Archive for agosto, 2010

Ser gentil

 

Com as mudanças da dinânica da sociedade a percepção do que é ser gentil também se alterou.  Penso que a gentileza expressa-se em  atos e palavras,  implica em ser acolhedor, solidário e tolerante. Vai muito além de se ter apenas educação,  pois é o interesse pelo outro.

Encontrei um conto que nos permite refletir sobre a amplitude  do SER gentil.

“UM camponês, após  semear a horta  e ver nascer os primeiros brotos, fica com medo de algumas coisas não dar  certo. Então, para protegê-lo  das intempéries, compra uma boa lona de plástico à prova d’agua e vento e coloca por cima; ára manter longe  as larvas e  as pragas, vaporiza grande quantidade de inseticida. É um trabalho ininterrupto, nem por um só momento da noite ou do dia deixa de pensar na horta e na maneira de defendê-la. Até que, um belo dia, levantando a  lona, tem a desagradável surpresa de encontrar tudo morto e boloronto.

Se tivesse deixado os brotos livres para crescer, alguns teria morrido de qualquer maneira, mas outros teriam sobrevivido. Ao lado das plantas semeadas, trazidas pelo vento e pelos insetos, outras teriam crecido; algumas poderiam ser ervas daminhas, e eles as extirparia, mas outras poderiam ser flores que com sua cor iriam alegrar a monotonia da horta. É assim que as coisas funcionam. É  preciso ter  generosidade  na vida: cultivar o próprio pequeno caráter sem ver nada mais do que está em volta significa ainda respirar, mas já estar morto.”  Vá  aonde seu coração mandar” de Susana  Tamaro.

 

O  que é ser gentil apara você?

 

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Tourada

 

Iniciando a semana ,  compartilho a analogia das tourada  com  as relações humanas  feita pela escritora Clara Feldeman, em seu livro Encontro. Ela assinala  que na tourada entre as pessoa , uma delas tem o estranho prazer de cravar bandarilhas no peito da outra. Suas hastes pontiagudas aparecem na forma (sutil ou escancarada) de críticas, ofensas agressões verbais (às vezes físicas), sarcasmo, ironias; desrespeitos, competições, deslealdades. (…) mensagens  verbais e não verbais)  que perfuram, abrem feridas(…) entre uma estocada e outra, uma carícia (…) como barata que morde e sopra. (…) há também a inversão dos papéis: em que o toureiro se transforma em touro e vice-versa, numa alternância doentia sem fim.

A responsabilidade de escolha é de cada um dos envolvidos.  ”Não estamos na arena, famintos e ofuscados pela luz do sol (…) Não existe, para nós, a inevitabilidade da morte o touro, (…)  temos a força e a sabedoria para escolhermos o melhor: arrancar as bandarilhas, para , enfim viver.

Pense nisto…

 

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Hanami, cerejeira em flor

 

Assisti e recomento o filme Hanami, Cerejeira em flor, dirigido pela alemã  Doris Dörrie. 

O filme é  alemão,  tem como pano de fundo a cultura japonesa (terra do sol nascente). A trama se desenvolve com  Rudi Angermeier (Elmar Wepper) e Trudi Angermeier (Hanellore Elsner), casal de terceira idade com uma vida rotineira e tranquila.

 A esposa recebe a notícia que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal. Ela decide seguir  a sugestão médica de aproveitar este  últimos momentos  para viajar ou realizar alguns de seus sonhos. Seu desejo é conhecer o Japão, porém decide primeiro visitar os filhos e netos em Berlim. Nesta primeira viagem, a relação de pais e filhos denunciam as questões da etapa de vida do ciclo familiar em que os filhos, com suas próprias vidas,  não têm tempo para seus pais.  

Na  segunda viagem,  ela morre repentinamente. Rudi fica  sem chão, sem saber o que fazer. Através do contato com a amiga de sua filha, ele compreende que o amor da esposa por ele havia feito com que ela abandonasse seus sonhos e   começa a vê-la com outros olhos. Assim,  vai procurar  compensar sua vida perdida embarcando em uma última jornada, para o Japão, na época do festival das cerejeiras, uma celebração da beleza,  da impermanência e de um novo começo.

