Nesta segunda, 31/05, celebra-se O Dia Mundial sem tabaco, cujo tema, “Gênero e tabaco”, enfoca a mulher.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) adotou o slogan “Mulher, você merece algo melhor que o cigarro”
Várias ações serão realizadas com objetivo de alertar sobre as estratégias utilizadas pela indústria do tabaco para atrair o público e sobre os males causados ao meio-ambiente e à saúde.
Seguindo as orientações para participar da blogagem coletiva Vida Simples, inspirada por Mila’ s Ville , cujo subtema é Vida Simples no lar, escolhi como foco de olhar a Minha sala, como se dizia “antigamente” sala de refeições. Esta escolha relaciona-se a uma tradição familiar.
Na minha família de origem, creio de muitas outras pessoas da minha época, a mesa de refeição tinha papel importante nas relações familiares, inclusive com lugares especiais para os responsáveis pela família, denotando uma hierarquia.
No decorrer da minha infância e adolescência, os momentos das refeições, principalmente, aos domingos, tinha um significado de compartilhar os acontecimentos e unir os membros da família. Para mim, principalmente na infância, representava muita alegria, pois tínhamos sempre a presenças de tios e primas, dando ao dia um clima de festa. Minha avó paterna, que morava conosco, era a mobilizadora destes encontros.
Com a morte da minha avó, as reuniões do almoço de domingo permaneceram, mas só entre nós (pais e filhos). No transcorrer do tempo, com os casamentos, nascimentos dos filhos/netos, a família tornou a crescer e a tradição se manteve em volta dos meus pais. Hoje, meus pais já são falecidos e tenho meu núcleo familiar e uma filha casada.
Vivemos tempos de grandes mudanças, entre elas o hábito das pessoas realizarem suas refeições quando estão em casa, na maioria das vezes, sentadas em frente à TV e sem um horário comum a todos os membros. No entanto, com certo esforço contra o hábito atual, passei as minhas filhas a importância do hábito de fazer refeições em família, pois acreditamos que é uma forma saudável de estreitarmos nossos laços. Portanto, a sala é o CORAÇAO da minha casa, lugar onde os afetos se entrelaçam.
Neste sentido, li uma reportagem sobre o benefício desta prática referindo-se a Pesquisas norte-americanas que apontam que adolescentes, cuja família cultiva o hábito de comer reunida, têm menos problemas com drogas e indisciplina. Portanto, sentar-se à mesa e comer de maneira unida pode mudar as relações dentro de casa. Que tal olharmos a nossa sala nesta perspectiva??????
“Já não sei em que data estamos. Lá em casa não há calendários e na minha memória as datas estão todas misturadas. Me recordo daquelas folhinhas grandes, uns primores, ilustradas com imagens dos santos que colocávamos no lado da penteadeira. Já não há nada disso. Todas as coisas antigas foram desaparecendo. E sem que ninguém desse conta, eu me fui apagando também…
Primeiro me trocaram de quarto, pois a família cresceu. Depois me passaram para outro menor ainda com a companhia de minhas bisnetas. Agora ocupo um desvão, que está no pátio de trás. Prometeram trocar o vidro quebrado da janela, porém se esqueceram, e todas as noites por ali circula um ar gelado que aumenta minhas dores reumáticas. Mas tudo bem…
Desde há muito tempo tinha intenção de escrever, porém passava semanas procurando um lápis. E quando o encontrava, eu mesma voltava a esquecer onde o tinha posto. Na minha idade as coisas se perdem facilmente: claro, não é uma enfermidade delas, das coisas, porque estou segura de tê-las, porém sempre desaparecem.
Noutra tarde dei-me conta que minha voz também tinha desaparecido. Quando eu falo com meus netos ou com meus filhos não me respondem. Todos falam sem me olhar, como se eu não estivesse com eles, escutando atenta o que dizem. As vezes intervenho na conversação, segura de que o que vou lhes dizer não ocorrera a nenhum deles, e de que lhes vai ser de grande utilidade.
