Archive for setembro, 2010

Vaso quebrado

 

Em conversa com amiga sobre traição, surgem fatos que a fazem refletir sobre vínculos significativos em sua história e sua entrega pessoal.

Lembra-se do cunhado que durante 17 anos fora admirado como pessoa íntegra e amorosa. Lembra-se também da sua decepção ao tomar conhecimento das amantes que ele começou a ter e da forma de tratamento (ofensiva e irresponsável), totalmente oposta da anterior que tivera com sua irmã (amorosa e cuidadora). Considerava-o como irmão e sofreu muito com todos os acontecimentos que se sucederam após vir à tona sua mudança radical.

Em seu casamento, fora traída, surpreendeu-se não com a traição, pois já vinha percebendo as mentiras, mas como os fatos aconteceram. Após 20 anos de casada soube que o marido já estava constituindo outra família paralela. Ela sempre priorizou o seu núcleo familiar e o viu atravessado e corroído.

Após divórcio, conheceu várias pessoas na mesma condição que a sua;  homens e mulheres em busca de amizades, companhias e/ou romance. Em um destes encontros, conheceu um homem que, ao longo do tempo, converteu-se numa pessoa muito próxima dela e dos filhos, um amigo de muitas horas. O afeto despertado foi de irmão, irmão que não tivera.

Contudo, certo dia, por motivos que soubera depois, encontrou- o num evento acompanhado da atual namorada e foi totalmente ignorada. Não conseguiu concatenar seus pensamentos sobre tal situação. Sabia do ciúme excessivo desta namorada, mas não via o porquê daquele comportamento dele.

Assim que teve oportunidade, expressou- lhe seus sentimentos que foram de total decepção e mágoa. A explicação de querer evitar conflitos pessoais com a namorada não foram entendidas por ela e a amizade se quebrou. Confiava naquele afeto que por questões defensivas não possibilitou o mínimo respeito.

Neste contar de histórias,  deu- se conta de que suas emoções antigas de perda da confiança somaram-se na reação com o amigo, de quem se afastou do convívio frequente e íntimo.

Juntando os cacos espalhados pelos vínculos partidos pelo desafeto, ampliou o olhar sobre a questão. Este entendimento não favoreceu o retomar da amizade nos moldes anteriores, pois a entrega pessoal foi interrompida, o vaso se quebrou, mas permitiu que  entendesse mais suas frustrações e mágoas.

Enfim, percebeu que nos seus laços extrafamiliares as sombras do amor incondicional paternos a envolveram, e que essas não permitiram que diferenciasse as especificidades de cada uma das pessoas. Por outro lado, também percebeu que essas sombras impediram que se estabelecesse laço de afeto mais real, em que as qualidades e defeitos pudessem ser devidamente reconhecidos e a sua confiança no outro se (re) constituísse.

Norma

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Julie & Julia

 

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                                                                     Imagem NET

 

Sou amante de cinema e revi um filme que indico não só pelo conteúdo, mas também pelo  elenco  Amy Adams, Meryl Streep, Stanley Tucci e Chris Messina.

O filme Julie & Julia“  é uma   adaptação  do livro  que virou best-seller nos EUA , “Julie & Julia – 365 Dias, 524 Receitas e 1 Cozinha Apertada”.  Foi lançado em 7 de agosto de 2009.

A trama divide-se entre os anos 50/60, retrata a história  de Julie (escritora) e de Julia Child (apresentadora de TV),  uma americana vivendo na França.

Apesar de separadas pelo tempo e pelo espaço, estão ambas perdidas,  em busca de um sentido maior na vida.  Assim,  encontram num lugar improvável (comer, cozinhar, escrever) a solução para os seus desejos . Nada foi fácil para nenhuma delas,  e apesar da sugerida ligação, ambas nunca se conheceram.

É uma comédia gastronômica e romântica  com personagens femininas fortes,  emotivas e amorosas, sendo a  figura do homem  importante para elas. Enfim,   encanta, diverte e  emociona. 

Voltada  para o olhar clínico, pontuo questões e mensagens relacionais de amizade e casal que podem ser analisadas.

Norma

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“Saudade é o amor que fica”

 

 Estamos em constante aprendizado. O texto abaixo é a prova  disto. Leia e comprove como a inocência de uma criança nos revela uma forma belíssima de definir saudade.

  
“Como  médico  cancerologista,  já  calejado  com  longos 29 anos de atuação profissional (…) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me  com  emoção  do  Hospital  do  Câncer  de  Pernambuco,  onde  dei  meus primeiros passos como profissional… Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com  o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças. 

Até o dia  em  que  um  anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois  longos  anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas  de  químicos e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes;    também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!

Um  dia,  cheguei  ao  hospital  cedinho  e  encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

— Tio, — disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer,  acho  que  ela  vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Indaguei: 

— E o que morte representa para você, minha querida?
— Olha  tio,  quando  a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.)
— É isso mesmo.
— Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei  “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
— E minha mãe vai ficar com saudades — emendou ela.

