Em seu livro A Águia e a Galinha, Leonardo Boff apresenta histórias utilizando-se das energias presentes na águia e na galinha. O autor assinala que, nós humanos, temos duas dimensões: da galinha, o mundo concreto e todas as suas limitações e o da águia, nossos sonhos, nossa vontade de ser outra coisa e de sempre crescer. Com estas simbologias deseja suscitar reflexões e possibilitar o desejo da busca da identidade pessoal.
Assim, transcrevo abaixo um trecho deste livro que fala da conquista dos pares.
“Você sabe como as águias se enamoram?
O casal de águias entretém uma relação de fidelidade por toda a vida. Juntos caçam, juntos montam o ninho, juntos incubam os ovos e juntos buscam alimento para os filhotes. Como entre os humanos, o casal de águias não copula apenas para multiplicar a espécie ou em certos períodos do ano por ocasião do cio. Surpreendentemente, copula com frequência. Na fase de enamoramento, até oito vezes ao dia. Depois de acasalados, se amam em qualquer época do ano, como expressão de companherismo amoroso.
O enamoramento tem símbolos de grande força. O macho, voando mais alto, se precipita como uma flecha por sobre a fêmea que voa muito metros abaixo. Ao aproximarem-se, a águia-fêmea se volta sobre o dorso. Fica de peito para cima, expandindo as asas e estendendo as garras na direção da águia-macho. E dá-se então o festival do encontro. A águia-macho, vindo como uma flecha, de súbito paira no ar. Abre as asas e entrelaça suas garras como as garras da águia-fêmea. Assim ficam, ora voando à maneira de bicicleta, ora para frente, ora para os lados, ora deixando-se cair, embevecidos pela paixão, até quase tocarem o solo. Só então se separam e voam em forma de guirlanda, ascendendo para um novo abraço de garras e de volutas no espaço.
Conquistada a noiva, a águia-macho ganha como troféu o seu território demarcado. E lá vive o casal voando e caçando por muitos e muitos anos, felizes até que a morte os separe”.
Leonardo Boff – A águia e a galinha (uma metáfora da condição humana).
Em seu credo Becoming Partners, Carl Roger, nos fala da construção de parcerias cujo relacionamento possa ser ao mesmo tempo desafiador, amável e alegre. Consiste no encorajamento mútuo para a expressão e compreensão do si mesmo. Esse processo leva à liberdade e integralidade com a crescente intimidade.
“Talvez eu possa descobrir e aproximar-me daquilo que realmente sou bem lá no fundo – sentindo- me, às vezes, bravo ou aterrorizado, às vezes amável e atencioso, ocasionalmente belo e forte e selvagem e terrível – sem esconder esses sentimentos de mim mesmo. Talvez eu possa vir a me apreciar como a pessoa ricamente variada que sou. Talvez eu possa, abertamente, ser mais dessa pessoa…Então eu possa me deixar ser, com meu parceiro, toda essa complexidade de sentimentos e significados e valores – ser livre o suficiente para dar o amor, a raiva e a ternura que existem em mim. Possivelmente, então, eu poderei ser um membro real de uma parceria, porque estou no caminho de me tornar uma pessoa real. E tenho a esperança de que posso encorajar meu parceiro a seguir seu próprio caminho para uma personalidade única, a qual eu amaria compartilhar”. Carl Roger
Houve uma época
Em que éramos apenas sonhos.
Enquanto sonhos,
Habitávamos o corpo e a mente de nossos pais,
Vagos, imprecisos em nossas formas,
Em nosso vi-a-ser.
Dentre tantos sonhos que se foram,
Este sonho foi pinçado pela destino,
Em um momento mágico,
No qual o que estava preso desprendeu-se
Deslocou-se,
Encontrou-se,
Fundiu-se,
Modificou-se,
Aninhou-se,
Desenvolveu-se,
Até o ponto em que novamente lhe foi possível.
Desprender-se,
Deslocar-se,
Encontrar-se,
Fundir-se,
Modificar-se,
Aninhar-se,
Desprender-se…
Em um ciclo que se repete
Enquanto a vida durar,
Para que a vida permaneça viva e livre.
Assim somos nós,
Que tivemos a aventura de nascer
E de aqui estar:
Para podermos alçar vôo
Necessitamos estar ligados.
