“A poesia é um canto pessoal, mas também coletivo” . Fábio Rodrigues
Um das funções sociais do escritor é expressar o seu mundo. A linguagem poética constitui-se no olhar do observador. Olhar que institui um sentido para o signo ou modifica um sentido existente.
Costuma-se associar o nome de Carlos Drummond de Andrade ao Modernismo Brasileiro.
O poeta Drummond, em seu poema Mãos dadas, afirma a consciência do outro em sua existência ( companheiro) numa percepção da importância do tempo presente.
Analisa sua experiência individual, a convivência com outros homens e o momento histórico, concluindo que o ser humano luta sempre para sair do isolamento, da solidão. Ele nos faz mergulhar nas profundezas dos signos e nos torna participantes da busca do segredo do conhecimento humano.
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considere a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Fontes
Fábio Della Paschoa Rodrigues. O Fazer Poético Em DRUMMOND
Drummond de Andrade, Carlos.Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1992.
Há momentos que é importante poder olhar por outra janela
Em terapia de casais, é freqüente a queixa de que não reconhecem mais o amor que os uniu. Será que é natural o cotidiano de casal esfriar a relação e diminuir a atenção entre os parceiros?
As diversas fases da vida do casal trazem tarefas, absorvem os parceiros, enraízam hábitos, as novidades são abandonadas e o amor se transforma em tédio. Como entender este processo?
O indivíduo tem a tendência de naturalizar as situações gerando automatismo de suas ações e, assim, vai tornando-se insensível. O estranhamento desaparece. Esta naturalização ocorre como mecanismo de defesa pela necessidade do homem de sentir-se seguro. De outra forma, as diferenças pessoais atuam com muita freqüência como disputas pessoais causando conflitos e mágoas. Estas mágoas, muitas vezes, agravam-se, quando o indivíduo percebe os demais como extensão de si mesmo; as diferenças entre as pessoas, desta forma, não são reconhecidas. Somam-se a estes fatores o incentivo da sociedade atual ao individualismo e à busca do prazer momentâneo, dificultando o fortalecimento e valorização dos vínculos. Ao surgir um obstáculo na relação, ocorre o desvio da atenção e a mudança do objeto de amor.
Há como reverter este processo?
Por seu dinamismo, os relacionamentos necessitam de reajustes constantes. Assim sendo, a naturalização exacerbada precisa ser rompida e para tal é necessário refletir-se sobre como lidar com o que está a sua volta. O auto-conhecimento e diálogo são essenciais e as diferenças entre as pessoas precisam ser reconhecidas e respeitadas. O cultivo bilateral dos vínculos amorosos e sociais enraíza a cumplicidade e o companheirismo; a relação não pode ser uma via de mão única. Ambos precisam estar lado a lado. Enfim, o cuidado diário das relações é uma peça fundamental desta engrenagem. Nas palavras dos poetas “entregue-se ao momento, deite-se de costas, reveja o céu e deixe- se ir.” Enfim, cuide bem do seu AMOR.
A realidade é feita de tudo que se acredita e/ou se imagina.
A família, o casal ou o indivíduo chega ao consultório trazendo em suas expressões faciais e corporais, suas dores. Suas queixas trazem os obstáculos que a vida lhe produz e a forma como são percebidos e enfrentados.
O foco da visão clínica do profissional que se baseia nos fundamentos da Terapia Familiar Sistêmica é o inter-relacional. Assim sendo, de acordo com esta perspectiva, a terapia não é uma intervenção centrada em um indivíduo “doente”, mas um ato de participação e crescimento num grupo com uma história. (Andolfi, 1989). Desta forma, o individuo é visto como produto de suas relações e a família é considerada uma unidade, em que todas as partes estão ligadas, interagindo- se. Portanto, para compreender o indivíduo e os seus problemas realiza-se uma apreciação do seu contexto familiar.
De acordo com Groisman (1991)“observando-se o funcionamento da família, percebe-se que, ao invés de um dos membros representá-la, cada um deles começa a falar de si mesmo entrelaçando o outro na comunicação. É o encontro do comigo com o consigo”.
