Adolescência, uma visão

Quando nos referimos à fase da adolescência, detemo-nos no comportamento popularmente denominado  “aborrecente” dos jovens que, nesta etapa, tudo questionam, irritam-se quando suas idéias não prevalecem e acabam “aborrecendo” àqueles com quem convivem. Se ampliarmos nossa visão, poderemos considerar a adolescência como parte de um complexo processo de transformação que a família atravessa ao longo do seu desenvolvimento. 

Os filhos crescem,  começam a ter contato com outros grupos e aos poucos vão percebendo as diferenças de regras nas famílias de seus amigos; por outro lado há  uma cultura própria dessa fase, que  se percebe no  vocabulário, roupas, valores, etc… Eles passam a contestar as normas e padrões familiares. Ao mesmo tempo, os pais ao se relacionarem  com seus adolescentes estão retomando a sua própria adolescência e, algumas vezes, ficam confusos e assustados, pois os conflitos não resolvidos por eles vêm à tona influenciando suas  ações e reações. Associadas as essas pressões há, também, as necessidades internas de outros membros da família que estão  atravessando outro estágio em seu ciclo de vida: a maioria dos pais aproximam-se da meia idade, momento em que podem ser levados a avaliar suas satisfações pessoais, o casamento e carreira; os avós enfrentam a aposentadoria, doenças e mortes. Portanto, é um período no qual as  pessoas defrontam-se com grandes desafios e que vai exigir mudanças e reorganização de papéis na família, envolvendo, no  mínimo três gerações.

A maioria das famílias, depois de certa indecisão,  tem capacidade de ultrapassar essa etapa reorganizando-se, mudando normas e limites; algumas são incapazes de se adaptarem às mudanças e não conseguem ter flexibilidade e dar espaço para os  adolescentes crescerem. Há a paralisação, que eventualmente se expressa no  comportamento sintomático do adolescente      (depressão, abuso de drogas, doenças psicossomáticas, etc…). O sintoma denuncia a disfunção familiar. Neste momento a família necessita procurar ajuda profissional para poder encontrar alternativas para lidar com as circunstâncias novas e assim, seguir em frente, liberando o adolescente para continuar seu processo de crescimento e amadurecimento.

 

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Norma

Comments

  • josé cláudio – Cacá
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    É uma fase que acho a mais importante para uma espécie de amadurecimento coletivo ou a sua intensificação por parte dos pais. A gente passa por provações o tempo inteiro com relação à capacidade de lidar com o desafio, com a diferença, com os conflitos de épocas e valores. Pode degringolar-se uma família ou pode seguir, a despeito dos conflitos, fortalecida e com uma perspectiva maior de estabilidade, com amor e respeito mútuos. Hoje , coincidentemente eu publiquei também uma crônica sobre o assunto, mas com um enfoque mais pelo lado do humor crítico dessa fase. Aqui o tom é mais sério e mais instrutivo. PS: só hoje pude comentar no texto da Chica. Abraços, Norma! Paz e bem.

  • Ana Karla – Misturação Misturão
    Responder

    Bom dia Norma!
    Estou atenta nesse texto. Meu filho está entrando na adolescência e espero seguir corretamente e respeitando todo o tempo dele.
    Hoje levo essa lição para, se necessário for, refletir adiante.
    Por isso que gosto de vir aqui, pois opinião de profissional é outra coisa…
    Xerosssss

  • Nilce
    Responder

    Com certeza é uma fase muito difícil mesmo, talvez a pior de nossas vidas pela incompreensão dos adultos.
    Nunca podemos esquecer que também fomos adolescentes e o amor deve sempre prevalecer como melhor ajuda nos desencontros dessa fase.

    Bjs no coração!

    Nilce

  • Tatiana
    Responder

    Oi Norma!!!
    Estou passando exatamente por essa fase, tenho 2 meninos, um de 12 e um de 15.
    Sempre fui muito participativa na vida deles, junto com meu marido, e sempre disse que passaria tranquilamente a adolescência, preparada para algumas dores de cabeça.
    Hahahahaha….doce ilusao!!! Essa fase é uma loucura, quando sana, ate engraçada em alguns momentos,mas muito dificil de empartizar na maioria das vezes!!!
    É sempre bom ler sobre e saber que existem milhares de pais nessa incognita, enquanto isso sigo me informando, me comunicando o maximo que posso com eles e rezando para que a sorte esteja do meu lado..rs.
    Sei que ainda rirei de tudo isso, mas enquanto essa fase nao chega, meu riso ainda é de nervoso.
    Beijocas e otimo post!!!

  • Toninhobira
    Responder

    Muito boa esta redação/informação profissional.Penso mesmo Norma, que o fato de conviver com tanta violencia atual,deve-se ao fato das familias não saberem lidar com estas mutações. Fica toda celula exposta ao bel prazer das coisas, abrindo espaço para a degradação do adolescente.Penso até que o municipio/estado deveriam rever a participação nesta área, não deixar que esta fique acessivel aos mais esclarecidos e abastados. Meus parabens Norma por esta generosidade de compartilhar este seu belo aprendizado numa área complexa ao demais.
    Meu abraço de paz. Beijo de luz nesta mente.

  • chica
    Responder

    Eu tive os 4 filhos na adolescência juntos.Imagina!

    Mas deu tudo certo.Entre mortos e feridos, nos salvamos todos,rsss…

    Um tema importante esse! beijos,tudo de bom,chica

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