Archive for category Terapia de Família

Vale a pena rever

Estou reeditanddo este texto publicado em 2009 por considerar sua importância na proposta deste espaço.

Terapia Individual Sistêmica

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O indivíduo sente que está mal e não consegue entender nem superar o estado de paralisação em que se encontra. Percebe que precisa de ajuda, há o desejo de conhecer mais profundamente seus conflitos e caminhar em direção à “felicidade”.

Cada pessoa é única no que diz respeito ao seu temperamento, composição genética, percepções e necessidades. Contudo, a formação da identidade se processa através das interações familiares contínuas. Assim, o sentido que cada pessoa  atribui  à  vida, à  família, aos  relacionamentos, às  suas  expectativas, bem  como  à  sua auto-estima  estão relacionados à sua família.  O ser humano nem sempre tem consciência disto.

A Terapia Sistêmica em sua origem dirigia-se exclusivamente ao atendimento de famílias. Ao longo do tempo, com desenvolvimento teórico, técnico e clínico, a abordagem sistêmica foi se reestruturando para atender clinicamente o sistema individual.

No atendimento individual, as  histórias  familiares  fornecem o nexo dos  fenômenos e constituem  os  recursos terapêuticos. “O espelho familiar vai circulando através das diferentes gerações de uma família, constituindo-se em elo entre passado e futuro.” (Gomel).  Desta forma, parte-se de algo que é “interno” para o indivíduo e o relaciona com algo que acontece entre as pessoas. “Forças  transgeracionais  exercem uma influência crítica  sobre  as  relações intimas atuais.” (Framo).  Consideram-se todas as informações levando-se em conta três gerações da família.

O foco da terapia é favorecer o auto conhecimento e possibilitar a descoberta de saídas para o impasse em que o indivíduo se encontra (processo de autonomia e mudanças de pautas disfuncionais).

A reconstrução das histórias, a analise e definição dos padrões relacionais repetitivos, possibilitam uma visão mais ampla  do  problema  podendo  trazer à consciência fatores  que  permitam  a  elaboração  de  conflitos, perdão, resignificação de atitudes, etc.

São fundamentais o desejo de mudança e a disponibilidade  do  indivíduo, assim como, que  o  vínculo  terapêutico favoreça o processo de mudança e ajude-o a se “diferenciar”, ou seja: ter capacidade de manter separados os sistemas emocionais dos intelectuais, usar mais a razão do que os sentimentos.

As intervenções consideram as  relações  entre o indivíduo  e  os outros  e  dele consigo mesmo.  Trabalha-se com a identidade pessoal e a identidade familiar nas vertentes do pertencer e do diferenciar-se, ajudando o indivíduo a sair da massa indiferenciada da família e a poder construir seu caminho, reconhecendo outras possibilidades.

A separação  da  família  de origem  é  um  processo  gradativo  e  que  não  se  esgota.  A Terapia individual sistêmica, agregando ou não, os diversos membros familiares, é indicada quando é o indivíduo busca a terapia com objetivo de desenvolver consciência do seu padrão de funcionamento e deseja adquirir  aprendizagens  que  são necessárias no momento, ou de realizar as mudanças que se fizerem necessárias.

Norma Emiliano

Referência bibliográfica

Framo J.L.(2002). Uma abordagem transgeracional à terapia de casal, à terapia de família famíliar e a terapia individidual. In M. Andolfi (org.)


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Na roda da família

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A família chega ao consultório com a queixa da agressividade do filho e do mal estar que este sintoma vem criando no contexto familiar e afirma que se não fosse por este comportamento recente, tão estranho, todos seriam felizes.

