Archive for fevereiro, 2010

Pausa carnavalesca

 Agradeço sua visita.

Os dias de carnaval inspiram folia para muitos, o descanso para alguns e para  outros viagens e passeios. Portanto, é um momento de pausa em nossas rotinas.

As atualizações ficarão suspensas até o dia 17 de fevereiro. Mas se desejar,  faça deste espaço instante de pausa e reflexões.  Aproveite o arquivo do blog e deixe seus comentários.

Bom carnaval

  

Tauil
3 de abril de 2009

Tags: , ,

Relação com o tempo

linha_tempo

 

Em visita a um centro cultural, ao percorrer as diversas galerias de fotos, ressurge – me o impacto da ínfima presença de cada ser nessa esfera terrena. Vêem-se figuras célebres, históricas, seus trajes, paisagens, costumes, enfim, tempos vividos e finitos. Surge-me uma estranha sensação. Mergulho no tempo e no retorno à superfície percebo a dificuldade de respirar; não sei se pela imensuralidade da vida e seu fluxo ininterrupto ou pela certeza de que muitas mudanças virão e que eu, ser desta época, não as alcançarei.

Em curto espaço de tempo surge um turbilhão. O mundo gira numa velocidade tamanha que nós, seres humanos, sentimo-nos atordoados e com sentimento de perdas constantes. Nada é usufruído com intensidade, pessoas cruzam com tanta ligeireza e impessoalidade nossos caminhos que mal conseguimos tocá-las. Sim! Agora me dou conta de que a estranha sensação provém da consciência de tudo virar pó.

Filhos, netos e bisnetos são desdobramentos geracionais, trazem em si marcas das histórias. Vivo, reflito, escrevo e revejo minha trajetória. Não sei se por orgulho ou por desejo de ser infinita, mas anseio deixar legado à humanidade. No entanto,  já dizia Drumonnd “Na noite do sem fim, breve o tempo esqueceu minha incerta medalha, e a meu nome se ri”.

Qual será a vitalidade de um legado?  Das suas múltiplas apropriações, em se ter porta-vozes que possam reinventá-lo ou de instituições que o preserve?
È difícil para nós, seres pensantes e apegados uns aos outros e sensíveis à beleza da vida, nos imaginar fora dela. A vida pós-morte é um mistério. Acredita-se, fala-se, estuda-se sobre ela, contudo nada é comprovado. A reação à morte, principalmente entre os ocidentais, é de grande sofrimento, mesmo para aqueles que possuem fé religiosa. 

O ser humano não tem sido a melhor espécie desse universo, na medida em que vem destruindo o meio ambiente e se autodestruindo. Mas ainda o melhor legado é a própria vida tão bem ressaltada nas palavras de João Cabral de Melo Neto “vê-la desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela mesma teimosamente se fabrica: vê-la brotar em uma nova vida explodida”.

 

Tags: , , , , ,

Carnaval- Um recorte de alegria

Aproximamo- nos de uma data em que a folia embala o cotidiano de um  significativo número de brasileiros. Nesse sentido, considerei propício trazer um texto que aborda essa data  através do tempo e de algumas expressões do núcleo familiar.

carnaval

Google Imagem

 

Um recorte de alegria

“Quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão….” essa e muitas outras canções remetem- me aos anos idos. Anos de magia, de muitos confetes e serpentinas. Anualmente, a chegada do carnaval trazia  aos lares, às  ruas  um novo colorido. Ensaios dos blocos, escolha das fantasias, enfeites nos postes antecediam a grande festa. Época de simplicidade, de calor humano entre vizinhos e ida aos clubes em família. Essas são lembranças minhas.

No meio da multidão, as máscaras; personagens ediondos, assustadores corriam de lá para cá, detinham- se juntos as crianças. Isso era amendrontador. Mas passageiro. Muitos faziam questão de mostrar o rosto após o primeiro impacto. Nos blocos, faziam- se alas de moças, de rapazes e crianças. Em sequida, vinham os pais, os responsáveis, que zelavam por sua família e se divertiam. Festa do povo. Muita animação. Três dias de folia.

Os bondes cheios traziam na parte traseira um grupo de instrumentistas.  Com ou sem fantasias as pessoas cantavam e dançavam animadamente ao som de sambas e marchinhas. A festa acontecia  em vários lugares de dia e de noite. Pela noite, os jovens voltavam, muitas vezes, a pé, dos grandes bailes carnavalescos. Muita paquera, lança perfume e alegria.

Um mundo mágico, três dias em que novos personagens tomavam conta do cotidiano: pierrô, arlequim, colombinas, príncipes, morcegos, diabos, bailarinas, homens vestidos de mulheres, mulheres vestidas de homens.

