Archive for abril, 2010

A diferenciação do “self” do terapeuta

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“Os acontecimentos transcorridos durante a terapia devem ser como “uma região intermediária” entre a doença e a vida real, um tipo de zona crepuscular da alma”
Mark Epstein

 
Dentre tantas históricas por que há momentos em que me sinto levada pelo clima desta ou daquela família? Por que este ou aquele membro da família irrita- me ou emociona- me; porque escolhi esta área profissional tão complexa?  Essas e muitas outras questões povoam a mente daqueles, que tem no seu cotidiano profissional, o encontro terapêutico. Esse se devidamente apreciado pode se constituir “num continuum” processo de individuação do terapeuta.

De acordo com Bowen, o desenvolvimento do ser humano é um processo de “diferenciação do self”. Esse consiste ao mesmo tempo, um conceito intrapsíquico e interpessoal.  A diferenciação intrapsíquica supõe a capacidade do sujeito de perceber sentimentos e pensamentos, diferenciando os próprios dos alheios. A diferenciação interpessoal implica no sujeito saber separar o eu do outro, podendo se ver em relação. Desta forma, ela define o termo de responsabilidade que deveríamos ter em relação ao nosso crescimento interno.

Clientes e terapeutas caminham juntos pela estrada do auto- conhecimento em busca de alternativas para saúde mental e qualidade de vida. Segundo Nietzsche “tomar posse de si mesmo é a proposta máxima do homem, que nem de longe o aproxima do inalcançável, o seu fascínio”.

Trabalhar com neutralidade é praticamente impossível.  Estamos sempre presentes com toda a nossa bagagem histórica em todas as áreas da vida.  Para poder ver, ouvir, empatizar, focar, intervir, etc., sem que as emoções pessoais se misturem com a do cliente torna-se necessário o cuidado freqüente do terapeuta com seus próprios sentimentos e ações na sessão.  Teoria e prática se fundem no encontro terapêutico em direção à individuação,

È raro recordarmos os acontecimentos traumáticos da infância. Por outro lado, somos seres de hábitos, e repetimos os comportamentos que, de alguma forma, são tentativas de passar a limpo, reparar ou negar o que nos aconteceu. O terapeuta precisa criar um ambiente no qual o paciente se sinta seguro para vivenciar os sentimentos do seu passado, possa confontá- los e redefini-los.

O processo de individuação leva- nos a libertarmos dos fantasmas e tornarmos mais flexíveis e intensos nos relacionamentos atuais, seja como terapeuta, seja como cliente.

 Norma

 

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Elos da vida

 Compartilho com vocês  alguns elos da minha vida.

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                                      AMIGA (O)S

           

Continuando a temática da amizade, duas  músicas que expressam  seu valor .

 

Canção da América.

  Nilton Nascimento

aurenicelp — 1 de fevereiro de 2008
Amigo- Roberto Carlos

iadrow — 24 de julho de 2008

Norma

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Páscoa

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 Reedição- Páscoa, tempo de reflexaõ

Estamos próximos da celebração  da Páscoa, data   importante para as principais religiões do Ocidente e também um símbolo da FAMÍLIA. Representa  o nascimento e a esperança de novas vidas.

Na Semana Santa,  ocorre a  celebração dos acontecimentos mais significativos da vida de Cristo: a ceia da despedida, a agonia , a morte e  a ressureição de Cristo. Fonte

Na cerimônia da  Santa Ceia,  a igreja cristã  proclama ao mundo sua  fé no sacrifício expiatório de Cristo em sua segunda vinda.  Contudo, ao longo do tempo, o sentido da páscoa vem sofrendo alterações.  Assim, nos meus desejos de FELIZ PÁSCOA, incluo o video abaixo que nos proporciona reflexões importantes sobre esta data.

 

 

 

“E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da Nova Aliança [ou Novo Pacto] do meu sangue derramado em favor de vós.” (Lucas 22:19-20).

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Canção amiga

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 ” Neste poema a  desejada unidade harmônica da vida”.

 

“Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
 

Caminho por uma rua
Que passa por muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
E saúdo velhos amigos.

 
Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram.
 

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
E tornei outras mais belas.

 
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças”

Carlos Drummond  (Poeta, cronista, contista e tradutor brasileiro)

 

Carlos Drummond de Andrade, consagrado poeta brasileiro nasceu em Itabira, Minas Gerais no ano de 1902.   Estudou em sua terra natal,  Belo Horizonte,  e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ.  Começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas.

Apesar de ter se formado em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925, fundou com outros escritores A Revista que foi importante veículo de afirmação do  modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934. Depois passou a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil. Faleceu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987.

 Em suas obras há  uma permanente ligação com o meio e obras politizadas. Além das poesias, escreveu diversas crônicas e contos. Seus principais temas são:  conflito social, a família e os amigos, a existência humana, as memórias da terra natal,  a visão sarcástica do mundo e das pessoas. Também foi talentoso em prosa  que se caracteriza pela riqueza e expressividade da linguagem e do tema, impregnados de senso de humor.

Em 1980 lançou as seguintes obras: A Paixão Medida, que  contém 28 poemas inéditos e A Falta que Ela me faz (crônicas e histórias).