O processo terapêutico ocorre em um trabalho conjunto (entre o cliente e o terapeuta), tendo como foco a autonomia, que engloba o pertencer (fazer parte) e separar-se (individuação); o desenvolvimento da consciência do padrão de funcionamento, de suas dificuldades, das escolhas e responsabilidade e a mudança do que ocasiona as questões (pautas disfuncionais). Assim, favorece-se uma variedade maior de estratégias de funcionamento.
No tratamento ganham destaque as relações do indivíduo consigo mesmo e entre os indivíduos. Cada cliente é um universo único. Sua visão de mundo, de si próprio e de suas relações precisa ser compreendida sem contaminação das experiências do terapeuta. Cada ser humano enfrenta as diversas situações da vida de forma peculiar, tendo em vista que as interpretações e reações baseiam-se na história de vida, nas crenças e nos valores.
As intervenções do terapeuta ocorrem através da comunicação verbal, de exercícios reflexivos, da prescrição de tarefas e da relação terapêutica. Nas sessões a relação terapêutica é relevante como modelo de mudanças.
A diferença deste enfoque é que o sintoma é visto como ponto de partida, tendo como foco as relações que o produzem e o mantêm.
O encontro e o diálogo possibilitam a apreensão da atitude do homem como ser relacional. O processo terapêutico favorece ao cliente (família, casal, indivíduo) ter uma visão global da situação e uma preparação para elaborar um caminho próprio com base na sua liberdade de escolha. .
Não se podem transportar as experiências pessoais, percebê-las como comum a todos. Elas são tão singulares que o máximo que se pode fazer é senti-las em sua plenitude e transformá-las em fonte de aprendizado para o crescimento pessoal e relacional.
Norma Emiliano
Uma bela metáfora sobre o cuidado pessoal que li e compartilho com você leitor
“Havia um homem muito rico, possuidor de vastas propriedades, que era apaixonado por jardins. Os jardins ocupavam o seu pensamento o tempo todo e ele repetia sem cessar: “O mundo inteiro ainda deverá se transformar num jardim. O mundo inteiro deverá ser belo, perfumado e pacífico. O mundo inteiro ainda se transformará num lugar de felicidade.” Suas terras eram uma sucessão sem fim de jardins, jardins japoneses, ingleses, italianos, jardins de ervas, franceses. Era um trabalhão cuidar dos jardins. Mas valia a pena pela alegria. O verde das folhas, o colorido das flores, as variadas simetrias das plantas, os pássaros, as borboletas, os insetos, as fontes, as frutas, o perfume…
Sozinho ele não daria conta. Por isso anunciou que precisava de jardineiros. Muitos se apresentaram e foram empregados. Aconteceu que ele precisou fazer uma longa viagem. Iria a uma terra longínqua comprar mais terras para plantar mais jardins. Assim, chamou três dos jardineiros que contratara, Paulo, Hermógenes e Boanerges e lhes disse: “Vou viajar. Ficarei muito tempo longe. E quero vocês cuidem de três dos meus jardins. Os outros, já providenciei quem cuide deles. A você, Paulo, eu entrego o cuidado do jardim japonês. Cuide bem das cerejeiras, veja que as carpas estejam sempre bem alimentadas… A você, Hermógenes, entrego o cuidado do jardim inglês, com toda a sua exuberância de flores pelas rochas… E a você, Boanerges, entrego o cuidado do jardim mineiro, com romãs, hortelãs e jasmins.” Ditas essas palavras ele partiu. O Paulo ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim japonês. O Hermógenes ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim inglês. Mas o Boanerges não era jardineiro. Mentira ao se oferecer para o emprego. Quando ele viu o jardim mineiro ele disse: “Cuidar de jardins não é comigo. É trabalho demais…” Trancou então o jardim com um cadeado e o abandonou. Passados muitos dias voltou o Senhor dos Jardins, ansioso por ver os seus jardins. O Paulo, feliz, mostrou-lhe o jardim japonês, que estava muito mais bonito do que quando o recebera. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu. Veio o Hermógenes e lhe mostrou o jardim inglês, exuberante de flores e cores. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu. Aí foi a vez do Boanerges. E não havia formas de enganar.