Nas tardes, os desfiles das fantasias infantis. Nas noites, os desfiles dos blocos. Feliz, empertigada na minha colombina, via – me no espelho. Lábios rubros, olhos pintados de azul. Tudo era novidade; meninas até seus quinzes anos não se pintavam. Os cabelos eram carinhosamente enrolados em papelotes por minha avó e ao se soltarem mostravam seus belos cachos. Minhas irmãs  ( mais velhas do que eu)  e suas amigas na sala  contavam as emoções da noite anterior. Meu pai tentava descansar para que à noite pudesse acompanhar “o seu rebanho”. Mas minha mãe ali estava dando conta de aprontar sua menina para o desfile.

Lembranças minhas que trazem uma época de vida em família, do compartilhar da magia do carnaval em que o maior sentido era a diversão. Lembranças das músicas que diariamente enchiam os lares.  Compositores  e artistas detinham- se  na nas belas e frenéticas composições carnavalescas.

Na retomada do tempo, pode-se traçar uma linha e pontuar as transformações. No sentido do carnaval, na entrega à folia, na união dos grupos, na participação comunitária, nos valores da família, no sentido da vida.  “Cidade maravilhosa cheia de encantos mis, cidade maravilhosa coração do meu Brasil”.
 
Norma Emiliano

Tags: , , ,

Sobre carnaval

 orkut_carnaval012Google Imagem

Segundo conta a história, em Roma, em louvor ao deus Saturno, comemoravam-se as Saturnais. A importância desses festejos eram de tal porte que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados, as pessoas saíam às ruas para dançar.

Na abertura dessas festas, carros em forma de navios saíam na “avenida”, com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis. Dizem  que daí saiu a expressão carnevale.
 
O costume de se brincar no período do carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses, provavelmente no século XVI, com o nome de Entrudo.  Essa palavra  vem do latim introitus  que designa as solenidades litúrgicas da Quaresma.

As pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos, farinha, fuligem, cal, pó-de-sapato, alvaiade e vermelhão, que empapavam o transeunte . Esse acontecia num período anterior a quaresma e portanto tinha um significado ligado à liberdade.

No Brasil, o entrudo chegou por volta do século XVII sob a influencia das festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo, de origem européia, também foram incorporados ao carnaval brasileiro.

No Brasil, no final do século XIX, surgem os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos “corsos”.  As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.

No século XX, o carnaval cresce e torna-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu devido às marchinhas carnavalescas.

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar que anos mais tarde transformou-se na escola de samba Estácio de Sá.  A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatosde beleza e animação.

De acordo com, Cavalcanti (1983) no Brasil no carnaval, as posições sociais são invertidas dando a essa festa nacional uma grande importância por sua popularidade unindo uma grande parcela da nação em uma mesma “corrente” de confraternização.

 

Fontes

http://artes.com/carnaval/historia.html
http://www.karnaval.com.br/c_origem_e_historia/index.html
Cavalcanti.L.M D. O carnaval na poética de Manuel Bandeira. Darandina Revista Eletrônica.Programa de Pós-Graduação em Letras / UFJF – volume 2 – número 1. 1983

Tags: , ,

Bom final de semana

No calor desses nossos dias, ofereço a você o frescor em  forma de imagem e de poema.

estanciamimosa01

 

4º Motivo Da Rosa (Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim

Tags: , ,

Identidade

0061

Google Imagem

 

O nascimento de um ser não é o suficiente para que esse ocupe um lugar no mundo.

Muitas pessoas têm filhos sem planejamento ou mesmo sem motivos. É a partir  dessa premissa que ocorre o nascimento de Carlota, fruto de um caso efêmero. Filha de mãe solteira, que após um tempo de indecisão, opta pela gestação.

Ao longo dos seus primeiros sete anos vive ao lado da mãe e de um irmão, oriundo de outro relacionamento materno. Algumas vezes, Carlota ouvira a mãe dizer que não havia querido seu nascimento. Acostumou- se  a ganhar coisas usadas e a pouca organização. Aos quatro anos foi apresentada ao pai e passou a ter contatos esparsos com a família paterna (avó e tia); aos sete anos decidiram  que iria morar com o pai. Este era casado há cinco anos e tinha uma filha. Desse modo, foi inserida nesta família, e os sentimentos de rejeição, medo e exclusão irão permear seu cotidiano.

A construção da identidade ocorre através de influências de características adquiridas da personalidade,  da identificação com outras pessoas e de valores sociais. A identidade é uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o indivíduo está solidamente comprometido. Desta forma, os  hábitos, valores, limites, crenças vão sendo incorporadas no cotidiano infantil a partir de suas interações, principalmente com os pais e irmãos.

