Archive for agosto, 2010

Ligados pelo mal

 

  “Os homens se crêem livres, pelo único motivo de que são conscientes das ações, e inconscientes das causas que as determinam.” Spinoza

 

Por que não consigo me afastar dele (a)?” “Brigamos constantemente. É tão desgastante”. “Sinto-me péssima (o), não aquento mais”. Estas questões estão presentes em muito mais pessoas do que se possa imaginar.

È freqüente indivíduos e casais buscarem terapia por não mais conseguirem lidar com suas relações tão conflitantes e intermináveis. Os parceiros não conseguem se afastar e “entre tapas e beijos”, caminham atormentados por suas infelicidades. O direcionamento pessoal é fruto de uma construção que tem a ver com as histórias familiares, assim as escolhas não são frutos do acaso e a atração entre os parceiros tem motivações conscientes e inconscientes (mecanismos de defesa, fantasias, impulsos, etc.). Daí dizer-se que é sempre certa a escolha do parceiro, mesmo que não seja a melhor, no sentido de possibilitar a felicidade. Segundo Carl Whitaker “a combinação estabelecida é composta por vários componentes, estando entre eles a transferência como por ex: a pessoa que atrai tem características que a excitavam em seu pai ou avô”, características que podem evocar a proteção ou abandono, a vida ou morte. É reconhecer inconscientemente no outro condições de resolver seus complexos e necessidades contraditórias. Há uma transposição dos elementos importantes do passado. Desta forma, todo este mecanismo leva a incapacidade de encontrar satisfações reais entre as pessoas reais. 

No cotidiano, os papéis, que cada um dos parceiros desempenha, contribuem para a manutenção de um estado de equilíbrio patológico. Ilustrando, vemos mulher infantilizada (cuidada como filha) queixando-se do abandono sexual do marido, porém quanto mais ele a mima, mais ele a infantiliza e a impede de crescer como mulher. Portanto, a atitude da mulher infantilizada impede-a de ser desejada e ele se distancia como homem. Ambos estão na realidade compartilhando ilusões e não percebem que a relação de causa e efeito é para os dois.

Na terapia busca-se o reconhecimento das motivações pessoais e alternativas que capacitem as pessoas envolvidas a romperem com o círculo vicioso e a fazerem e desenvolverem escolhas mais saudáveis.  “Existe muita dor na vida, e talvez a única que se possa evitar seja a dor que vem do se tentar evitar a dor”.  R.D.Laing

Norma

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Entardecer

Bom dia.

Deixo com vocês, neste domingo cinzento ,uma foto do entardecer que nos permite observar que após  à noite vem um novo dia cheio de esperanças e novidades.

 

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Búzios

 

Sugiro também  o filme ‘Ao Entardecer” que pode  nos proporciona uma viagem emocional sobre um amor eterno e o profundo laço entre mãe e filha, 

Bom domingo.

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Luz na escuridão

 

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No azul do céu infinito
Brilha o sol  cobrindo o espaço
As pessoas buscam  sua luz
E o coração se reluz

 

Na noite o brilho da  lua
Linda, redonda, soberba no espaço
A sua volta muitas núvens
Núvens correndo no espaço

 

No meu coração, ora  surge o sol
Brilha, resplandecendo  minh’ alma
Ora  soberba lua se chega
Muita clara, trazendo luz  a vida

 

 

juceliarocha | 21 de setembro de 2008

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Blogagem Coletiva – Sentimento

 
Estima – Amor próprio

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“Não sou você
Ou ele
Ou ela
Eu sou Eu

 

Não sou baixa
Ou alta
Ou grande
Ou pequena
Eu sou Eu

 

Não sou boa
Ou má
Ou alegre
Ou triste
Eu sou Eu

 

Oh, deixe-me ser Eu!

 

Não está vendo?
Não consegue entender?
Antes de qualquer coisa
 Eu sou Eu.”   

                                                           Zerka Moreno ( O Direito de ser eu)

 

  

Ao meu amor

 

O amor próprio é a seta que nos lança ao amor do outro.

 

Como me vejo, como sou visto?  Na trajetória do ser humano as respostas a essas perguntas constroem a auto estima que se inicia na infância e se reforça na adolescência.

Auto estima e amor próprio caminham juntos. Na  infância, na interação com os pais ou responsávéis, que se inica a  construção  do olhar sobre si mesmo.

Ao fazermos parte dessa vida, sentimos o amor  daqueles  que nos acalentam, cuidam e alimentam. Cada gesto, cada movimento nos coloca diante do amor e é esse amor que nos norteia. Quem não recebe amor tem dificuldade de amar, pois não se acha digno de ser amado e, portanto,  não ama a si próprio. Por outro lado, o excesso de auto estima (narcisismo) pode levar a autodestruição, pois nos aprisiona ao nosso próprio casulo.