A partir daí,  são apresentadas cenas belíssimas de sua  jornada em busca da essência de uma das formas de expressão que sua mulher mais admirava: o butô, uma dança típica oriental.

A trama  traz  uma bela mensagem de amor e  da imprevisibilidade da vida e morte.

Norma

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Gritos do silêncio

 

Seja bem vindo a este espaço que só existe se você estiver aqui.

 

Recebi  de uma amiga e compartilho com você este vídeo espetacular. Imagens que falam mais do que qualquer discurso.

São cartoons  mais premiados através do mundo.

 

theCunhinha | 24 de julho de 2009

 

 Bom final de semana.

Norma

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Blogagem Coletiva- Sentimentos

 

raiva

 

Este texto é a minha participação na Blogagem Coletiva  Emoções e Sentimentos com o tema  Raiva  sob a organização de Glorinha do blog Café com bolo.

O que pode nos levar a sentir raiva? Este sentimento tem características comuns em todos os seres humanos? Quando e como expresso a raiva? São indagações que podem me auxiliar a escrever sobre este sentimento, não apenas como profissional das relações humanas, mas também como ser humano que sofre de todas as dores e questões da humanidade.

Para o psicólogo americano Albert Ellis, o individuo vivencia fatos e acontecimentos com dois níveis de reações: experimenta sentimentos e emoções (ser) e apresenta comportamentos (fazer), mas além desses, já se identifica também alterações físicas (pressão alta, depressão, gastrites, entre outros) e impulsos.  Mas as reações são subjetivas, variam de pessoa para pessoa. Portanto, é normal sentir raiva, a questão é como se reage ao entrar em contato com este sentimento. 

As situações que causam pressões e ultrapassam os nossos limites geram raivas.  Só há raiva por aquilo que é valorizado. Assim sendo, podemos entender a raiva como sentimento de protesto, insegurança, ou frustração.

Pergunto- me o que me dá raiva e aí vou longe….
Lembranças da menina que foi daminha de honra da prima paterna (quatro anos) com a promessa de que ganharia uma boneca e que não foi cumprida; das minhas maninhas que se uniam em suas atividades (eu era mais nova sete anos) e me excluíam; raiva, na adolescência, da colega que me enganou com meu primeiro amor; raiva do mundo quando minha avó paterna (meu ídolo) morreu e me deixou; na vida adulta, raiva das irmãs já casadas e “exploravam” minha mãe pedindo para ajudá-las com os filhos; raiva do marido, muitas vezes, quando me fazia esperar horas para sairmos; das filhas quando davam respostas grosseiras, enfim… muitas outras.  Nunca gostei de ser vítima, de ser mártir, gosto de me colocar e expressar o que estou sentindo. Muitas pessoas não conseguem expressar sua raiva e “engolem sapo” criando sérios problemas emocionais, outras vão ao descontrole e se tornam violentas.

É importante ressaltar que as raivas ao serem muito freqüentes, ou intensas, ou mesmo quando ausentes, podem ser um problema para as relações sociais e para a saúde física

Alexandre Lowen, em seu livro Medo da Vida, sinaliza que no suicídio, a pessoa executa uma ação destrutiva contra o si mesmo e contra os outros e que esse ato tem origem, em grande parte, na raiva reprimida que é dirigida contra si mesmo para magoar as outras pessoas.

Para terminar, mostro o vídeo com a banda Boka Ceka, em que o grupo canta a música Um Puro Sentimento de Raiva, que denuncia muitas situações coletivas que nos estimulam à indignação e à raiva.

 

 

Norma

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Discutindo a relação

 

As diferenças psicológicas entre os gêneros (homens racionais e práticos; mulheres emocionais e detalhistas) já foram objeto de estudo de vários autores e com diferentes objetivos e, no dia a dia da relação de casais, elas ficam visíveis e de forma negativa quando passam a significar disputas pessoais.

Cada ser humano é singular em suas vivências e percepções. Suas referências pessoais constituem-se em bagagem e direcionam suas escolhas, sentimentos e decisões.