Ao ampliarmos a visão sobre as queixas familiares, constatamos que o cotidiano, com suas rotinas, hábitos, padrões relacionais constantes, leva as pessoas a ficarem cegas aos seus sentimentos e a não perceberem o desconforto que, pouco a pouco, mina as atitudes e acaba explodindo numa reação mais extrema em um dos membros (“bode expiatório”). Com freqüência são os filhos, que, como esponja, acabam absorvendo e denunciando através de sintomas, o clima que circula na família e nos proporciona a porta de entrada para avaliarmos o ciclo repetitivo que está paralisando a família e a possibilidade do tratamento familiar.

Pode parecer absurdo àqueles que buscam ajuda para lidar com questões de seus filhos que o foco terapêutico se desloque para a relação do casal e/ou para os relacionamentos dos pais com seus próprios pais.

Se pensarmos que todo ser humano traz em sua história de vida as influências, não só do aqui e agora, mas também das gerações passadas, podemos analisar as questões individuais através das suas interações e das suas histórias. O que nos abre um leque recursos para tratarmos a queixa apresentada.

Cada família traz na sua história, uma realidade bem peculiar.  Os mitos e lemas familiares, em determinados momentos, limitam o olhar sobre a realidade. Desta forma, a viagem que realizamos através das informações de cada membro vai enriquecendo o espaço terapêutico e ajudando a redistribuição da questão entre os diversos membros, fazendo rodar o “bode expiatório”, ou seja, cada um vê a sua parte, não ficando o problema em cima de um somente.

Assim, para um resultado satisfatório desta modalidade de atendimento, é vital que o paradigma seja compreendido e aceito pelos membros envolvidos. É necessário que o espaço terapêutico seja uma possibilidade da família vislumbrar formas mais saudáveis de interagir, esforçando- se para mudar o padrão disfuncional e atingir uma outra forma de se relacionar.

Norma Emiliano

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Fotos e histórias

Quando, por algum motivo, me deparo com uma foto de pessoas desconhecidas, observo suas expressões, o lugar onde se encontram,  logo em seguida vem  a  indagação:  quais seriam suas histórias?  Quais os significados, sentimentos e emoções desses momentos refletidos nas fotos?

Cada pessoa tem sua história que não é puramente individual,  pois nossas vivências se entrelaçam nas trajetórias de outras pessoas.

O falar ou  o contar as histórias propicia a retomada  dos caminhos percorridos, a consciência de si mesmo e a representação de uma época.   Assim,  interesso-me por conhecer trajetórias de vida.

Por outro lado, na terapia de família,  a história é o ponto de partida para análise das questões e fotos podem ser importantes instrumentos para algumas etapas do processo .

O entrelaçamento de fotos e narrativas de vida constituem memórias. Hoje, conforme observa alguns estudiosos as narrações contribuem para que as gerações futuras compreendam e interpretem as atuais tensões e contradições que perpassam nossa sociedade. Também, o  retorno ao biográfico indica uma mudança no campo geral da investigação e da reflexão contemporânea nas ciências humanas.

Veja abaixo o vídeo produzido pela Olympus  que  conta a história de uma pessoa por meio de  fotos. Um trabalho  maravilhoso.

Já pensou em quais fotos escolheria para contar sua história?

Gostaria de compartilhá -las?

Quem sabe pode nasçer aqui  um novo projeto – Linha da vida.


Norma

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Notícias do Simpósio

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De 20/10 a 22/10/2011, participei do XI Simpósio de Terapia de Familiar Sistêmica do  RJ / VIII Simpósio Internacional de Terapia Familiar Sistêmica, realizado pela Núcleo Pesquisas R.J.

O evento contou com a participação de dois  palestrantes americanos,  Monica McGoldrick e Ken Hardy, que ministraram o  curso A importância da cultura, raça e gênero na terapia familiar. Assim,  a programação foi composto pelo Curso, Oficinas, Temas livres, Videos e Discussão de casos.

