A partida

“Embora exista uma constante sombra de morte na vida de todos, todos estão alimentando a ideia de sua própria imortlalidade (Paul&Paul, 1982).

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Sua postura rígida, ombros curvados e olhar tristonho já me falavam de sua dor. Durante um tempo manteve-se calado; lentamente,  ergueu seus olhos e num tom grave diz que sente-se confuso, a perda inesperada da sua companheira lhe tirou o chão. Está com dificuldade de conciliar o sono e de entrar em contato com os pertences para lhes dar um novo destino. Seu tempo sempre se dividiu entre o trabalho e lar, agora estar na casa não se sente pertencente, está deslocado.

Este é um fragmento de uma situação de perda por morte e pontua a dificuldade de se enfrentar o vazio que a partida inesperada de um ente amado provoca na alma, no cotidiano, na vida de quem permanece nos dias e noites que tracejam o viver. “As mortes repentinas são estressantes para as famílias (…) os membros carecem de tempo para antecipar e se preparar para a perda, para lidar com assuntos inclusos ou, em muitos casos, até dizer adeus” Walsh&MacGoldrick, 1998, p. 39.

O luto é um momento necessário de mergulho na dor e nos sentimentos que se tornam ambíguos. É um período que se necessita da solitude, mas que não isenta o apoio respeitoso e carinhoso dos entes amados. O amor fortalece, cria uma rede de proteção para o sentir do desmoronamento. “A resposta empática e tolerância a diversas reações é crucial.  ” (Walsh, 1982). Para alguns, aqueles que têm muito dificuldade de contato consigo mesmo, é importante a busca de um profissional que ajude a atravessar esta etapa.

Contudo, para os terapeutas e clínicos poderem ajudar neste enfrentamento  precisam lidar, confrontar a morte,  a perda da vida e da própria inevitável partida.  Este é um tópico que “encontra resistência consciente e inconsciente quando ocorre na realidade.”p.31

No livro Morte na Família: Sobrevivendo às Perdas de From e Monica encontra-se um vasto material sobre esta temática e sobre as intervenções para que os indivíduos e/ou famílias possam descobrir novas possibilidades de crescimento;  a morte como uma experiência transformadora.

A partida tem

Um pouco de tudo

Do que foi vivido

Do que marcou o ser

Tudo que se deseja

Abandonar e renovar.

 

Referência 

Walsh.F; McGoldrick. M. Morte  na Família: Sobrevivendo às Perdas. Porto Alegre: Artmed, 1998.

Norma Emiliano

Grata por sua visita

Comments

  • chica
    Responder

    Tema profundo e que sempre cabe abordar. Gostei de teu poema e enfoque! bjs, lindo feriadão! chica

  • roseliabezerra
    Responder

    Boa Tarde, querida amiga Norma!
    “As mortes repentinas são estressantes para as famílias (…) os membros carecem de tempo para antecipar e se preparar para a perda, para lidar com assuntos inclusos ou, em muitos casos, até dizer adeus”
    Este parágrafo me tocou bastante… meu pai, com seus 85, já bem fraquinho, ainda foi um baque imenso… subitamente nos deixou, num piscar de olhos…
    Sempre com profundidade , fruto da sua experiência, nas postagens.
    Tenha um dia de alegrias e reflexão!
    Deus a abençoe muito!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

  • Celina
    Responder

    Tema que afeta a todos nós, oportuno neste início de novembro, em que ainda estamos lembrando o Dia de Finados. Há que conviver com a ideia da morte.

  • toninhobira
    Responder

    Engraçado Norma como foge-se tanto deste tema, que deveria ser natural em nossas vidas, pois consciente somos das inevitáveis perdas a serem colhidas apos o nascimento. Sofremos e padecemos com elas e muitas vezes o tempo é insuficiente e incapaz do resgate, quando se faz necessário a presença profissional.Os grandes filósofos sempre se viram inquietos diante da morte e deixaram belos pensamentos sobre a escuridão que se faz na vida apos uma perda.
    O poemeto bem descreve este sentimento de solidão esta falta que corrói e que bem Chico descreveu em sua composição Pedaço de mim, caso não conheça veja no Google.
    Muito boa postagem com olhar profissional.
    Bom domingo querida.
    Beijo.

    Ps. fiz devida correção no meu blog auxiliar, depois confira se atende.
    Grato sempre.

  • Gracita
    Responder

    Este é mundo difícil de ser abordado porque nós humanos ainda não temos e acho nunca teremos maturidade para dialogar e aceitar a perda de ente querido é bastante peculiar e cada pessoa absorve as ausências de modo singular. O post é profundo e significativo pois já vivemos e ainda iremos vivenciar outras que teremos de absorver
    Um carinhoso abraço e uma feliz semana

Sua visita e comentários são muito significativos. Volte sempre.

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