E, para seguirmos confortavelmente ligados,
precisamos ser capazes de estarmos sós,
Cientes e confiantes em nossa unidade
-unidade em comunhão-
Iara C. Anton in Homem e Mulher. Seus Vínculos Secretos
Em sua experiência pessoal , como são os seus vínculos familiares; há espaço para estar junto e estar separado?
Compartilho com você o video sobre a música O Sal da Terra, música que pode ser uma importante fonte de reflexão sobre esse no viver na terra e as possibilidades de um mundo de paz e mais amorosidade, enfim de felicidade.
O sal da Terra – Beto Guedes/Ronaldo Bastos
palaciopotter
21 de maio de 2008
Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da Terra
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos
Tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor.
Em vista de tudo isto descrito nesta música, será que o que precisamos é ter a felicidade como um direito garantido na Constituição?
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“Já não sei em que data estamos. Lá em casa não há calendários e na minha memória as datas estão todas misturadas. Me recordo daquelas folhinhas grandes, uns primores, ilustradas com imagens dos santos que colocávamos no lado da penteadeira. Já não há nada disso. Todas as coisas antigas foram desaparecendo. E sem que ninguém desse conta, eu me fui apagando também…
Primeiro me trocaram de quarto, pois a família cresceu. Depois me passaram para outro menor ainda com a companhia de minhas bisnetas. Agora ocupo um desvão, que está no pátio de trás. Prometeram trocar o vidro quebrado da janela, porém se esqueceram, e todas as noites por ali circula um ar gelado que aumenta minhas dores reumáticas. Mas tudo bem…
Desde há muito tempo tinha intenção de escrever, porém passava semanas procurando um lápis. E quando o encontrava, eu mesma voltava a esquecer onde o tinha posto. Na minha idade as coisas se perdem facilmente: claro, não é uma enfermidade delas, das coisas, porque estou segura de tê-las, porém sempre desaparecem.
Noutra tarde dei-me conta que minha voz também tinha desaparecido. Quando eu falo com meus netos ou com meus filhos não me respondem. Todos falam sem me olhar, como se eu não estivesse com eles, escutando atenta o que dizem. As vezes intervenho na conversação, segura de que o que vou lhes dizer não ocorrera a nenhum deles, e de que lhes vai ser de grande utilidade.
Porém não me ouvem, não me olham, não me respondem. Então cheia de tristeza me retiro para meu quarto e vou beber minha xícara de café. E faço assim, de propósito, para que compreendam que estou aborrecida, para que se dêem conta que me entristecem, venham me buscar e me peçam perdão. Porém, ninguém vem.
Quando meu genro ficou doente, pensei ter a oportunidade de ser-lhe útil. Levei-lhe um chá especial que eu mesma preparei. Coloquei-o na mesinha e me sentei a esperar que o tomasse, só que ele estava vendo televisão e nem um só movimento me indicou que se dera conta da minha presença. O chá pouco a pouco foi esfriando e junto com ele, meu coração.
Então, noutro dia disse-lhes que quando eu morresse todos iriam se arrepender. Meu neto menor disse:“Ainda estás viva vovó? “. Eles acharam tanta graça,que não pararam de rir. Três dias estive chorando no meu quarto, até que numa manhã entrou um dos rapazes para retirar umas rodas velhas e sequer um bom dia me deu.
Foi aí que me convenci de que sou invisível. Parei no meio da sala para ver, se me tornando um estorvo me olhavam. Porém minha filha seguiu varrendo sem me tocar, os meninos correram em minha volta, de um lado para o outro, sem tropeçar em mim.
Um dia, os meninos se agitaram e vieram me dizer que no dia seguinte todos nós iríamos passar um dia no campo. Fiquei muito contente. Fazia tanto tempo que não saía e mais ainda ia ao campo!
No sábado fui a primeira a me levantar. Quis arrumar as coisas com calma. Nós os velhos tardamos muito em fazer qualquer coisa. Assim, adiantei meu tempo para não atrasá-los. Rápido entravam e saíam da casa correndo e levavam as bolsas e brinquedos para o carro.
Eu já estava pronta e muito alegre. Permaneci no saguão a esperá-los. Quando me dei conta, eles já tinham partido e o auto desapareceu envolto em algazarra. Compreendi que eu não estava convidada. Talvez porque não coubesse no carro… Quem sabe?