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Em minha apresentação, em tema livre  – Casal en dois tempos –  a proposta foi um convite à  reflexão  sobre o fenômeno observado, através dos atendimentos de casais, ou seja, que  a parceria parental  e a família ainda continuam sendo o foco maior das mulheres e que os homens, apesar de terem alterado sua visão sobre o papel da mulher, entram no jogo com cartas mantenedoras  e a situação se cronifica,  frequentemente, constituindo-se em crises conjugais. Está foi uma apresentação em conjunto com Vera Risi, tendo em vista que fazemos parceria em cooterapia nos atendimentos de casais e famílias.

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Tive a  oportunidade de conhecer a blogueira Carolina,  psicóloga do blog cafecomcanela, que fez uma interessante apresentação sobre o tema O genograma do expatriado.

Norma Emiliano

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Você pergunta

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta,  mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que poderão se interessar e ler .

Como ajudar a uma sobrinha adolescente que está em um dilema sofrido acerca de sua sexualidade?  Ela não conta com o apoio dos pais que são  muito voltados para si mesmos e muito ausentes e foi criada pela avó, hoje sem condições de cuidá-la. Tenho medo  que ela venha a ter comprometida sua maturidade emocional e daqui a uns anos sair por ai desorientada e abalada.

A adolescência é um momento de conflitos e a sexualidade é um deles. Para os pais ainda é muito dificil aceitar a homossexualidade dos filhos  e para alguém com características rígidas é muito pior.

Seu dilema de querer ajudar e não saber como  agrava-se  pelo fato dela morar com os pais  e  estes não terem  estrutura para dar suporte à filha. Por outro lado, o  fato de sua sobrinha  não consequir falar sobre o assunto  dificulta o diálogo e o suporte que você pretende lhe dar.

Você precisará abrir um canal de comunicação sem invadir, mostrar interesse por ela, orientar à leitura e à  assistir filmes sobre a temática, bem como orientar sobre os cuidados necessários,  pois se ela tiver relações sexuais vai precisar se auto proteger como todos que a iniciam. O adolescente precisa saber que tem um porto seguro ( certeza do amor) para seus confrontos pessoais.

Ser homosexual não é uma doença física ou psíquica.

A adolescência é uma etapa crucial na formação da identidade e a sexualidade é um dos importantes aspectos desta identidade. É um período que envolve vários conflitos.

Estudiosos,  desta área, relatam que a aparente falta de interesse pelo sexo oposto  não é, necessáriamente, um sinal de homossexualidade e que muitos adolescentes experimentam o contato sexual com uma pessoa do mesmo sexo, sem que isso implique uma orientação pelo homoerotismo. Não há um sinal que identifique a orientação sexual dos indivíduos.

De acordo com pesquisador Dr. Alfred Kinsey, “há diversos graus de aspectos homossexuais na maioria dos seres humanos, isto é, homo e hetero não são categorias separadas.” Todas as pessoas nascem com um corpo masculino ou feminino (machos e fêmeas), mas a identidade sexual é algo construido que depende de vários fatores.

O reconhecimento da homosexualidade é diferente de indivíduo para indivíduo. Alguns podem saber cedo, outros não reconhecerão sua sexualidade até a vida adulta. Há casos de pessoas que casam, têm filho e só depois conseguem se definir.

A percepção de aspectos homo em si mesmo e reconhecê – los plenamente são situações diferentes. A tomada da consciência da sua homossexualidade não é um processo  simples e sua complexidade é agravada pela   dificuldade que todos os adolescentes têm de entender e expressar claramente seus sentimentos.

A aceitação da família é fundamental,  todo indivíduo precisa se sentir amado, aceito, apoiado e acompanhado, para que não perder suas referências identitárias. A  manutenção do segredo pode atrapalhar severamente o desenvolvimento da identidade e abalar a autoestima. Não há terapia capaz de reverter a opção sexual.

Norma

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Sexualidade infantil

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A sexualidade é um tema cercado de preconceitos.


Vivemos numa época de muitas informações, a sexualidade está cada vez mais presente nos meios de comunicação, principalmente na televisão, gerando curiosidade da criança em relação à sexualidade.

