Barreiras

observador

Não há travessia sem obstáculos, todos em algum momento se depara com desafios.  Na atualidade, mesmo com o individualismo há a pergunta já apregoada: ser ou não ser? da peça A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, de William Shakespeare.

A busca pela felicidade, optar pelo que se deseja e o que é necessário para conquistar um “status” social (ter), é um dilema, principalmente pela situação do país que tem levado aos desempregos.  Paradoxalmente, o profissional de hoje precisa estar mais consciente dos sentimentos e tensões físicas, tendo em vista que em caso contrario corre o risco de se tornar uma pessoa doente.  Para os jovens  seus sonhos, gostos e sentidos estão cada vez mais difíceis de se somarem. Neste contexto, marcado de inúmeras dificuldades, como a juventude pode construir sua identidade e reconhecimento? As possibilidades e escolhas são múltiplas, embora nem sempre possíveis.

Há um excesso de informações e imagens que leva a se gerar ajustamentos criativos  que podem diminuir a sensibilidade das necessidades naturais, acarretando uma desconexão  com o si mesmo

Quais são as condições para existir hoje, para se ser quem é?

 SER é se permitir mergulhar fundo em si mesmo, enfrentar as sombras (zonas perigosas e obscuras) e olhar para os recursos internos que trazem calma e plenitude.

” {…]quando alguém vai recuperando sua integridade encontra a fonte da vida “. Albert Rams 2001,

Barreiras

Uma voz soa baixinho
Você deve.
No peito bate forte
o coração que grita
Você deseja.

Entre o dever e o desejar
Entre o deve Ser e o Ser
Um rio corre infinitamente.

Nas margens, a relva é um convite
No fundo, as pedras cortam a travessia
E o corpo se deixa carregar.

Norma Emiliano

Referência

Rams Albert . Clínica Gestaltica: Metáforas de viaje, 2001

Comments

  • Chica
    Responder

    Texto muito bom e tua poesia cheia de verdades…Ha tanto entre o que deveria e o que é! Lindo! Bjs chica

  • toninhobira
    Responder

    Uma boa reflexão sobre esta complexa arte de viver e ser por completo. A nossa eterna luta entre o ser e ter dentro do contexto de um país em perda de sintonia e afinação, onde a população vive em constante drama da sobrevivência e que tem levado pessoas à perda do eixo e consequentes suicídios e entrega às drogas. Sonha-se e logo perde-se neste pelos fechamentos das portas da realidade.A ilustração em Hamlet é perfeitamente feliz e precisa Norma e assim o seu poema vem numa lindeza fantástica com o uso das figuras de linguagem a criar uma elegância que fica tao bem nas inspirações. E vamos atravessar as estradas, os rios e vales, por certo com algumas feridas pelos pés, mas a mente la onde a paz é o bem maior.
    Aplausos pela postagem com poesia.
    Beijo e lindo fim de semana.

  • roseliabezerra
    Responder

    Boa noite, querida amiga Norma!
    Ser é o primordial e precisa ter primazia sobre o ter… que agrada tanto à humanidade hoje em dia.
    Ser e ser, eis a questão!
    Sua poesia é um convite a deixar fluir… coisa que tenho ousado me permitir.
    Que nada impeça nosso coração de sonhar e de desejar!
    Tenha dias felizes e abençoados junto aos seus amados!
    Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

  • Diná Fernandes de Oliveira Souza Souza
    Responder

    Sonhar faz parte da vida Norma, mas há que enfrentarmos as diversas barreiras, é preciso abrir mão do “ter” para “ser”, porém poucos se libertam da vaidade. Seu texto é de uma veracidade ímpar e belas imagens poéticas.
    Tenha um ótimo domingo!

    Bjss1

  • Ailime
    Responder

    Bom dia Norma,
    Um texto e reflexão magníficos que seu poema sintetiza maravilhosamente.
    Um beijinho.
    Ailime

  • Anete
    Responder

    Olá…
    Ter uma vida digna, ser com sinceridade e conviver com sabedoria, são desafios enormes… Hoje mais do que nunca… Ter e ser são necessidades que precisam de firmes decisões interiores.
    Texto muito bom e o poema está completando muitíssimo bem.
    O meu abraço nesta 4ª feira, Norma…

  • Marina
    Responder

    Ótima e oportuna reflexão!
    Atualmente o excesso de informações e cobranças fazem com que as pessoas tenham menos tempo para compreenderem a si mesmas, trabalharem em seu crescimento.. o ser humano começa a parecer com borboletas precocemente forçadas a sair de seus casulos..voam, mas voam direito; perseguem objetivos mas sem refletir se este voo vale a pena ou é ilusão. E nem sempre o corpo “deixar-se carregar” levará a algo bom.
    Urge termos mais tempo para poesia, para momentos de ócio, para estudar com mais tempo e afinco, para nos formarmos seres humanos com mais consciência de nosso potencial.
    Abraços e boa semana!

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