Ou quem sabe, porque meus passos tão lentos impediriam que todos os demais caminhassem a seu gosto pelo bosque. Senti claro como meu coração se encolheu e a minha face ficou tremendo como quando a gente tem que engolir a vontade de chorar.
Eu até entendo. Eles vivem o mundo deles. Riem, gritam, sonham, choram, se abraçam, se beijam. E eu, já nem sinto mais o gosto de um beijo. Antes beijava os pequeninos, era um prazer enorme tê-los em meus braços,como se fossem meus.
Sentia sua pele tenrinha e sua respiração doce bem perto de mim. A vida nova me produzia um alento e até me dava vontade de cantar canções que nunca acreditara me lembrar. Porém um dia minha neta Laura, que acabava de ter um bebê disse que não era bom que os anciãos beijassem aos bebês, por questões de saúde.
Desde então já não me aproximo deles, não quero lhes passar algo mal por minhas imprudências. Tenho tanto medo de contagiá-los ! Eu os bendigo a todos, todos os dias e lhes perdôo, porque…”
“Que culpa têm eles de que eu me tenha tornado i n v i s í v e l ?”
Texto Original – El dia que me volvi invisible, de Silvia Castillejon Peral
Adaptado e produzido pela Helsan Produções
O texto acima retrata o cotidino cruel de uma pessoa idosa que pouco a pouco foi se sentindo à margem da família e da sociedade.
Em algumas culturas a velhice é vista com respeito e veneração. No entanto, na sociedade urbana moderna, com seu ritmo acelerado, marginaliza aqueles que não o acompanha. Por outro lado, o saber científico desconsidera a experiência de vida e a tradição em favor de outras formas de se determinar a verdade.
A cada ano, o número de pessoas idosas aumenta com um prognóstico de que em 2050 esse número aumentará em aproximadamente de 600 milhões a quase 2 bilhões.
Você considera que é preciso revalorizar o papel dos idosos na nossa sociedade? O que você espera da sua velhice?
NEWoceanflower2008 — 1 de dezembro de 2008 — musica: ERNESTO CORTAZAR – Corazon Solitario
“Quando chegamos ao colégio em 1916, a capital tinha apenas cinqüenta mil habitantes. Algum comércio, entre eles um cinema, e uma confeitaria.
Eu tinha onze anos, e Joel treze, o que dava a ele uma autoridade natural sobre mim. Um irmão, um exemplo, protetor. Fui ao colégio por uma idéia de meu pai, o Coronel Juca, dos Caldeira Lemos, o que achou correto também a seu filho, os Mendonça. Tínhamos apenas um dia livre, o domingo, isto se mostrássemos bom comportamento durante a semana. O dinheiro era pouco, por recomendação do próprio internato aos pais, e ficava às suas mãos.
Em certo domingo em meio ao passeio, pouco antes de entrarmos ao cinema, visitamos a confeitaria. Escrito com giz branco em um quadro negro: “ Hoje, Delicioso sorvete de abacaxi; Especialidade da casa; Hoje! ” O anúncio cativou-me, de tal forma que me emocionou. Mostrei a Joel o escrito a giz, ele pareceu indiferente, mas sabia que também havia sido tocado, com a idéia súbita de tomar sorvete de abacaxi.
Porém como havíamos combinado ir ao cinema, Joel disse:
- “ A gente já tinha resolvido ir ao cinema, agora o jeito é ir. O sorvete fica para o domingo que vem. ”
O filme não guardava nossa atenção. Eu observando em Joel algum sinal de frustração. Não sei se por arrependimento; insatisfação, aventura, ou volubilidade, falou-me:
- ‘Vamos lá, vamos?…’
Fomos. Nunca havíamos sequer experimentado uma pedra de gelo na boca. O garçom colocou sobre uma toalhinha dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, e duas pequenas taças de vidro, em cada uma meia esfera de algo brilhante.
Que decepção. Foi horrível. Em nossas faces toda a expectativa desfez-se. Nos rostos a expressão do asco. Nenhum vestígio de abacaxi, só a dor causada pelo frio.