 Fontes

 http://www.suapesquisa.com/biografias/drummond.htm
http://www.releituras.com/drummond/biografias/drummond
Antologia Poética, de Carlos Drummond de Andrade.

 

Esta foi musicada por milton Nascimento, confira.

jrccmeira — 7 de novembro de 2009

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Amizade

Bom dia leitor

Começo  a  semana  com um tema comum em nossas vidas e que se constitui em espaço de aprendizagem e  de expressão de sentimentos. Introduzindo  aqui essa temática transcrevo abaixo palavras de Mario Andrade, em carta a Drumond,  enfatizando  o alcance  coletivo da amizade e o seu valor na aprendizagem.

   “Ame os companheiros de vida mas nunca deixe de por dentro estar
   observando eles. Faca de todos o seu aprendizado continuo, nao
   pra espetaculo e pra obter prazeres infamemente pessoais porem
   pra recria-los para aproveita-los em sublimações artisticas.

Lélia Coelho Frota. Carlos & Mário -  Correspondência de Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade, Bem-Te-Vi, 2003  

 

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  A coroa do amor

Uma pessoa para compreender tem de se transformar”. Saint-Exupéry

Na infância damos os primeiros passos em direção ao outro. Esse outro, além da fronteira familiar. 

Lembrar dos primeiros dias de escolas traz as lembranças do medo de chegar mais perto, de não saber como se comportar! Entretanto, traz também as lembranças do despertar para a alegria de compartilhar no recreio. Lembrança das rodas de meninas e dos meninos, muito ressabiados, que ficavam ao longe. Muita alegria, em meio a tantas incertezas.

No desenrolar da vida, vamos traçando vários elos. De fase em fase, cruzamos nossos caminhos com vários personagens. Alguns viram ídolos, desafiam nossos limites; outros nos traem, desafiam nossos valores; outros nos aconchegam, nos protegem, desafiam nossas lealdades familiares.  Ah! Os amigos chegam e alguns se vão. Mas, as lembranças permanecem no traçado da nossa história.

A cada momento de nossas vidas, encontramos pessoas. É freqüente, classificarmos e qualificarmos de bom ou mau aqueles que nos chegam.  No censo popular, “nada acontece por acaso”, “o universo conspira”, ou seja, há a sinergia. Assim sendo, de certa forma, elas acabam desempenhando uma função para nós.

O sentimento brota! Não sabemos porque gostamos tanto de estar perto de alguns e, de outros, gostaríamos de fugir. Mas, o transcurso do tempo nos faz perceber que lidar com esses sentimentos é uma forma de aprendizagem.  Normalmente, o que nos incomoda no outro é algo que não gostamos em nós. Assim, essas pessoas nos permitem que confrontemos nossas dificuldades pessoais.

Alguns indivíduos lamentam por viverem sós, lamentam não ter, além dos vínculos familiares, outras redes. De acordo com Joseph F. Newton “as pessoas são solitárias porque constroem paredes em vez de pontes”. Somando-se a isso, o respeito pelas diferenças é vital nas relações, não se pode apenas desfrutar das semelhanças.

Cada amigo é um novo mundo. Quantas descobertas podemos fazer sobre nós!  É   nas diferenças que enriquecemos o nosso repertório e podemos nos flexibilizar para a vida, que é constante mudança. Buscamos afinidades, mas vamos encontrar as diferenças pessoais, pois cada ser é único.

É na dualidade Eu e Você que os vínculos se originam, mas nada nasce pronto. Os relacionamentos são construídos dia a dia por ambas as partes. Portanto, é   na compreensão de si mesmo e do outro, na troca de informações, de emoções que podemos crescer;  na passagem do tempo, no suceder dos acontecimentos aprendemos a perceber e a valorizar os encontros e as amizades..

Quando não há a “mesquinhez” das almas, os relacionamentos são coroados com o amor e a sua mais “pura” expressão encontra-se na amizade.

Norma

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A arte de expressar a vida

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Google Imagem

 

A vida é composta de alegrias e tristezas, de  altos e baixos. Cada pessoa tem  uma forma de ver e sentir a vida, de encarar os fatos e  de lidar com as pessoa.  

Na arte encontramos sensibilidades que nos expressam a vida.  Cecilia Meireles, conforme suas próprias palavra,  ” procuro mostrar a vida  em profundidade  (…)  por uma contemplação poética afetuosa e participante.”  (1982).  No poema abaixo, revela os motivos de sua existência como poeta e não faz distinção entre a obra e a própria vida.

 

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
cobre as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas

Cecilia Meireles

Fonte

Cecilia Meireles. Literatura comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982.

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Espetáculo beneficente

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Colaborando com a divulgação.