Porém não me ouvem, não me olham, não me respondem. Então cheia de tristeza me retiro para meu quarto e vou beber minha xícara de café. E faço assim, de propósito, para que compreendam que estou aborrecida, para que se dêem conta que me entristecem, venham me buscar e me peçam perdão. Porém, ninguém vem.
Quando meu genro ficou doente, pensei ter a oportunidade de ser-lhe útil. Levei-lhe um chá especial que eu mesma preparei. Coloquei-o na mesinha e me sentei a esperar que o tomasse, só que ele estava vendo televisão e nem um só movimento me indicou que se dera conta da minha presença. O chá pouco a pouco foi esfriando e junto com ele, meu coração.
Então, noutro dia disse-lhes que quando eu morresse todos iriam se arrepender. Meu neto menor disse:“Ainda estás viva vovó? “. Eles acharam tanta graça,que não pararam de rir. Três dias estive chorando no meu quarto, até que numa manhã entrou um dos rapazes para retirar umas rodas velhas e sequer um bom dia me deu.
Foi aí que me convenci de que sou invisível. Parei no meio da sala para ver, se me tornando um estorvo me olhavam. Porém minha filha seguiu varrendo sem me tocar, os meninos correram em minha volta, de um lado para o outro, sem tropeçar em mim.
Um dia, os meninos se agitaram e vieram me dizer que no dia seguinte todos nós iríamos passar um dia no campo. Fiquei muito contente. Fazia tanto tempo que não saía e mais ainda ia ao campo!
No sábado fui a primeira a me levantar. Quis arrumar as coisas com calma. Nós os velhos tardamos muito em fazer qualquer coisa. Assim, adiantei meu tempo para não atrasá-los. Rápido entravam e saíam da casa correndo e levavam as bolsas e brinquedos para o carro.
Eu já estava pronta e muito alegre. Permaneci no saguão a esperá-los. Quando me dei conta, eles já tinham partido e o auto desapareceu envolto em algazarra. Compreendi que eu não estava convidada. Talvez porque não coubesse no carro… Quem sabe?
Ou quem sabe, porque meus passos tão lentos impediriam que todos os demais caminhassem a seu gosto pelo bosque. Senti claro como meu coração se encolheu e a minha face ficou tremendo como quando a gente tem que engolir a vontade de chorar.
Eu até entendo. Eles vivem o mundo deles. Riem, gritam, sonham, choram, se abraçam, se beijam. E eu, já nem sinto mais o gosto de um beijo. Antes beijava os pequeninos, era um prazer enorme tê-los em meus braços,como se fossem meus.
Sentia sua pele tenrinha e sua respiração doce bem perto de mim. A vida nova me produzia um alento e até me dava vontade de cantar canções que nunca acreditara me lembrar. Porém um dia minha neta Laura, que acabava de ter um bebê disse que não era bom que os anciãos beijassem aos bebês, por questões de saúde.
Desde então já não me aproximo deles, não quero lhes passar algo mal por minhas imprudências. Tenho tanto medo de contagiá-los ! Eu os bendigo a todos, todos os dias e lhes perdôo, porque…”
“Que culpa têm eles de que eu me tenha tornado i n v i s í v e l ?”
Texto Original – El dia que me volvi invisible, de Silvia Castillejon Peral
Adaptado e produzido pela Helsan Produções
O texto acima retrata o cotidino cruel de uma pessoa idosa que pouco a pouco foi se sentindo à margem da família e da sociedade.
Em algumas culturas a velhice é vista com respeito e veneração. No entanto, na sociedade urbana moderna, com seu ritmo acelerado, marginaliza aqueles que não o acompanha. Por outro lado, o saber científico desconsidera a experiência de vida e a tradição em favor de outras formas de se determinar a verdade.
A cada ano, o número de pessoas idosas aumenta com um prognóstico de que em 2050 esse número aumentará em aproximadamente de 600 milhões a quase 2 bilhões.
Você considera que é preciso revalorizar o papel dos idosos na nossa sociedade? O que você espera da sua velhice?