“Ah! Senhor! Preciso confessar: não sou jardineiro. Os jardins me dão medo. Tenho medo das plantas, dos espinhos, das taturanas, das aranhas. Minhas mãos são delicadas. Não são próprias para mexer com a terra, essa coisa suja… Mas o que me assusta mesmo é o fato das plantas estarem sempre se transformando: crescem, florescem, perdem as folhas. Cuidar delas é uma trabalheira sem fim. Se estivesse no meu poder, todas as plantas e flores seriam de plástico. E a terra seria coberta com cimento, pedras e cerâmica, para evitar a sujeira. As pedras me dão tranquilidade. Elas não se mexem. Ficam onde são colocadas. Como é fácil lavá-las com esguicho e vassoura! Assim, eu não cuidei do jardim. Mas o tranquei com um cadeado, para que os traficantes e os vagabundos não o invadissem.” E com estas palavras entregou ao Senhor dos Jardins a chave do cadeado. O Senhor dos Jardins ficou muito triste e disse: “Esse jardim está perdido. Deverá ser todo refeito. Paulo, Hermógenes: vocês vão ficar encarregados de cuidar desse jardim. Quem já tinha jardins ficará com mais jardins. E, quanto a você, Boanerges, respeito o seu desejo. Você não gosta de jardins. Vai ficar sem jardins. Você gosta de pedras. Pois, de hoje em diante, você irá quebrar pedras na minha pedreira…”
Rubem Alves
Gaiolas ou Asas – A arte do voo ou a busca da alegria de aprender . Porto, Edições Asa, 2004
Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente,
e a pele translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons e ruins
(carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia).
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,
que busca te agradar, quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso te dar muito mais do que beleza e juventude agora:
esses dourados anos me ensinaram a amar melhor,
com mais paciência e não menos ardor,
a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo a força – que vem do aprendizado.
Isso te posso dar: um mar antigo e confiável
Cujas marés – mesmo se fogem – retornam,
Cujas correntes ocultas não levam destroços
Mas o sonho interminável das sereias.
A vida tem os seus ciclos e os indivíduos também. No processo terapêutico com o enfoque sistêmico é de extrema importância a compreensão das demandas de cada faixa etária, bem como lidar com ela.
As pessoas são seres de hábitos e lutam para manter a estabilidade emocional, pessoal e profissional. Assim, fazem o possível para que nada se modifique (homeostase), mesmo que tenham sensação de desconforto e de tédio. O desconhecido assusta e mantém a estagnação.
Carter e McGoldrick (1995) utilizam o termo ciclo de vida familiar para definir as etapas evolutivas pelas quais as famílias e os indivíduos passam, baseando-se no tempo e nas novas condutas necessárias a cada período de desenvolvimento atingido. Neste sentido, quando há a paralisação em algumas das etapas surge uma “crise”.
A visão temporal da família através de seu ciclo evolutivo contribui para atribuir um significado positivo à palavra “crise”. A crise como possibilidade de mudança (transição), pois a desorganização decorrente dela traz alterações de um estado anterior para outro, desenvolve novas perspectivas, reflexões e criatividade para a realidade presente.
O processo terapêutico baseado no modelo de transição contribui para aumentar as possibilidades de ajuda aos indivíduos.
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu….
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora…
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te :
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão…
Fernando Pessoa
Carter, B. & McGoldrick, M. (1995). As mudanças no ciclo de vida familiar (M. A. V. Veronese, Trad.). Porto Alegre, RS: Artes Médicas. (Original publicado em 1989
“Envelhecer bem é aceitar a velhice como um bem. Para atingir a sabedoria e a serenidade e para inventar uma nova maneira de viver, é preciso ter sido capaz de adaptar-se ao longo da vida. Na medida em que se soube viver, também se deve saber e ser capaz de envelhecer” (apud Duarte, 2000)
De acordo com levantamentos estatísticos, o envelhecimento populacional é uma realidade. Contudo no decorrer dos séculos a sociedade não tem dado a devida atenção a esta questão.
Em nossa sociedade, temos uma visão distorcida e preconceituosa em relação à velhice, sendo valorizado o que é novo e bonito. Assim sendo, a importância da memória histórica e da cultura se perde fazendo com que os mais velhos se sintam alienados e discriminados, à exceção daqueles mais célebres. Dentro deste contexto, encontramos grande dificuldade, entre a maioria das pessoas, de aceitarem o seu envelhecimento ou mesmo de se submeterem a um processo de descoberta pessoal.
