Archive for category Contos

Ser gentil

 

Com as mudanças da dinânica da sociedade a percepção do que é ser gentil também se alterou.  Penso que a gentileza expressa-se em  atos e palavras,  implica em ser acolhedor, solidário e tolerante. Vai muito além de se ter apenas educação,  pois é o interesse pelo outro.

Encontrei um conto que nos permite refletir sobre a amplitude  do SER gentil.

“UM camponês, após  semear a horta  e ver nascer os primeiros brotos, fica com medo de algumas coisas não dar  certo. Então, para protegê-lo  das intempéries, compra uma boa lona de plástico à prova d’agua e vento e coloca por cima; ára manter longe  as larvas e  as pragas, vaporiza grande quantidade de inseticida. É um trabalho ininterrupto, nem por um só momento da noite ou do dia deixa de pensar na horta e na maneira de defendê-la. Até que, um belo dia, levantando a  lona, tem a desagradável surpresa de encontrar tudo morto e boloronto.

Se tivesse deixado os brotos livres para crescer, alguns teria morrido de qualquer maneira, mas outros teriam sobrevivido. Ao lado das plantas semeadas, trazidas pelo vento e pelos insetos, outras teriam crecido; algumas poderiam ser ervas daminhas, e eles as extirparia, mas outras poderiam ser flores que com sua cor iriam alegrar a monotonia da horta. É assim que as coisas funcionam. É  preciso ter  generosidade  na vida: cultivar o próprio pequeno caráter sem ver nada mais do que está em volta significa ainda respirar, mas já estar morto.”  Vá  aonde seu coração mandar” de Susana  Tamaro.

 

O  que é ser gentil apara você?

 

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Dar e receber

egocentrismo

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A  GAIVOTA

 

Uma bela gaivota chegou à capital do reino, deu voltas ao seu redor e foi pousar numa das ruas da cidade. O acontecimento chegou aos ouvidos do governador. Ligeiro, este foi dar-lhe as boas-vindas e ordenou ainda que preparassem uma festa especial para a distinta visita. Pensou que a gaivota merecia, no mínimo, que a sua chegada fosse celebrada no interior de um templo.

Chegou o dia, a gaivota foi conduzida ao templo. Em sua honra começaram a tocar os melhores músicos, mas os sons que produziam, confundiam e perturbavam o animal. Para lhe prestar homenagem, queimou-se incenso da melhor qualidade, mas o seu aroma penetrante enjoava a ave. Celebraram-se prolongados rituais litúrgicos, mas como a gaivota não os entendia, eram-lhe insuportáveis e esgotantes. Após a cerimónia, foi obrigada a ingerir, contra a sua vontade, variados elementos condimentados e fortes licores. Mas, além de tudo isto, a celebração prolongou-se vários dias e a gaivota teve de se submeter ao mesmo programa em cada um deles. O animal foi ficando muito triste, fraco e melancólico. E antes de finalizar o tempo dedicado a honrá-la, o seu coração deteve-se para sempre.

Moral:

É preciso sermos especialmente cuidadosos e sensíveis para dar aos outros o que eles desejam verdadeiramente, e não o que nós pensamos que desejam de acordo com as nossas atitudes egocêntricas e os nossos padrões, ou com o que nós gostávamos que desejassem. Se uma ave, com as suas melhores intenções, der um passeio pelos ares com um peixe, as consequências são desastrosas, apesar das intenções.

Fonte

Os melhores contos espirituais do Oriente, de Ramiro Calle

 

Você já passou por uma experiência como esta?

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Coletiva- 8ª edição do Onde as palavras se sobrepõe

 

TAREFA:”O melhor sentimento do mundo é aquele que você tem quando descobre que a pessoa que você gosta, também gosta de você.”

 

UMA  SIMPLES  HISTÓRIA DE AMOR

 

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 O melhor sentimento do mundo é aquele que você tem quando descobre que a pessoa que voce gosta, também gosta de você.”

Quando o viu, sentiu- se enfeitiçada! Olhos amendoados, penetrantes e sorriso largo.

