quanto a  forma do paciente e da família (efeitos psicológicos) de lidarem com a doença influencia o tratamento e a qualidade de vida dos indivíduos.

É importante para os agentes de saúde compreenderem como a doença possui um sentido na história de um indivíduo e como a forma de adoecer sofre a influência das crenças e representações sobre saúde / doença.  

Em entrevistas realizadas por Marília Gabriela (2011), a Dra. Nise Yamagushi, médica oncologista, afirma que a “felicidade favorece a cura”, o seguir sua vida, buscar sua satisfação pessoal, a liberdade do poder ir promovem o bem estar (serotomina/imunidade). De outra forma, como sobrevivente do câncer, Hebe diz que “ainda rir de sua careca” quando teve que se submeter ao tratamento e Ana Maria Braga, também recuperada do câncer, revela que “sempre tive pensamento positivo e sou otimista por natureza:você acredita, vai, faz e realiza, é uma coisa meio viciosa”“.

Ghislaine Lanctot, ex-médica e autora de “A Máfia Médica”, entrevistada por Victor-M (La Vanguardia em 27/11/2002), afirma que “a doença é um presente que você faz para se encontrar consigo mesmo“. 

Não se adoece por compartimentos. Somos uma unidade corpo-mente. Corpo afeta a mente e vice-versa. Portanto, tudo indica que o tratamento faz parte de um processo pessoal com o cultivo de sentimentos de esperança, compaixão e de boas ações para si e para o próximo.

Norma Emiliano

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