Paradoxalmente os pais se percebem inseguros na forma de lidar com as primeiras manifestações da sexualidade da criança. Tais manifestações geram angústia e ansiedade nos pais ao se perguntarem o que fazer, como fazer?

Muitos buscam uma receita, respostas, na tentativa de baixar a ansiedade diante deste momento, outros, inconscientemente, alienam-se para não ter que enfrentar o assunto. Alguns se dispõem a pensar sobre o assunto, repensar valores e refletir sobre os seus objetivos enquanto educadores. Contudo, a grande dificuldade está nos conflitos destes pais com sua própria sexualidade.

Como foram introduzidos na sexualidade? Como tiveram seus questionamentos atendidos?  Suas atitudes foram acolhidas ou rejeitadas pelos pais? Como se percebem como seres sexuados? Essas e muitas outras questões permeiam os pensamentos paternos no momento de lidar com seus filhos.

Neste sentido, o primeiro passo de uma boa educação sexual consiste na plena aceitação da condição sexual da criança.

A forma como o bebê é cuidado, o banho, a amamentação, a troca de carinho e de olhar estabelecem as primeiras sensações que servirão de base para edificar os vínculos amorosos e o despertar do desejo de aprendizado.

A descoberta do próprio corpo pelos órgãos dos sentidos ocorre durante o primeiro ano de vida. A criança olhando e brincando com as próprias mãos. As brincadeiras, os jogos sexuais e curiosidades são indispensáveis à formação do eu sexual.

No decorrer do segundo ano, as crianças se interessam em descobrir por onde saem as fezes e o xixi e assim descobrindo   as sensações agradáveis do toque nos órgãos genitais.

Na fase dos quatro anos, surgem as brincadeiras onde as crianças podem ter um contato mais direto com a diferença dos sexos, como por exemplo, brincadeiras de casinha, de médico, etc. Neste tipo de brincadeira estão satisfazendo uma curiosidade infantil e não há erotização nesse contato. Assim sendo, os pais não devem repreender, mas desviar a curiosidade da criança para outros estímulos.

Com seis anos, as crianças passam a buscar as razões, os porquês por trás de um problema ou de um fato.  Nesse momento, a curiosidade de saber como elas vieram ao mundo e a diferença entre meninos e meninas começam a ser despertadas. As perguntas surgem e a melhor maneira do adulto receber e responder a esses questionamentos é com clareza e simplicidade.

A conversa aberta, espontânea e verdadeira dos pais com os filhos e suas explicações sobre sexo contribuem para a intimidade, confiança, afetividade e criará um ambiente mais seguro para  a criança.

Norma Emiliano

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Você pergunta 12

Eu respondo

Este post faz parte de um projeto, assim sendo dirijo-me a pessoa responsável pela pergunta,  mas de forma a trazer reflexão para outras pessoas que poderão se interessar e ler .

Tenho uma filha de 22 anos, adotada com nove dias, desenvolveu-se feliz,  mas ficou obesa e fez cirurgia de redução de estômago. Por outro lado, teve dificuldades na aprendizagem, sendo constatado  problema orgânico que foi tratado. Hoje, naõ consegue  terminar as atividades iniciadas, ficar longe da família para estudar e ficar sem um relacionamento. O que faço, pois com tudo isto cobramos e a vigiamos muito?

Cada pessoa é única em suas vivências, sentimentos e percepções. Assim sendo, as respostas fornecidas a cada questão são contextualizadas, não se aplicando necessariamente a todos  os casos.

De uma forma muito geral,  parece-me necessário rever o problema do processamento  das informacões pelo cérebro,  pois quando uma pessoa tem uma dificuldade acaba se desmotivando do estudo, não se concentrando  e pode também prejudicar a autoestima.

Por outro lado, não é comum na idade da sua filha que ela chore por ficar longe da família, há uma dependência emocional excessiva.