Aos 13 anos, faceira e  sonhadora,  não via o momento de amar e ser amada. Eram vários os meninos da rua  que a rodeavam, mas ninguém a interessava.

Ah! Aquele moreno, sim. Quem seria?

Certo dia, encontrava-se numa festinha, na casa de uma colega de sua amiga, quando o viu chegar com outros meninos. A música que tocava, do Chico Buarque, já dizia: quem é você? Adivinha se gosta de mim…Tudo conspirava.

Passou a noite a olhar furtivamente para  onde ele se encontrava. Não houve nenhuma oportunidade de se aproximar.
Fim de festa, e o viu partir. Algo com ele se ia, mas o quê ? Nem falara com ele.

Passaram – se os dias, e não o tirava dos pensamentos. Resolveu pedir socorro à amiga. Pediu-lhe que se informasse quem era o rapaz e onde o encontraria. Mas não teve respostas.

O tempo passou, mas nos seus sonhos ele era uma constante. Conheceu outros meninos, começou a namorar alguns que nada  lhe despertavam.

Após quatro anos, ao ingressar na faculdade, assim que entrara no pátio, tropeçou e deixou seus pertences cairem e, para sua surpresa, ao se abaixar,  deparou-se com os olhos amendoados de alguém que tentava ajudá-la. O coração disparou! Levantou-se e agradeceu com a voz trêmula. Era ele, certamente era ele. Não o deixaria sumir, pensou. Viu, atentamente ele se distanciar e parar no refeitório. Foi até lá, comprou um lanche e sentou-se na mesa próxima a ele. Pouco depois, ele se aproximou e perguntou-lhe sobre o curso de matemática. Para sua satisfação, constatou que ele estaria no mesmo curso que ela. Despediram-se, pois as aulas só começariam no próximo mês.

Esperou ansiosamente. Neste dia, esmerou-se ao se arrumar.  Iria encontrá-lo.

Os dias, semanas e meses se passaram e as conversas entre eles eram constantes e foram sendo acrescidas de telefonemas. Ela estava apaixonada, mas não sabia o que ele sentia. Era gentil, mas muito tímido. Sabia que ele gostava de conversar com ela.

Passava os dias contando as horas para estar e conversar com ele. Sentia-se feliz, os olhos brilhavam, a ponto das amigas repararem sua euforia. Ah! Era o amor brotando e querendo se expandir.

Hoje, recordando esses fatos, após 50 anos de casada, uma intensa emoção toma conta do seu ser. Sim, ele também se apaixonou e, hoje, vão festejar esse encontro de amor – a luz de velas -  que tem sido construído com confiança, afetividade e respeito e expandido através dos filhos e dos netos.

 

Essa é minha participação na 8ª edição  do ONDE AS PALAVRAS SE SOBREPÕE

 

Norma Emiliano

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O que faz a diferença

 

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Imagem Internet

 

 

Óntem, aconteceu-me um fato aparentemente insignificante. Contudo, aqueles que frequentaram estabelecimentos comerciais, como mercearias e quitandas, onde se comprava na base da caderneta numa relação de confiança e amizade, podem captar o meu sentimento atual (irritabilidade) face aos atendimentos ao público.

 O atendimento ao público, em sua grande maioria, é realizado de forma tão desatenciosa, que o ocorrido me chamou atenção e gerou este desejo de compartilhá – lo.

Dirigi-me ao balcão de uma cafeteria e uma atendente estava servindo sanduíche a um cliente. Enquanto aguardava, vi que já havia um homem sentado, falando ao telefone. Em seguida, chegou uma moça com uma criança e, logo depois, um casal.  Quando a moça terminou o atendimento e retornou ao balcão, os pedidos começaram a ser feitos desordenadamente. Para minha surpresa, ela dirigiu-se ao senhor ao telefone e a mim, perguntando diretamente o que desejávamos. Em seguida, fez o mesmo com os demais, na ordem de chegada.