Emocionado,  contendo  uma  lágrima  e um soluço, perguntei: 
—  E o que saudade significa para você, minha querida?
— Saudade é o amor que fica!

Hoje,  aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que fica

Meu  anjinho  já  se  foi,  há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida,  a  tentar  ser  mais  humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Quando a noite chega,  se  o  céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu.

Imagino  ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa. Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve,  pelas  lições  que  me  ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.”

 Dr. Rogério Brandão, Médico oncologista 

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Conversando com Você

 

canto

 

IMAGEM NET

 

Neste início de semana, considerei significativo conversar com meus leitores e amigos. O blog é uma casa com suas portas e janelas abertas para todos os que navegam pela net, cada um com seus próprios interesses. As tags são setas lançadas atraindo os diversos interesses de busca e, desta forma, muitos chegam ao nosso espaço.

As pessoas que seguem o meu blog desde o início, setembro 2009, que hoje já conta com 43.300 visitas, devem ter percebido que houve várias mudanças no decorrer do tempo em relação à forma como tenho escolhido os temas, à maneira como os tenho desenvolvido e em relação aos meus objetivos.

De início, pretendia atingir o público de forma mais diferenciada e não somente o profissional, oferecendo informações, saberes construídos, principalmente, pela minha experiência profissional.  No entanto, deparei-me com uma diversidade de características pessoais, interesses e talentos que me despertaram para as trocas de impressões, experiências e afetos.

Assim, tenho priorizado algumas horas dos meus dias para alimentar esses focos e aprender a lidar com diferentes grupos e subgrupos que se formam e poder transitar livremente por tantos saberes e afetos, crescendo, observando e, provavelmente, errando e acertando nas formas de aproximação.

Portanto, considero que esta é mais uma experiência em que almejo estabelecer elos de encontros humanos que nos fortifiquem em lutas para um mundo melhor.

Meu coração e este espaço estão constantemente abertos.  Faça dele o seu espaço com suas opiniões, desabafos, experiências e afetos. 

 Obrigada por me enriquecer, acolher e prestigiar.

 

Deixo aqui um trecho de  Minhas Palavras

 Um fato é eu sair de mim para você; outro é eu chegar até você com minhas palavras. (…) Elas fluem pelo universo. Representam o meu desejo de expressão.

A voz interior expressa- se através das palavras faladas ou escritas que irão pousar de acordo com as diversas identificações pessoais. Identificações que passam pelas recordações, dores, alegrias e questionamentos. Não importam quais sejam. Posso trazer lembranças, informações, conforto, afeto e questionamentos. Respostas? Não. As respostas estão onde você se encontra.

 (…) No vai e vem dos pensamentos e palavras, converso comigo e vou até você com minha mensagem. Não ouço o que me diz, sua conversa é silenciosa. Entretanto, as palavras chegam a você e se transformam a partir de você. Assim, a comunicação se faz presente  e a experiência é valiosa. 

Norma

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Um carinho

 

Em visita ao blog da Chica,  vi me diante de uma música  que, como ela,  sempre me emocionou.   Senti, assim, o desejo  de compartilhar com VOCÊ , como forma de carinho,  neste descanso dominical

 

 

Norma

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Viagem

Neste sábado primaveril,  meu convite é que  aprecie a  paisagem  e que o melhor possa vir a sua mente. E se desejar conte-nos o que ela lhe desperta.

 

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Bom final de semana

 

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Norma

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Casamento

 REFLEXÃO

“Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: ‘Tenho algo importante para te dizer’. Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

 De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

 Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente  perguntou em voz baixa: “Por quê?”

Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou “você não é homem!” Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim  a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia, mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

 Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possivel. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus examos no próximo mês e precisava de um ambiente propício para prepar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. “Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio” ,disse  Jane em tom de gozação.

 Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo “O papai está carregando a mamãe no colo!” Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho “Não conte para o nosso filho sobre o divórcio” Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse “Todos os meus vestidos estão grandes para mim”. Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração….. Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse “Pai, está na hora de você carregar a mamãe”. Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: “Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo”.

Eu não consegui dirigir para o trabalho…. fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia…Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela “Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar”.

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa “Você está com febre?” Eu tirei sua mão da minha testa e repeti “Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi:  “Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe”.

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama – morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio – e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. “

Autor desconhecido. Se conhecer informe, pois recebi de uma amiga.

Pense: pequenos detalhes fazem grandes diferenças…

A vida a dois é como um jardim….

Norma

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Saudação à Primavera

A Primavera inicia nesta quinta-feira (23/09) e escolhi uma crônica de Cecília Meirelles,  que nos descreve de forma poética esta linda estação do ano, para saudá-la.

 

“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro “Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1″, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

  

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