O poeta Drummond, em seu poema Mãos dadas, afirma a consciência do outro em sua existência ( companheiro) numa percepção da importância do tempo presente.
Analisa sua experiência individual, a convivência com outros homens e o momento histórico, concluindo que o ser humano luta sempre para sair do isolamento, da solidão. Ele nos faz mergulhar nas profundezas dos signos e nos torna participantes da busca do segredo do conhecimento humano.
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considere a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Fontes
Fábio Della Paschoa Rodrigues. O Fazer Poético Em DRUMMOND
Drummond de Andrade, Carlos. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1992.
Norma Emiliano


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