Ao terminar meu lanche, fui pagar à mesma moça, pois essa se encontrava só com as diversas funções (atendimento ao público, lavagem das louças e caixa). Nesse momento, comentei sobre sua atenção à ordem de chegada das pessoas e a sua e presteza no atendimento. Não pude deixar de parabenizá-la pela forma como desenvolve funções polivalentes e capacidade de atenção.

Norma Emiliano

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Felicidade

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 Imagem Laura Ribeiro

 

 O SER FELIZ

 

 

Casou-se muito jovem. Seu projeto maior era constituir uma grande família. Por trinta e dois anos, viveu com o sentimento de realização. Era feliz, tinha ao seu lado um marido atencioso e quatro filhos saudáveis e carinhosos.

Certa manhã, foi surpreendida pelo marido. Ele queria a separação. Atônita não conseguia entender o que lhe relatava. Só conseguia ouvir: você não merece que eu continue a lhe enganar.  Há anos seu marido tinha um outro relacionamento pelo qual, hoje, optara. Tinha consciência de que fora mãe dedicada, boa dona de casa, esposa e amiga.  Onde falhara?

Após várias conversas, ele se foi. Sentiu-se perdida. Os filhos casaram-se. De repente, viu-se sem as ocupações cotidianas, sem a companhia do homem a quem tanto se dedicara!  Assim, dia após dia, foi vendo seu corpo se transformar. A balança apontou-lhe trinta quilos a mais.

Não podia manter-se na inércia. Os amigos, todos em comum ao casal, já não lhe satisfaziam. Só lhe traziam recordações que desejava abandonar.  Agendou médico e terapia. Resolveu “dar a volta por cima”. Em quatro meses foi se reconhecendo, mas precisava conhecer pessoas, fazer novas amizades, construir um novo caminho.  Recomeçar.

Na dança de salão, conseguiu ir tecendo os seus fios. Cercada de pessoas de várias idades, foi recuperando a alegria de viver. Iniciou, também, curso de línguas. Contudo, sentia falta de uma companhia mais próxima, do afeto. Percebeu que tinha de virar uma outra página: a esperança do marido voltar. Queria encontrar novo parceiro.

Em um dos bailinhos, encontrou seu novo parceiro. A partir daí, sempre juntos, freqüentaram os salões de dança e foram se apoiando mutuamente.

Na passagem do tempo, algumas restrições surgiram.  Ao completar sessenta anos, mesmo após internação de quinze dias, quis fazer uma festa em sua homenagem.

Tudo foi detalhadamente programado. Reconectou-se com os amigos e contratou um DJ. Não queria deixar de usufruir tudo o que sentia ter direito. As dores da artrose, que não a largavam, não a impediriam de bailar. Sete meses sem ter podido quase caminhar. Sentia-se inchada, não estava tão bonita, mas nada disto seria obstáculo.

Em sua festa, muito alegre a todos recebeu. Cercada pelos filhos, netos, amigo e do atual parceiro, fazia uma grande celebração à vida. Quis de tudo usufruir. Culminou com a valsa a sua confirmação e demonstração do que é ser feliz

Norma Emiliano

 

No poema  abaixo, mais um olhar sobre  a felicidade.

 

Síntese da Felicidade
Carlos Drumond de Andrade
 
 
 Desejo a você…
 Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não

 

 

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Confiança

   

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Planeta Amarelo

 

Era uma vez um pequeno planeta amarelo. Ele fazia parte de um grupo de 7 planetas pequenos e coloridos. Cada um era de uma cor: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul claro, azul escuro e roxo. Eles eram comandados por um grande planeta chamado Cereb, que era todo colorido, como a nossa Terra.

 No planeta amarelo, tudo era amarelo. As árvores, as flores, a água, a terra. Havia muitos animais e muitos tipos de vida ali. Ele era muito bonito e muito alegre. Uma grande quantidade dos frutos amarelos de suas árvores amarelas eram distribuídos para os outros planetas, que não possuíam amarelo. Ele alimentava os seus vizinhos com o amarelo. Os planetas vizinhos, por sua vez, enviavam para ele os seus frutos, para alimentá-lo com as outras cores, pois todos eles precisavam de todas as cores para viver. Com essa troca eles se ajudavam uns aos outros e conviviam harmoniosamente.