NEWoceanflower2008 — 1 de dezembro de 2008 — musica: ERNESTO CORTAZAR – Corazon Solitario
“A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas”. (Marx)
Hoje, há uma necessidade premente de revermos os objetivos das ações dos homens em relação ao consumo, ao lazer, tao rabalho e, inclusive, às relações afetivas.
O video abaixo é um bom referencial de reflexão.
APRENDER A CONFIAR
samuraiproducoes — 15 de agosto de 2007 — Texto: Arnaldo Jabour Narração: Wander Iwata
Pense! Temos muitos desafios a serem superados. Precisamos (re) aprender a confiar.
Quando me dispus participar da blogagem coletiva criada por Karla do blog Misturação sobre o bullying, não sabia ao certo de que forma abordá-lo, pois alguns autores têm escrito sobre esta temática. Então, considerei como ponto de partida a premissa na qual me baseio para atender as famílias que me procuram para tratamento e/ou orientação ou seja, a família constrói a atmosfera do lar através das interações relacionais e este é o modelo que o indivíduo leva para todos os demais contextos (escola, clube, internet, entre outros). É nesse contexto que a criança constrói a sua auto-estima e se socializa.
Bullying é nome que se dá ao tipo de comportamento universal de violência, que está relacionado a uma forma de afirmação de poder através de atitudes onde a agressividade é intencional e repetitiva.
Normalmente, crianças até os 3 anos expressam comportamentos considerados agressivos (empurrar, morder, arranhar, etc.), tendo em vista que ainda não aprenderam a controlar os sentimentos de desagrado. Outro aspecto é a necessidade de chamar a atenção. Este aprendizado é dado pelos pais ou substitutos e educadores que são os responsáveis em dar limites e interferir nas diversas situações.
A manutenção do hábito agressivo é realizada, algumas vezes, pelos pais. Eles não percebem que algumas atitudes, como por exemplo, o bebê bater no rosto dos pais, não podem ser encaradas com engraçadas, pois a criança entende como aprovação.
Atitudes simples (conter a mão da criança, dar explicações sobre conseqüências da ação, demarcar o desagrado com pequenos castigos e outras) constroem limites para a criança. Portanto, é de bebê que se ensina a contenção dos ímpetos agressivos.
Quando isto não acontece este comportamento tende a continuar na sociedade, levando a rejeição de um lado e a junção entre os grupos em que impera a violência.
Um agravante para a construção da agressão entre os jovens é a família cuja forma de comunicação é realizada através da agressividade constante e com pais sem condições de serem o porto seguro para seus filhos, inclusive por divergência de opiniões sobre a educação.
Família e sociedade influenciam-se mutuamente. Portanto cabe a cada um de nós fazer sua parte, buscando uma postura na qual a gentileza, o respeito e o amor sejam o tripé para tempos melhores.
Fontes
WATZLAWICK, P. et al.Pragmática da comunicação humana. São Paulo: Cultrix, 1973
LOPES NETO, A.A. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. Jornal de Pediatria Online. Vol. 81, nº 5 (supl.), p. 164-172, 2005.
Após algumas semanas participando e interagindo com outras pessoas da blogosfera, observei que alguns trazem histórias de vidas, sentimentos intensos e marcados por dores profundas e senti vontade de dedicar este post a um tema que possa se contrapor à angustia e ao desespero. Desta forma escolhi a ESPERANÇA .
Assim, reproduzo um poema de Mario Quintana que retrata tão bem como ela se processa em nossas vidas.
“Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…”
Mario Quintana
Nova Antologia Poética“, Editora Globo – São Paulo, 1998, pág. 118.
Olá.
Sou Norma Emiliano,Terapeuta de Família. Faço atendimentos clínicos há 17 anos.Tenho paixão pelo que faço. Minhas experiências profissionais constituem a base das minhas reflexões sobre as mudanças ocorridas na sociedade e suas repercussões nos indivíduos, nas relações interpessoais e, principalmente, no interior das famílias.
Neste blog, convido o internauta a ler, refletir e a trocar idéias sobre vários assuntos apresentados em poesia, música, experiências e textos que dizem respeito à família.