Archive for category Poesia

O tempo

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O que fazer para ocupar o tempo?
Ocupar o tempo!
Não,  não se ocupa o tempo.
Vive – se o tempo, vive-se no tempo.

Cada um tem o seu tempo
Tempo para nascer, viver e morrer.
Como então desperdiçar esse tempo?

Tempo é vida.
Tempo é paixão
Ah! o tempo
VIDA E PAIXÃO

Norma Emiliano

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IndyBallet
9 de setembro de 2008

“O tempo é o melhor autor; sempre encontra um final perfeito”.
Charles Chaplin

BOM FINAL DE SEMANA

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Eros e psique- Fernando Pessoa

 

Bom dia,  caro leitor

Final de semana, pausa merecida, mas para este nosso encontro vem Fernando Pessoa  com sua poesia,  ilustrando  a travessia do conhecimento do si próprio, pois  o que procuramos está dentro de nós.

 

  Eros e Psique
deldebbio | 1 de maio de 2009

 
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

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“Fim da casa paterna” Carlos Drummond de Andrade

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Poema que revela os conflitos que atravessamos no processo de individualização.

 
“Vou dobrar-me à regra nova de viver.
Ser outro que não eu,
até agora musicalmente agasalhado
na voz de minha mãe, que cura doenças,
escorado no bronze de meu pai, que afasta os raios.

Ou vou ser menos, talvez isso,
apenas eu unicamente eu,
a revelar-me na sozinha aventura em terra estranha?

Agora me retalha o canivete desta descoberta:
eu não quero ser eu, prefiro continuar objeto de família”.

Drumond

Em Esquecer para lembrar (Boitempo III). R. de Janeiro: J. Olympio, 1979.

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“Não me peçam razões”

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Este espaço é um dos meios que utilizo para me comunicar. A comunicação causa impactos em nossas vidas e é no relacional que aprendemos e crescemos.
Nas observações, indagações e reflexões caminho em direção da construção de um mundo mais humano e acolhedor. Assim, trago, hoje, para você, através do romancista, poeta e dramaturgo e autodidata José Saramago, um poema  que expressa  crítica à desvalorização da essência da vida.
Bom final de semana.

Norma

 

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”

O Video  soma a sonoridade a beleza da letra.

 

LeoMOV
18 de janeiro de 2009

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O Ser Feliz

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Quem consegue realizar as metas de sua alma é feliz”  Roberto Shinyashiki

Casou-se muito jovem. Seu projeto maior era constituir uma grande família. Por trinta e dois anos, viveu com o sentimento de realização. Era feliz, tinha ao seu lado um marido atencioso e quatro filhos saudáveis e carinhosos.

Certa manhã, foi surpreendida pelo marido. Ele queria a separação. Atônita não conseguia entender o que lhe relatava. Só conseguia ouvir: você não merece que eu continue a lhe enganar.  Há anos seu marido tinha um outro relacionamento pelo qual, hoje, optara. Tinha consciência de que fora mãe dedicada, boa dona de casa, esposa e amiga.  Onde falhara?

Após várias conversas, ele se foi. Sentiu-se perdida. Os filhos casaram-se. De repente, viu-se sem as ocupações cotidianas, sem a companhia do homem a quem tanto se dedicara!  Assim, dia após dia, foi vendo seu corpo se transformar. A balança apontou-lhe trinta quilos a mais.

Não podia manter-se na inércia. Os amigos, todos em comum ao casal, já não lhe satisfaziam. Só lhe traziam recordações que desejava abandonar.  Agendou médico e terapia. Resolveu “dar a volta por cima”. Em quatro meses foi se reconhecendo, mas precisava conhecer pessoas, fazer novas amizades, construir um novo caminho.  Recomeçar.

Na dança de salão, conseguiu ir tecendo os seus fios. Cercada de pessoas de várias idades, foi recuperando a alegria de viver. Iniciou, também, curso de línguas. Contudo, sentia falta de uma companhia mais próxima, do afeto. Percebeu que tinha de virar uma outra página: a esperança do marido voltar. Queria encontrar novo parceiro.

Em um dos bailinhos, encontrou seu novo parceiro. A partir daí, sempre juntos, freqüentaram os salões de dança e foram se apoiando mutuamente.

Na passagem do tempo, algumas restrições surgiram.  Ao completar sessenta anos, mesmo após internação de quinze dias, quis fazer uma festa em sua homenagem.

Tudo foi detalhadamente programado. Reconectou-se com os amigos e contratou um DJ. Não queria deixar de usufruir tudo o que sentia ter direito. As dores da artrose, que não a largavam, não a impediriam de bailar. Sete meses sem ter podido quase caminhar. Sentia-se inchada, não estava tão bonita, mas nada disto seria obstáculo.

Em sua festa, muito alegre a todos recebeu. Cercada pelos filhos, netos, amigo e do atual parceiro, fazia uma grande celebração à vida. Quis de tudo usufruir. Culminou com a valsa a sua confirmação e demonstração do que é ser feliz

Norma Emiliano

 

No video abaixo, na poesia de Fernando Pessoa mais um olhar sobre ser feliz .

 


LethiciaLorena
17 de maio de 2008

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O outro Carnaval- Carlos D. de Andrade

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Fantasia
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?

 Carlos Drummond de Andrade

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Bom final de semana

No calor desses nossos dias, ofereço a você o frescor em  forma de imagem e de poema.

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4º Motivo Da Rosa (Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim

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Poema à boca fechada- José Saramago

Osvaldobarretofilho
27 de maio de 2008

José de Sousa Saramago (1922) é um escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português galardoado com o Nobel da Literatura em 1988.

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Sobre o amor- Kallil Gibram

Amor

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‘Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como
o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim
ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para
vosso crescimento, trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia
vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no
seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós para que
conheçais os segredos de vossos corações e, com esse
conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a
paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
e abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas
não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as
vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe
senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.

Pois o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: ‘Deus está no
meu coração’, mas que diga antes: ‘Eu estou no coração de Deus.’
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor
pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio
o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir
a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam
estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o
êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o
bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança”.

Kallil Gibram- Poeta libanês, artista e filósofo.(1883-1931)

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Relação Terapêutica

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Na intenção de somar olhares sobre a prática terapêutica, apresento abaixo um trecho extraido de um trabalho de Walmir Monteiro (2008), psicólogo, professor  e escritor com estílo poético. 

 

 

 

Lugar acolhedor e inquietante, que aceita, mas desafia.
Vivência reflexiva e dinâmica, que indaga, mas mobiliza.
Encontro perfeito que respeita a imperfeição,
Feito não só de acertos, mas também de intenção.
Momento mágico, porém sem ilusão.
Sintonia clara que preza diferenças
Liberdade à fantasia, bem-vinda realidade
Translucidez perene que admite opacidade
De um lado uma pessoa, de outro lado outra.
Cumplicidade total, mas total autenticidade
Sem superioridade de saber, de poder ou qualquer coisa
Que nos separe, divirja, diferencie ou remova
a necessária condição de iguais construtores
De um mesmo projeto no qual atuamos
Cientes que a vida – bem único, urgente e precioso
Demanda de nós – e isso ao mesmo tempo
Paciência, coragem, sabedoria e alento.
E assim estamos combinados:
Cada qual do seu lado, mas sempre lado a lado
Cada um no seu papel, desejando ser fiel
À sabedoria que diz:
Ser terapeuta ou cliente apenas nos torna na vida mais um aprendiz.

Walmir Monteiro

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