Ao considerarmos o envelhecimento um processo que se inicia a partir do nascimento e evolui até a morte sem interrupções, constatamos que ele apresenta constantes transformações.
A forma de envelhecer é peculiar a cada indivíduo. Mas algumas situações e problemas surgem nessa etapa da vida, como por exemplo: síndrome do “ninho vazio” (momento que os filhos saem de casa), a morte de pessoas queridas, aposentadoria, doença, etc. que vão exigir uma reorganização.
Ao longo do ciclo evolutivo, o ser humano desempenha diversos papéis, tais como: filho, aluno, marido, pai, professor, amigo, avô, vítima, dependente, etc, que se formam em função da posição que se adota. Eles são determinados pelo contexto e compreendem uma interação entre as pessoas. Entretanto, a reformulação ou criação de novos papéis, no decorrer das mudanças durante a vida das pessoas, está ligada à possibilidade do abandono, ou seja, que o espaço ocupado por aquilo que se perdeu seja abandonado. Por exemplo:a mulher dependente do marido que fica viúva, precisa abandonar o papel de dependente para assumir seu novo papel de administradora das finanças.
A reação diante do novo varia de pessoa para pessoa, cada um tem seu próprio ritmo, entretanto a dificuldade de assumir um novo papel pode se expressar através de sintomas e pode levar a uma vida empobrecida.
Normalmente, considera-se que o envelhecer seja ficar estagnado aos papéis conhecidos e não ousar em coisas novas que possam levar a outros papéis. Nesta perspectiva, a terapia do idoso visa desencadear uma mudança, favorecendo o entendimento de características da sua personalidade, das razões que o fazem agir e/ou reagir diante de determinados estímulos, bem como levá-lo a resolver seus temores e a abrir- se para a conquista de novos papéis.
Cabe observar que podem se utilizadas quatro modalidades: terapia individual com idosos, a terapia de casal na terceira idade, o atendimento familiar com membros idosos e o idoso percebido como recurso à terapia familiar.
No desenrolar do tempo, a imagem perfeita sofre mudanças. De quilo em quilo o conflito com a imagem do espelho. Dietas mis começam a ser percorridas. Remédios milagrosos administrados. E entre idas e vindas a gordura incomoda e a arrasta. Muita dor! Perde-se através do espelho.
Na história humana, as influências sócio culturais permeiam o conceito de beleza. O filósofo grego Platão dizia que o belo residia no tamanho apropriado das partes, que se ajustavam de forma harmoniosa no todo, criando assim o equilíbrio, ideal personificado na rainha egípcia Helena. No século XVIII, nasce a disciplina filosófica denominada de estética e que se ocupa do belo e da arte Na segunda metade do século XIX, as explicações sobre a natureza da beleza tomaram outro rumo. Charles Darwin a definiu como um fator biológico necessário à reprodução dos animais e garantia de filhos saudáveis. Atualmente, a aparência física é ressaltada não apenas no terreno do amor e do sexo, mas em todos os relacionamentos pessoais.
As mudanças de época trazem diferenças e, hoje, a massificação pela mídia distorce valores. Presenciamos o império da vaidade. Busca-se a excelência das formas. O corpo é massacrado pela indústria e pelo comércio. A auto estima fica à mercê do outro. Como conseqüência o indivíduo distancia-se de si mesmo, do amor próprio.
O cuidado pessoal é fator relevante para uma vida com qualidade, mas esse precisa ter como referencial a auto-estima, o amor-próprio. O conhecimento do verdadeiro valor, do seu próprio potencial, o autoconhecimento levam à adequada valorização das características pessoais, trazendo ao espelho o reflexo de harmonia pessoal que “(…) dá a satisfação em enxergar a beleza sobremaneira transcendente e digna de exaltação”. Junior A.
Olá.
Sou Norma Emiliano,Terapeuta de Família. Faço atendimentos clínicos há 17 anos.Tenho paixão pelo que faço. Minhas experiências profissionais constituem a base das minhas reflexões sobre as mudanças ocorridas na sociedade e suas repercussões nos indivíduos, nas relações interpessoais e, principalmente, no interior das famílias.
Neste blog, convido o internauta a ler, refletir e a trocar idéias sobre vários assuntos apresentados em poesia, música, experiências e textos que dizem respeito à família.