 Um dia, no planeta amarelo, houve uma grande tempestade de gelo que destruiu todas as plantas. Ele ficou doente. Aí ele não podia mais mandar os frutos amarelos para seus amigos vizinhos.

 Os vizinhos ficaram tristes e sentiam muita falta do amarelo. Eles não podiam ficar sem o amarelo e tiveram de pedir ajuda para Cereb. Ele sempre os ajudava e os protegia dos inimigos invasores, porém era muito exigente. Fazia com que os planetinhas trabalhassem muito, para depois ganhar um pouco das cores de que precisavam. Eles ficavam cansados, porém precisavam se abastecer de cores para viver e então faziam tudo que o Cereb mandava, e desta forma também colaboravam para o equilíbrio planetário.

 Desta vez, a tarefa que Cereb lhes deu não era muito fácil: criar um jeito de produzir as substâncias do amarelo, por conta própria, cada um no seu planeta,. Isso eles não sabiam fazer. Mesmo assim, tentaram. Fizeram reuniões, conversaram, trocaram idéias, tomaram remédios, mas nada deu certo.

 Resolveram, então, pedir ajuda a uma fada que morava nas estrelas: a fada BRANCA, que possuía todas as cores do arco-íris. A fada lhes disse que, no centro de cada planeta, bem no fundo, havia uma grande caverna, em forma de coração, que continha um tesouro. Esse tesouro possuía todas as cores e se eles o encontrassem não precisariam mais se submeter às extravagâncias de Cereb. Seriam auto-suficientes, isto é, teriam dentro de si mesmos todas as cores e não haveria mais a necessidade de trocar com os outros planetinhas. O Planeta Amarelo também poderia recuperar-se, tendo de novo suas árvores e seus frutos através desse tesouro.

 A fada Branca lhes ensinou como chegar nessa caverna. Era preciso fazer uma grande viagem para dentro de si mesmos e descobrir o lugar certo onde estava o tesouro. Isso deveria ser feito através da Imaginação. Ela lhes ensinou também as palavras mágicas para abrir a porta da caverna. Talvez eles encontrassem alguns obstáculos na viagem. Outras palavras mágicas os ajudaria a superá-los.

 Para iniciar a viagem eles só precisavam acreditar nisso. A palavra mágica era: FÉ. Para superar obstáculos era: CONFIANÇA. Para abrir a caverna era: AMOR.

 No dia seguinte, assim como todos os outros, o Planeta Amarelo partiu para o centro de si mesmo, cheio de FÉ, repetindo a palavra mágica a todo momento. Quando ficou cansado, desanimado, com frio, com fome ele repetiu a palavra mágica: CONFIANÇA. Quando finalmente chegou ao centro do planeta, diante da caverna Coração começou a gritar sem parar a palavra mágica: AMOR, AMOR, AMOR.

E a caverna Coração foi se abrindo, lentamente. Ele pôde ver, extasiado, as cores do arco-íris saindo de dentro dela, uma por uma, como fachos de luzes, cada um de uma cor. Quando a porta se abriu inteira, todas as luzes saíram juntas e se espalharam por todo o planeta, curando e colorindo tudo por onde passavam. Ele ficou muito feliz e percebeu que todo o seu planeta estava colorido. As árvores e as plantas haviam se tornado verdes, cheias de frutos amarelos. As flores eram agora de todas as cores: brancas, amarelas, cor-de-rosa, vermelhas etc. A terra ficou marrom e os passarinhos possuíam penas de todas as cores. Percebeu então que seu planeta estava curado. Deixou a porta da caverna Coração aberta, para que ele nunca mais precisasse pedir nada a ninguém, pois tudo que ele precisava para se curar de qualquer problema estava dentro dele mesmo.