De repente perante os olhares maliciosos dos freqüentadores, do garçom, do caixa: Eram só cobrança, quase de uma natureza moral…
Desisti antes de Joel à dor de tal coisa gelada. Porém em função de nossos nomes, daquilo que recebemos no berço, e que temos o dever de perpetuar junto a nossos filhos - Joel: “ Acabe com isso se não quer ficar desmoralizado. ”
A situação mudara um pouco, tomar o sorvete, do qual se perdeu todo o lirismo, transformado em dor, era agora uma obrigação. E assim o fizemos, tomamos, o mais rápido que podíamos.
Ao acabarmos os olhos de Joel eram outros, agora aprobativo e cordial. O garçom aproximou-se, Joel perguntou quanto era.
O dinheiro faltou.
Autor Carlos Drummond de Andrade – em Antologia de Contos Brasileiros
A adolescência é um momento de descoberta e definição da identidade. O medo da opinião do outro caracteriza esta fase da vida. Neste conto, podemos identificar o dilema dos jóvens despertados pela curiosidade e consequentes sentimentos: expectativa, decepção, frustração, vergonha e sofrimento.
Você teria em sua história algo semelhante para compartilhar?
A outra, amante do homem casado ou com outro compromisso, é um personagem muito presente no cotidiano de muitas famílias e, constantemente, explorado nos roteiros de filmes, livros e telenovelas.
Como você, a partir do texto Mundo à parte e da música apresentada no video abaixo, entende a questão?
“Se quiser se dar bem na vida, tem de deixar a mala leve, ou seja, sem moradia fixa, sem amigos, sem família, pois afinal tudo isso nos prende em compromissos e obrigações, e é o movimento leve que nos dá liberdade”.
A temática do filme Up in the air parte da premissa que os relacionamentos são pesos que precisam ser abandonados para se ter agilidade na vida. Assim, traz uma análise dos medos sobre como é se sentir conectado a alguém.
A personagem principal, sem laços familiares, faz o tipo solteirão convicto, passa boa parte de seu tempo em aviões, aeroportos e hotéis. Seu maior objetivo na vida é conseguir 10 milhões de milhas e ser a sétima pessoa no mundo a obter um cartão ultra vip.
O desenrolar do filme retrata a contemporaneidade. A velocidade é considerada o valor soberano e as conexões humanas efêmeras. Na Solidão e nas relações humanas criam- se as possibilidades de reflexões sobre valores que permeiam o cotidiano atual. Na trama a presença de duas mulheres favorece um novo rumo da história.
A análise do individualismo e do isolamento do sujeito no âmbito das relações sociais, os valores atuais predominantes despertam que sentimento em você?
O sistema imunológico é o responsável em proteger o organismo contra as mais variadas agressões externas, sobretudo as causadas por agentes infecciosos, como as bactérias e os vírus. A função imune é realizada por diversos tipos de células, presentes em praticamente todos os órgãos e tecidos corporais.
O controle das funções de defesa do corpo é regulado por uma série de estímulos, sobretudo os provenientes do local que sofre agressão externa. No entanto, o sistema nervoso central também pode exercer influência na imunidade corporal, pois a parte do cérebro que coordena as emoções e os sentimentos tem projeções em órgãos do sistema imunológico.
Quando o indivíduo apresenta uma resposta de estresse duradoura, como a percebida em relacionamentos inseguros, ocorrem modificações imunológicas, conforme revelam um grupo de pesquisadores europeus que escreveram um trabalho na revista Psychosomatic Medicine em 2007.
A pesquisa foi conduzida com 61 mulheres, das quais foram colhidas amostras de sangue a fim de se avaliar a contagem de células do sistema imune e foi realizado um questionário acerca de relacionamentos pessoais e estresse.
Os resultados divulgados revelaram que a percepção pessoal de estresse correlacionou-se com uma redução da contagem sangüínea de células de defesa. Assim, os autores inferiram que relacionamentos inseguros, os quais cursam com elevação do estresse pessoal, se associam com menor imunidade, fato que pode trazer repercussões negativas à saúde do indivíduo.
Olá.
Sou Norma Emiliano,Terapeuta de Família. Faço atendimentos clínicos há 16 anos.Tenho paixão pelo que faço. Minhas experiências profissionais constituem a base das minhas reflexões sobre as mudanças ocorridas na sociedade e suas repercussões nos indivíduos, nas relações interpessoais e, principalmente, no interior das famílias.
Neste blog, convido o internauta a ler, refletir e a trocar idéias sobre assuntos que dizem respeito à família.