Autoconhecimento

 terapia

Imagem Internet

 

Não há como dispensar a companhia do si mesmo

O processo terapêutico tem inicio com a solicitação de atendimento realizado pelas pessoas (indivíduo, casal e/ou famílias). Esta solicitação é movida por vários motivos, sendo alguns conscientes, outros inconscientes e nem sempre as queixas são coincidentes com as reais necessidades. Mas um dos objetivos do processo terapêutico é possibilitar a ampliação do contato com o si mesmo.  Desta forma, envolve aprofundar conflitos internos e ou relacionais, trabalhar as defesas individuais e/ou compartilhadas.

As possibilidades para resistência à terapia são muitas, bem como a forma como se manifestam, tendo em vista que o ser humano tenta fugir da dor e nada é tão doloroso como ferir a própria autoimagem. Assim, é comum negar a verdade e projetar o mal.

O mundo interno do indivíduo (subjetividade)  é singular e, portanto, precisa ser desvelado, o que favorece o enriquecimento conjunto entre pacientes e terapeutas. Parafraseando Mello (2007), através do processo terapêutico, o sujeito põe em marcha a historização,  que o leva à apropriação de si mesmo.

As conversas terapêuticas caminham entre o momento atual e a história passada em direção ao futuro.

Os hábitos cotidianos e valores e crenças dos indivíduos, ao se expressarem nas relações, constituem-se em tesouros ou obstáculos para o desenvolvimento pessoal e  relacional.
Num atendimento de casal, pequenos hábitos que fazem diferenças na vida a dois:

Ela – Preciso dormir oito horas diariamente, por isto deito-me cedo.
Ele – Não consigo dormir sem antes ler e tomar um copo de leite quente.
Ela – Eu tenho muitos amigos, eles são parte da minha vida.
Ele – Eu gosto de ficar em casa, minha família é o meu melhor lugar.
Estes são partes de relatos de atitudes cotidianas. Atitudes que não existem por acaso ; elas estão imbuídas de valores construídos ao longo da vida e que farão parte das expectativas nos relacionamentos íntimos. A aprendizagem através das interações está presente nas ações do sujeito.

No entender da teoria sistêmica, cada pessoa tem um limitado número de vivências, que são determinadas pelos seus vínculos familiares. O funcionamento familiar inconscientemente propõe expectativas e desafios, pois passado e presente caminham juntos.

Na escuta atenta, na junção de diversas falas internas e/ou externas (encontro das diversas vozes familiares) localizamos os papéis, lugares sociais e familiares, os limites e possibilidades para as mudanças que se fazem necessárias para desatarmos os nós que emperram o bem-estar e o desenvolvimento dos indivíduos, casais e/ou famílias.

Autoconhecimento incita a dor. No entanto, amplia as possibilidades do alcance de melhor qualidade de vida.

Norma

Comments

  • Nilce
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    Realmente não é fácil contar nossas dores, falar abertamente sobre elas. Sofre-se apenas.
    Não admitimos dividir nossas intimidades prinicpalmente as piores. Preferimos viver sempre numa redoma de ilusão.

    Bjs no coração!

    Nilce

  • josé cláudio – Cacá
    Responder

    Da mais alta relevância, Norma. Nós como seres históricos somente com esta compreensão temos condição de nos guiar para o interior de nós mesmos e, cada um com suas potencialidades , capacidades e até mesmo ousadias, construirmos o nosso caminhar, seja com firmeza de quem tem acumulos psico-sociais, seja procurando ajuda para ir andando sem tantos tropeços e dores. Você fez um quadro geral bem abrangente e bastante consistente dessas nossas pelejas. Meu abraço. paz e bem.

  • luma
    Responder

    Lembro de quando era criança e sentia muitas dores nas pernas e disseram ser “dor do crescimento” e quando disseram não pensei em um significado além daquela dor que sentia. Hoje sei que “Dói crescer”. Bom fim de semana! Beijus,

  • Ronda
    Responder

    Oi Norma,
    Como é difícil admitir problemas e procurar terapia. É como se estivessemos admitindo o fracasso, e passando uma imagem de fraqueza neste mundo onde quase todos tentam passar uma imagem de perfeição.
    Abraços!!

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