Eri Johnson participa da campanha com espetáculos beneficentes neste fim de semana no Teatro Abel

Eri Johnson encontrou uma maneira especial de colaborar com as vítimas das chuvas. No próximo fim de semana, atravessa a Baía de Guanabara levando a peça “Eri Pinta e Johnson Borda” para dois espetáculos beneficentes no palco do Teatro Abel, onde se apresenta há 20 anos. O ator vai doar toda a bilheteria dos dois dias de espetáculo (sábado, dia 17; e domingo, 18, às 20h) para a campanha do Abel em prol dos desabrigados. A iniciativa partiu do próprio Eri, que fez contato com a administração do teatro oferecendo a colaboração. Os ingressos variam de R$ 30,00 a R$ 100,00, e já estão à venda na bilheteria (Rua Mário Alves, 2, Icaraí), com informações pelo telefone 2195-9800, ramal 9974.

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“Amor líquido”

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O amor é uma construção histórica e, assim, nestes nossos tempos vivemos as leis do mercado  que estão  se apoderando dos sentimentos, atravessando as relações pessoais e amorosas transformando-as   em efêmeras.

Neste sentido o sociólogo polonês  Zygmunt Bauman nos traz uma valiosa análise:

“… viver juntos (“e vamos esperar para ver como isso funciona e aonde vai nos levar”) ganha o atrativo de que carecem os laços de afinidade. Suas intenções são modestas, não se prestam a juramentos, e as declarações, quando feitas, são destituídas de solenidade, sem fios que prendam nem mãos atadas. Com muita frequência, não ha congregação diante da qual se deva apresentar um testemunho nem um todo-poderoso para, lá do alto, consagrar a união. Você pede menos, aceita menos, a assim a hipoteca a resgatar fica menor e o prazo de resgate, menos desistimulante. O futuro parentesco, quer desejado ou temido, não lança a sua longa sombra sobre o “viver juntos”. “Viver juntos” é por causa de, não afim de. Todas as opções mantêm-se abertas, não se permite que sejam limitados por atos passados.

As pontes são inúteis, a menos que cubram totalmente a distância entre as margens – mas no “viver juntos” a outra margem esta envolta numa neblina que nunca se dissipa, que ninguem deseja dissolver nem tentar afastar. Não há como saber o que se vai ver quando (se) a névoa se dispersar – nem se de fato existe alguma coisa encoberta. A outra margem esta mesmo lá, ou será ela apenas uma fada morgana, uma ilusão criada pela neblina, uma fantasia da imaginação que nos faz ver formas bizarras nas nuvens que passam?

Viver juntos pode significar dividir o barco, a ração e o leito da cabine. Pode significar navegar juntos e compartilhar as alegrias e agruras da viagem,  mas nada tem a ver com a passagem de uma margem à outra, e portanto seu propósito não é fazer o papel das sólidas pontes (Ausentes). Pode-se manter um diário de aventuras passadas, mas nele há apenas uma ligeira referência ao intinerário e ao porto de destino. É possível que a neblina que cobre a outra margem – desconhecida, inexplorada – se suavize e desapareça, que venham a emergir os contornos de um porto, que se tome a decisão de atracar, mas nada disso é, nem deve ser, anotado nos registros de navegação.

A afinidade é uma ponte que conduz ao abrigo seguro do parentesco. Viver junto não representa essa ponte nem o trabalho de construí-la. O convívio do “viver juntos” e a proximidade consanguínea são dois universos diferentes, com espaço-tempos distintos, cada qual um iniverso completo, com suas leis e lógicas próprias. Nenhuma passagem de um para o outro foi previamente explorada – embora se possa, fortuitamente, defrontar-se ou chocar-se com um deles. Não há como saber, pelo menos com antencedência, se viver juntos acabará se revelando uma via de tráfego intenso, ou um beco sem saída. A questão é atravessar os dias como se esta diferença não contasse, e portanto de uma forma que torne irrelevante o problema de “colocar os pingos nos Is”

As redes de parentesco não podem estar seguras de suas chances de sobrevivência, muito menos calcular suas expectativas de vida. Sua fragilidade as torna ainda mais preciosas. Elas agora são tênues, sutis, delicadas; provocam sentimentos de proteção; fazem com que se desejem abraça-las acariciá-las e mimá-las; anseiam por serem tratadas com um carinho amoroso e não são mais arrogantes e pretensiosas como costumavam ser quando nossos ancestrais explodiam e se rebelavam contra a rigidez e a viscosidade do anelo familiar. Não se sentem mais seguras de si mesmas – a contrário, estão dolorosamente conscientes de como um simples passo em falso pode ser fatal…

Paradoxalmente – ou no fim nem tanto – os poderes de atração e enlace da parentela ganham impulso à medida que o magnetismo e o poder de controle da afinidade diminuem.

De modo que aqui estamos, manobrando, vacilantes e desconfortáveis, entre dois mundos notoriamente distantes um do outro e com pendências entre si, mas ambos desejáveis e desejados – sem passagens claramente traçadas, para não falar de caminhos trilhados entre ambos.“

Retirado do livro Amor Líquido de Zygmunt Bauman

Enfim, vivemos um tempo  de  relações fugazes, acarretando os dilemas do  desejo de uma relação estável  e a possibilidade de vivenciar a mobilidade . De forma que as relações que não satisfazem são  resolvidas com o rompimento. Essa forma de amor ( líquido ) dura enquanto durar a co-satisfação do par.

 Norma

 

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