 Os outros planetinhas também encontraram sua caverna Coração e ganharam todas as cores. Assim, continuaram amigos e conviveram em paz, saudáveis e felizes para sempre. Cereb, também ficou muito feliz por ver os planetinhas com sua saúde recuperada.

Fonte

http://www.pensamentopositivo.com.br/metaforas/

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“O sorvete”

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“Quando chegamos ao colégio em 1916, a capital tinha apenas cinqüenta mil habitantes. Algum comércio, entre eles um cinema, e uma confeitaria.

Eu tinha onze anos, e Joel treze, o que dava a ele uma autoridade natural sobre mim. Um irmão, um exemplo, protetor. Fui ao colégio por uma idéia de meu pai, o Coronel Juca, dos Caldeira Lemos, o que achou correto também a seu filho, os Mendonça. Tínhamos apenas um dia livre, o domingo, isto se mostrássemos bom comportamento durante a semana. O dinheiro era pouco, por recomendação do próprio internato aos pais, e ficava às suas mãos.

Em certo domingo em meio ao passeio, pouco antes de entrarmos ao cinema, visitamos a confeitaria. Escrito com giz branco em um quadro negro: “ Hoje, Delicioso sorvete de abacaxi; Especialidade da casa; Hoje! ” O anúncio cativou-me, de tal forma que me emocionou. Mostrei a Joel o escrito a giz, ele pareceu indiferente, mas sabia que também havia sido tocado, com a idéia súbita de tomar sorvete de abacaxi.

Porém como havíamos combinado ir ao cinema, Joel disse:

- “ A gente já tinha resolvido ir ao cinema, agora o jeito é ir. O sorvete fica para o domingo que vem. ”

O filme não guardava nossa atenção. Eu observando em Joel algum sinal de frustração. Não sei se por arrependimento; insatisfação, aventura, ou volubilidade, falou-me:

-   ‘Vamos lá, vamos?…’

Fomos. Nunca havíamos sequer experimentado uma pedra de gelo na boca. O garçom colocou sobre uma toalhinha dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, e duas pequenas taças de vidro, em cada uma meia esfera de algo brilhante.

Que decepção. Foi horrível. Em nossas faces toda a expectativa desfez-se. Nos rostos a expressão do asco. Nenhum vestígio de abacaxi, só a dor causada pelo frio.

 De repente perante os olhares maliciosos dos freqüentadores, do garçom, do caixa: Eram só cobrança, quase de uma natureza moral…

 Desisti antes de Joel à dor de tal coisa gelada. Porém em função de nossos nomes, daquilo que recebemos no berço, e que temos o dever de perpetuar junto a nossos filhos -  Joel: “ Acabe com isso se não quer ficar desmoralizado. ”

A situação mudara um pouco, tomar o sorvete, do qual se perdeu todo o lirismo, transformado em dor, era agora uma obrigação. E assim o fizemos, tomamos, o mais rápido que podíamos.

 Ao acabarmos os olhos de Joel eram outros, agora aprobativo e cordial. O garçom aproximou-se, Joel perguntou quanto era.

            O dinheiro faltou.

Autor Carlos Drummond de Andrade – em Antologia de Contos Brasileiros

Fonte

Resumo por Fernao Cordeiro  em http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1839697-sorvete/

 

A adolescência é um momento de descoberta e definição da identidade.  O medo da opinião do outro caracteriza esta fase da vida. Neste conto, podemos identificar o dilema dos jóvens despertados pela curiosidade e consequentes sentimentos:   expectativa, decepção,  frustração, vergonha  e sofrimento.

Você teria em sua história algo semelhante para compartilhar?

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Blogagem coletiva- Colorindo a Vida

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O BRANCO EM MINHA HISTÓRIA

 

Respeito aos animais

 

A cor branca reportou-me a minha infância. Lembrei-me da casa em que morava aos 6 anos de idade e de tudo mais que fez parte desta etapa da minha vida.   