A forma como cada um se vê, interfere na maneira de viver e conviver. É na dança relacional que aprendemos que o amor do outro pode ser do tamanho do nosso, na medida em que aceitamos e recebemos sua manifestação de amor.

A auto estima é a  nossa melhor aliada do sucesso na vida pessoal e profissional.

Fique atento:

“Se um dia alguém fizer com que se quebre a visão bonita que você tem de si, com muita paciência e amor reconstrua-a.  Assim como o artesão recupera a sua peça mais valiosa que caiu no chão, sem duvidar de que aquela é a tarefa mais importante, você é a sua criação mais valiosa.

Não olhe para trás. Não olhe para os lados. Olhe somente para dentro, para bem dentro de você e faça dali o seu lugar de descanso, conforto e recomposição. Crie este universo agradável para si e seja feliz.”  (Brahma Kumaris).

Este texto é a minha participação na Blogagem Coletiva  Emoções e Sentimentos com o tema  Auto estima – Amor  próprio sob a organização de Glorinha do blog Café com bolo.

 

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O poder do silêncio

 

Nós, seres humanos, estamos, cada vez mais,  sintonizados em muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Neste sentido, acabamos não nos dando conta  desta sintonização excessiva  até que a manifestação negativa ocorra em algum acontecimento ou doença. 

O uso desmedido da mente acaba nos levando a diminuição da percepção. Um pensamento nos leva a outro, nos tornando agitados.  Assim, de toda a realidade que nos cerca, conseguimos perceber uma faixa restrita; os pensamentos acabam nos levando  aos mesmo resultados e voltamos ao ponto de partida.

Constantemente, o ser humano está interagindo mediante ressonância com tudo que existe e o silêncio pessoal  inquieta. No entanto, a comprensão, muitas vezes exige o silêncio.

Encontrei em Susana Tamaro  uma descrição que considerei muito própria ao que estou me referindo.  Ela menciona que “a compreensão exige silêncio (….) a mente é prisioneira das palavras” , (…) os barulhos são como uma droga: depois que você se acostuma, já não pode viver sem eles”.  Assim,   traz a metáfora da limpeza  do chão com a vassoura ou com um pano molhado: “se usarmos a vassoura, quase toda a poeira fica no ar e se deposita nos objetos vizinhos; se ao contrário, usarmos um pano molhado, o chão fica liso e reluzente. O silêncio é como pano úmido, afasta de vez a opacidade do pó”.

É inegavel a importância da  autopercepção, ou seja,   do  reconhecimento dos sinais do nosso  corpo, dos  sentimentos e das atitudes.  Na medida em que vamos  ampliando o autoconhecimento,  temos melhores condições de nos relacionarmos conosco e com as outras pessoas. Além disso,  a auto percepção ajuda o desenvolvimento  da capacidade de atenção.

Enfim,  praticando o silêncio  temos possibilidades de desenvolver atitudes pacíficas tão necessárias a este nosso mundo inundado pela velocidade e tão pouco humanizado.

Referência

Vá  aonde seu coração mandar- Susana  Tamaro- Ed. Rocco

Norma

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Dignidade Humana

  

JovemVelho

Imagem Internet

 

Falar do cotidiano é simples, porém a forma como é percebido faz toda a diferença. Neste relato, o contexto é um ônibus urbano e os participantes: o motorista e seus passageiros (jovens, crianças e idosos).

Sabemos que a partir dos 65 anos de idade, o transporte rodoviário é gratuito e cada pessoa possui o seu próprio passaporte após o cadastramento realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Diante desse direito por lei, muitas são as situações que os idosos enfrentam no seu dia-a-dia.

A Lei nº.10.741/2003 (Estatuto do Idoso), em seu artigo 230, determina que “a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”. Contudo, o que vivenciamos denuncia que a sociedade “não comunga desse credo”.

A impessoalidade reinante, no sentido de tirar da vida tudo que é humano, e o excesso de individualismo não conferem dignidade ao ser humano e cenas de desrespeito são frequentes. Nesse sentido, chegamos ao seguinte fato ocorrido: uma senhora de 80 anos entra no ônibus com outros passageiros. O motorista, que é atualmente também o cobrador, recebe o dinheiro, dá instruções sobre lugares para outros e dirige-se a senhora referindo-se ao seu  cartão e à roleta. Diante de tanta confusão, a senhora não consegue passar e o motorista solicita-lhe que desça, pois a roleta travou e depende de um novo pagamento. Ela se recusa a descer e muitos dos passageiros começam a gritar para que ela desça, pois estão com pressa. Ela desce, com a fisionomia irritadiça, para enfrentar uma nova espera, num dia ensolarado.

A teoria na prática não se concretiza. Propiciar ao ser humano bem-estar requer políticas públicas, humanização de todos e valorização da vida.