As alternâncias de escolha na área profissional (faculdade) deve estar tendo interferência da própria dificuldade orgânica,  mas a parte emocional também  pode estar colaborando.

Pode parecer que ser adotada não faz diferença para ela, mas a relaçao dela de apego  com você, o medo de ficar só,  o ciúme dos irmãos e de  ela não abrir mão do aconchego familiar para um relacionamento pessoal,  são dados que  indicam a necessidade de  minuciosa analise por um profissional.

Cabe neste contexto a terapia de família, pois assim você também seria ajudada para deixá-la caminhar sem tanto apego e os irmãos poderiam criar uma rede de irmandande mais forte.

O relacionamento entre irmãos é um excelente treinamento para vida,  por ser entre iguais, o que difere dos pais que tem uma hierarquia

Na adoção há um cruzamentos de histórias que, muitas vezes, precisam ser desvelados.

Norma

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Irmãos, guardiãs do passado.

 

 

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A palavra irmão, de origem latina!”germanus” (dicionário da língua portuguesa, 2004), aqui se refere aquele com quem se tem laços de consaguinidade.

A família é composta por um casal e oito filhos, sendo seis mulheres e dois homens. A diferença entre a primeira filha e a última é de 13 anos. A primogênita passou a dividir com  a  mãe, aos sete anos, os cuidados dos irmãos. Na passagem do tempo, as mulheres se aliançaram, mas os dois homens, pela diferença de idade de 10 anos não tinham afinidades e se mantinham distantes. O menino mais moço fora muito “paparicado” pela irmã mais velha e pela mãe e o outro se sentira um “estranho no ninho”.

Quando adultos era visível a forma como cada um deles sofreu a influência desta dinâmica familiar. Num pequeno recorte, a filha primogênita tornou-se a cuidadora dos pais, o homem mais novo tornou-se dependente e não conseguia se estabelecer financeiramente. O mais velho saiu de casa cedo e foi para o exterior, onde se estabeleceu profissionalmente e se casou.

O nascimento dos filhos inaugura a família e os pais aprendem a viver esse novo papel.  O primogênito abre o caminho para os demais irmãos e cria um novo jogo nas relações familiares. Cada entrada de um novo membro exige um reequilíbrio da família.

 As primeiras experiências entre irmãos moldam o modo de agir, de pensar e de ser do indivíduo. Cada uma das posições fraternais define traços da personalidade (Alfred Adler- 1870/1937).  Para esse autor, é na relação familiar, principalmente, com os irmãos que se começa a desenvolver o sentimento de comunidade. Afirma ainda que a posição na fratria (primogênito, segundo, caçula, do meio, único) é a base da modelação do caráter individual.

 Vários outros autores realizaram estudos que nos confirmam a importância das relações fraternas na aprendizagem, inclusive para a vida conjugal e profissional (M.Bowen, W. Toman, 1976).

 Mc Goldrick, R. Gerson (1990), assinalam o lugar funcional dentro da fratria, exemplos cuidador e  rebelde.  A função é parte dos jogos relacionais e, portanto também é interdependente das outras relações familiares. Assim sendo, o “lugar funcional” na fratria não vai ser necessariamente de acordo com a ordem do nascimento.

 Nas reuniões familiares, anualmente, todos se encontram, ao redor da primogênita, uma vez que os pais morreram.  As conversas versam sobre o tempo da meninice, dos entornos  daquela época, num desejo de parar o tempo,  congelando as imagens que lhes remetem à pertença.

 Referências bibliográficas 

Adler, A. (1984). Conocimiento del hombre (7a. ed.). Madrid: Editorial Espasa-Calpe. (Originalmente publicado em1926).

 Bowen M. Um conceito de família de Esquizofrenia / / A etiologia da esquizofrenia / ed. by D.Jackson, 1960. por D. Jackson, 1960.

 Dicionário da língua portuguesa, 2004, Porto ed.

“Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,

o mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objetos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?”.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘Boitempo’

Norma  

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