 

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Fase  de muitas brincadeiras e rodeada de pequenos e queridos animais,  entre eles a “branquinha”, uma gatinha. Que boas recordações!

 

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O nosso   encontro foi por acaso. Num inicio da noite, quando eu brincava na varanda da casa,  ouvi um barulhinho no canteiro e fui ver o que ali acontecia. Olhei! comecei a gritar por minha mãe, que rapidamente me acudiu. Mostrei- lhe, com os olhos arregalado,  a cena que se descortinou quando puxei os arbustos. Uma gata lambia o filhote ainda molhado. Minha mãe, afastou-me dizendo que ela estava limpando o seu filhote e que mais tarde nós poderíamos voltar para vê-los.

Fui para dentro, tomei banho e ansiosa pedia a minha mãe para buscarmos o gatinho. Destes acontecimentos muitas perguntas surgiram, fazendo com que minha mãe me falasse sobre gestação e nascimento dos gatos, cujo o parto, geralmente, ocorre a noite, sem a ajuda de terceiros.

Foi amor à primeira vista, essa gatinha foi minha fiel companheira de infância e começo da adolescência. Posso dizer, inclusive, que com ela comecei a observar a face da PAZ. Você já observou os felinos enquanto dormem? Eles têm uma expressão tão tranquila que chega a contagiar.

 

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Bem, como na vida tudo tem um fim, após 12 anos de convivência minha branquinha foi atropelada e morreu. Mas como você já deve ter percebido, ela me trouxe uma agradável experiência com os animais, pois vivi num local em que ela podia se movimentar e correr pelos telhados e ao mesmo tempo participar do nosso afetuoso cotidiano. Cabe aqui acrescentar que o meu amor aos animais,  não me permitiu proporcionar as minhas filhas esta convivência tão próxima,  por considerar o apartamento, local onde  morávamos, impróprio para os animais e para uma convivência saudável entre eles e o ser humano.

Norma

E você, qual é a sua  experiência com animais domésticos?

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Uma flor para você

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Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe pagava muitíssimo bem, uma família unida.
O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.
Se o trabalho lhe consumia muito tempo, ela tirava dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido…
E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois.
Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente:
uma flor muito cara e raríssima, da qual havia apenas um exemplar em todo o mundo.
E disse à ela:
- Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina!
Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, ás vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores.
A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual.
Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a sua vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor.
Ela chegava em casa, olhava a flor e as flores ainda estavam lá, não mostravam sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas.
Então ela passava direto. Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu.
Ela chegou em casa e levou um susto! Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores caídas e suas folhas amarelas.
A jovem chorou muito, e contou a seu pai o que havia acontecido.

Seu pai então respondeu:
- Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa, ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família.
Todos são bênçãos que o Senhor te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor sempre lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de cuidar dela.


Cuide das pessoas que você ama!

autor desconhecido

Fonte

http://www.emdr.com.br/metaforas3.htm#27

É no cotidiano que tecemos os fios da felicidade.  A família promove a  saúde dos seus membros  no cotidiano relacional.

Norma

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Sonhos de mulher

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A MOÇA  TEÇELÃ

 

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
 

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão  mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.  Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000

Marina Colasanti é escritora e jornalista ítalo-brasileira.

 

Este conto narra o dia a dia de uma jóvem que tece tudo aquilo que necessita. Por meio do trabalho, das cores das linhas,  dá colorido a sua vida.  Ao sentir-se só,  deseja uma companhia e  tece um marido da sua imaginação.  No entanto,sua alegria de ter uma companhia dura pouco, pois  seus sonhos de felicidade não são os mesmo do marido que lhe pede sempre que teça mais e mais de acordo com seus interesses. Com isto ela começa a sentir-se triste e saudosa de sua antiga vida. Assim, resolve destecer tudo que havia tecido, inclusive o marido,  para retomar sua felicidade de tecer seus sonhos de mulher.

Neste conto,  Marina Colassanti enfoca a mulher que busca a  sua completude na companhia masculina, auxilia- nos a refletir sobre o relacionamento da mulher consigo mesma.

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