Archive for category Poesia

Revelação

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Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.

Fernando Pessoa

Bom final de semana.

Norma

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A beleza

desconstruçãoPaulo Zerbato 2010

A vida nos ofereçe  um menu farto do belo que é experenciado de forma peculiar por cada pessoa.

Os livros nos possibilitam uma viagem no  tempo e, desta forma,  através dos escritores e poetas,  encontrei   inspirações sobre o  belo que   pode ser visto pelos olhos físicos e/ou pela alma.

Compartilho com você  fontes nas quais beleza se destaca.

A Beleza

De um sonho escultural tenho a beleza rara,
E o meu seio, — jardim onde cultivo a dor,
Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor,
Com a eterna mudez do marmor’ de Carrara

Sou esfinge subtil no Azul a dominar,
Da brancura do cisne e com a neve fria;
Detesto o movimento, e estremeço a harmonia;
Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.

O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas
Que pareço copiar das mais nobres estátuas,
Consome noite e dia em estudos ingentes..

Tenho, p’ra fascinar o meu dócil amante,
Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante
A própria imperfeição: — os meus olhos ardentes!

Charles Baudelaire

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“Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno”

William Shakespeare:  Soneto 17

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“Quando sei que não sei e aceito isso com prazer, abro meus sentidos para a vida e sou de novo um aprendiz – a postura de todos os seres vivos da natureza que ainda não foram calcificados pelo pensamento. É quando não sei que me deleito com a beleza do que não conheço.”

(Luiz Carlos Lisboa, “O som do silêncio”.

Percorrer estas veredas e  descobrir cada singularidade fazem do meu dia, aqui e lá, uma coleção do belo descortinado na descontrução de  verdades.

Bom final de semana.

Norma

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Desvelar

Nada sabemos da alma

Senão da nossa;

As dos outros são olhares,

São gestos, são palavras,

Com a suposição  de qualquer

semelhança no fundo.”

Fernando Pessoa

Na próxima segunda,  como me sinto amada (o). Nas revelações dos participantes caminharemos no desvelamento do amor.

Bom Final de semana

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Saudosamente

saudadeImagem google

Onde mora esta saudade?
No vivido? No desejo?
Estranho! estranho sentir
Da angustiante inexistência.

Que caminhos sãos estes?
Estreitas alamedas da vida.
Perante a ti!
insólitos momentos.

Nada a reviver
de encanto e de espetacular
do sentir teimoso do sonhador.
que no horizonte busca amar.

Amor do infinito estrelar
Brilha longe no desejo perto.
Luar de sombras refletidas
Perdidas, sem nunca
Se encontrarem.

Na noite replicam estrelas
No dia o sol reluzente
Na alma o desejo ardente
Teimoso, cadente
Na espreita do encontrar.

Norma Emiliano

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Em tempo de carnaval

Tenho boas lembranças dos carnavais da minha juventude. Amanhecer de alegria ao pensar na folia. Nos dias de carnaval, as fantasias tomavam conta da vida. Muitas cores, confetes  e sepentinas cruzavam as ruas e os clubes. Dos blocos aos grupos de folia, tudo em plena harmonia. Porém,  Carnaval é sinônimo de sonho (fantasia) e  amor passageiro trazidos  em versos pelos poetas.

Vamos a algumas dessas inspirações.

confetes-serpentinas

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“Carnaval “

Ela passou na minha vida vazia
de boêmio e sentimental,
como passa num ano de tristeza
o relâmpago de alegria
do carnaval…

Seus braços me envolveram como serpentinas
frágeis, de papel,
e se romperam como as serpentinas
que se arrebentam quando o vento sopra
e se soltam no céu….

Ela passou na minha vida, assim,
tal como passa na monotonia
de uma existência banal,
a furtiva beleza e a loucura de um dia
de carnaval !…

Nossa história, – o romance desse dia
sem ódio, sem despeito, sem rancor, sem ciúme,
nem podemos lembrar,

teve o destino irreal de toda fantasia
e a existência de um jato de lança-perfume
atravessando no ar…

O nome dela, não sei;
ela não sabe o meu, – que importa ? – não faz mal…
- Não fôssemos nós dois apenas fantasias
não fosse a nossa história apenas carnaval !…

J.G. de Araújo Jorge


mascaras-brilhantes-299x300Imagem Google

É Carnaval…



É carnaval!?
Caem as máscaras
Emergem os sonhos
Cessa a agonia…

Vejo pierrots e Colombinas…
Experimento a embriagues
Das utopias.

Encontro-me num mundo
De palhaços e Arlequins…
O céu tocou a terra
E os anjos fizeram-se arautos da
Sobriedade…

Caio por terra. Meus olhos turvam, meus
músculos retesam-se.
De repente, num lampejo de
Razão estou de volta
A realidade;
Esvaio-me em prantos e penso:

Ano que vem tem mais!

Fábio Guedes

Para você o que o carnaval inspira?

Norma

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Bem precioso

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No meu olhar

O meu íntimo

Nos meus olhos

tudo me penetra.


No olhar foco e abstraio.

No olhar somo e subtraio

Vou à percepção do “Belo”.


Olhar arisco, curioso e atento

E por momentos vago.

Vago pelos pensamentos

Quem o vê,  se confunde.


Confunde por não entender por onde paira

Confunde por ser mistério da alma

E da alma só entende quem a ela se conecta.

Norma

Bom final de semana

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Silêncio

escuta

Imagem google

“Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar.
A essas pessoas é fácil amar.
Elas estão cheias de vazio.
E é no vazio da distância que vive a saudade…”

Rubem Alves

Norma

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O amor acaba

só contigo

Imagem google

(…) às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”

Paulo Mendes Campo- Crônicas Líricas Existenciais.

Bom final de semana

Norma

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