Falar em envelhecimento, como se fosse algo à parte de cada um, é viver na alienação. A dignidade humana e a qualidade de vida fazem parte do processo evolutivo e educativo. Viver com dignidade é ter a condição de ser humano respeitado. Em sua música “È preciso saber viver”, Roberto Carlos  resume tudo isto muito bem.

Enfim, presente, passado e futuro são os elos da vida. Portanto, não percamos de vista a dignidade de SER humano.

Norma

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Ressonância

A vida pode ser pensada como se fosse um rio. Quando nos permitimos, quando nos aquietamos,  podemos perceber a mudança no que é permamente e o eterno retorno.

Leia a história abaixo e mergulhe e, se possível, compartilhe aqui o que ela lhe inspira a nos contar.

 

A  Fonte

 

Um jovem sentou-se à margem de um rio e pôs se a observar-lhe os torvelinhos e ondas. Sentindo-o penetrar suavemente em seu espírito, perguntou: “De onde virá este rio? E se foi em busca da fonte.
Segui o rio até encontrar um braço mais longo que o resto. Mas, antes de poder comemorar a descoberta, começou a chover e surgiram regatos por toda a parte. Procurou aqui, ali, até deparar-se com um braço que parecia mais longo que os outros. Já se felicitava quando avistou um pássaro pousado numa árvore, com o bico e a cauda a escorrer água. Estancou, voltou-se e olhou fixamente – o bico da ave estava um pouco acima da cauda. Então, o jóvem apressou-se a voltar para contar a descoberta final.

Já em casa, as pessoas pediam-lhe para repetir a história de sua jornada e descoberta. Toda vez que a contava, eles se espantavam e admiravam a façanha. Com o tempo, a narrativa da aventura deixou-o tão fascinado que nunca mais voltou ao rio.

Um velho que o amava percebeu o perigo e correu em seu auxílio. Com voz clara e afetuosa, disse: “Eu gostaria de saber de onde vem a chuva”.

E o jóvem, em desespero: “Onde acharei uma escada para subir ao céu e contar tantas gotas de chuva? Como acompanharei as núvens?”" Afastou-se e, para esconder sua vergonha, mergulhou no rio e deixou que a corrente o arrastasse.

O velho pensou: ” Aí está uma boa resposta, meu filho. Nade e sinta a corrente, deixe que o rio o leve . Ele quer voltar para casa, fluir para sua fonte.”

 Hunter Beaumont in A Simetria Oculta do Amor de Bert Hellinger

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Notícias sobre o IX Congresso de Terapia de Família

 

Retorno feliz  ao meu convívio,  neste espaço, com vocês,  e compartilho um pouco da  experiência que vivencie no período em que encontrei-me ausente.

 

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A realização do IX Congresso de Terapia de Familia foi em Búzios/ RJ. Em eventos como este,  temos a oportunidade de nos reunirmos para aprender, saber das novidades e repassar nossas experiências na área.

A temática  – Tempo >> Limite >> Sexualidade, mobilizou um bom número de profissionais de várias regiões do Brasil e contou com a participação  de palestrantes latinos americanos Jan Bout (Holanda), Luigi Boscolo (Itália) e Carmine Saccu  (Itália) que ministraram cursos. Assim,  o programa foi composto por plenárias, sub-plenárias, mesas redondas, cursos, temas livres, Workshops, Diálogos interativos,  filmes e sessões de pôsters, bem como atividades socio-culturais. Além disso, houve lançamento de livros.

Num clima de organização, entusiasmo e integração, tivemos a possibilidade de trocas fundamentais para nossa vida pessoal e profissional.

Em minha apresentação – Quando o amor maltrara –  a proposta foi fazer um paralelo entre a parceria conjugal  e a parceria da cooterapia com objetivo de assinalar a importância da utilização do self do terapeuta como agente de mudança.

Este trabalho é o resultado das reflexões que realizamos, eu e minha colega de trabalho,  no decorrer dos 17 anos de atendimento de casais e família em cooterapia.  Portanto, nossa apresentação tem:

- como embasamento a teoria sistêmica e, assim, vemo-nos no processo de interação continua entre nós, nos atendimentos em cooterapia, nossas famílias de origens e nossos clientes.

- como premissa que aprendemos a amar e ser amado em nossas interações primárias e que a escolha do parceiro trás em sua essência a possibilidade do confronto dos conflitos de cada um dos envolvidos e consequentemente trará ressonâncias na parceria dos terapeutas

- como ponto de reflexão os encontros entre terapeutas e paciente (casais) e as formas de amar.

Enfim, foram cinco dias de intensidade de  estudo,  reflexão  e  troca que  nos enriquecem e nos  estimulam na busca de melhor forma de estarmos em família, pensarmos e atuarmos  com as famílias.

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Norma Emiliano

 

 

 

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