Na vida em comum, o cotidiano é permeado pelas prioridades de cada um dos parceiros que, muitas vezes, não se dá conta de que pode estar ferindo a concretização dos projetos conjuntos.
As expectativas sobre a vida a dois podem gerar mágoas, principalmente, quando elas são implícitas, ou seja, não são verbalizadas, dando origem as idealizações.

A praticidade do homem e o detalhismo da mulher podem contribuir para dificultar a comunicação, mas não são a causa dos problemas.
Por outro lado, a culpabilização (culpar o outro) não facilita visualizar as corresponsabilidades nas situações ou problemas.

Por onde então começar? Será que se consegue aceitar a alteridade? Como chegar a um consenso sobre os problemas?

A falta de respeito mútuo invibializa os relacionamentos. O respeito pela forma de ser do outro pode ser o ponto de partida. Pode não ser simples. Mas um passo é perceber que a sua forma não é a melhor, ela pode ser a melhor para você.  O respeito possibilita a abertura às respectivas opiniões.

Empatizar (colocar-se no lugar do outro), tentar corrigir as suas próprias dificuldades, fazer negociações e tolerâncias são outros passos a serem realizados.

Não há união perfeita, nem receitas prontas.  A construção da parceria saudável encontra-se na capacidade de se  ultrapassar as dificuldades, identificando os pontos fracos e  fortes do relacionamento, dando atenção àqueles que precisam ser reforçados.

Pesquisas têm demonstrado que um relacionamento infeliz pode aumentar as chances do adoecimento e encurtar a vida. Por outro lado, parcerias felizes mantêm as pessoas mais saudáveis, pois beneficia seu sistema imunológico, promovendo a longevidade.

 Norma Emiliano

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Canção em segredo

 

Na vida,  passamos por várias etapas.  Cada uma com seu significado especial.  Passado, presente e futuro se interprenetram e  a vida com seu mistério nos impulsiona a seguir. Menina/mulher;  mulher/menina, sensível, guerreira, amante, uma secreta canção.

 

 lubpetroni | 17 de fevereiro de 2010

POEMA DE LYA LUFT COM MÚSICA NOTURNO DE JEAN PIERRE POSIT CANÇÃO EM SEGREDO …

Dentro desta mulher um anjo menino brinca de ciranda na calçada e tem fome de futuro. Dentro desta mulher uma criança se debruça na janela vendo chegar o amor e se julga imortal. Dentro desta mulher uma guerreira constrói sua vida depois de parir filhos para o mundo. Dentro desta mulher outra mulher enterra o seu amor perdido e mesmo assim espera. Dentro desta mulher o mistério das coisas finge dormir. Lya Luft In: Secreta Mirada

 

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Oferenda

 

Em qualquer situação da nossa vida nos preparamos para o encontro do eu e você.  O dar e receber encontra- se na sintonia que é percebida através da expressão facial, corporal, comportamento e palavras.  Contudo, disponibilizarmo- nos para outro só  é possível quando estamos em contato conosco.

Quando fiz minha graduação em Serviço Social,  tinha como foco as pessoas e suas questões. Mas só tomei consciência da minha  função de cuidadora quando fiz a formação em Terapia Familiar Sistêmica e inicei os atendimentos com  indivíduos, casais e familias, apesar de, anteriormente,  nas relações de amizades o meu potencial de disponibilidade  ter sido  neste sentido.

Encontrei na poesia abaixo uma forma de falar desta oferta.

 

Permite-me que eu fique
ao teu lado
neste teu momento de  dúvida e dor.

Que eu fique simplesmente,
sem nada dizer,
sem te tocar.

Ofereço meu ombro
para o teu choro,
minha mão para um afago,
um gesto para teu consolo.

Quando não tiveres
quem te ouça,
te empresto os meus ouvidos.
Fala-me de ti
sem reservas, sem medo.
Não serei juiz
dos teus feitos.

Mesmo que
não concorde com nada
do que dizes,
ainda assim, te acolho.

E quando tudo, tudo
parecer perdido
depositarei o meu afeto
em tuas mãos quebradas.

Glac Moura in Mosaico, 2004

Norma

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