Entre expectativas e frustrações, entre amor e ódio, entre submissão e rebeldias os fios da mentira,  desconfiança e o medo foram sendo tecidos.

No decorrer de seis anos, retornou à casa materna por três vezes. Em todos os  retornos à casa do pai, as roupas esquecidas na casa da mãe eram motivos de conflitos com o pai. Todavia, não tinha nem um armário que fosse só seu. Dividia – o com a irmã. Seu material, roupas eram comprados sem sua opinião. O pai constantemente  lhe batia por pegá- la em mentiras.

As redes formadas pelos laços familiares constroem o pertencimento. Entretanto,  em meio a dois mundos conflituosos, que atitudes tomar? Como se comunicar? Como agradar?

Transitar entre duas residências não é questão. O que pode construir um problema é como cada um dos respectivos pais lidam com as suas diferenças e conflitos. Aquele que tenta afastar o filho do convívio de um dos genitores pode perder a confiança do filho.

Ajudar Carlota a construir sua identidade e auto-estima significa entender seus conflitos de lealdades, seus sentimentos de rejeição e exclusão. Significa ter regras claras de convivência; realizar mudanças concretas no atual espaço (moradia);  fazer sua inserção em projetos cotidianos da família; empatizar e apoiar seus conflito criando um clima de afeto e confiança para que ela possa transitar entre estes dois mundos e se enriquecer com as diferenças e não ser punida. 

 Ambientes e regras internas distintas constroem pessoas mais flexíveis; característica de grande valor nos dias atuais, tendo em vista que  o sujeito pós-moderno encontra- se  diante de uma  variedade de novidades.

Norma Emiliano

Tags: , , , ,

Saúde Mental- Rubem Alves

SADE_M~1

Google Imagem

 

Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.

 Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se.Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa… Não, saúde mental elas não tinham… Eram lúcidas demais para isso.Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvir falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente “equipamento duro”, e a outra denomina-se software, “equipamento macio”. Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades “espirituais” – símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo “espirituais”, sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda.Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele.Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!

Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio:
A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou… Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, “saúde mental” até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes.

A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música… Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contra-indicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal.

Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram…

 

Rubem Alves, “Sobre o tempo e a eternidade”. Campinas: Speculum/Papirus. 164p.

Tags: ,

O desafio cotidiano- Atitudes e Sentimentos

 equilibrio

Google Imagem

 

“Hoje, na crise do projeto humano, sentimos a falta clamorosa de cuidado em toda parte”. Boff

Como você enfrenta os diversos desafios que a sociedade contemporânea tem acarretado à qualidade de sua vida? Como você vivencia este enfrentamento?

Para iniciarmos esta reflexão, cabe observar que vivemos num mundo globalizado, no qual estamos conectados concomitantemente a várias pessoas e situações.  Tempo e espaço se confundem.

A revolução nos meios de informação, mídia e tecnologia remete nosso pensar, refletir e agir sobre nossas atitudes e sentimento na construção do bem-estar. 

As interações socais são permeadas pelas relações de produção e de consumo; os padrões de convivência urbana se transformam;  o tempo destinado ao trabalho aumenta; a família pouco se reúne para compartilhar sobre o cotidiano. Há  uma queixa comum da dificuldade nos relacionamentos entre os parceiros e entre pais e filhos. Por outro lado, observa-se que  limites que separam crianças e adultos estão desaparecendo.

Na análise de Jurandir Freire Costa (1994; 1995), no perfil da sociedade brasileira, identificam-se quatro atributos que a compõem: o cinismo, a delinqüência, a violência e o narcisismo. Destaca em sua análise que a transgressão à regra dá uma ilusão, em nossa sociedade, de que podemos ficar impunes. No entanto, “quando o ser humano não tem mais a regra subjetiva que lhe faça ver no outro semelhante, ele não experimenta pelo outro nenhuma preocupação, nenhuma consideração. O outro é um estranho”. (Costa, 1994: p. 12).

Diante do exposto, podemos indagar qual o sentimento tem predominado no seu cotidiano; como este sentimento tem repercutido no seu corpo, nas suas ações e interações?

Será que o medo e o sentimento de impotência têm predominado causando tensões e dores no seu corpo distanciando-o das relações interpessoais? Ou pelo contrário, o otimismo e a garra pela realização dos seus sonhos são predominantes? Ou, ainda, você encontra-se no meio termo, com medo, mas sem desistir da luta por um solo mais fértil?

De acordo com os filósofos gregos, a ética deveria ajudar o homem a se transformar, de modo a obter para si o que o universo nos revela: ordenação, circularidade e beleza.

No filme Encontro de Casais, observa-se diversas facetas do comportamento de indivíduos e casais que os levam à alienação total dos seus reais problemas e sentimentos. Ele traz a mensagem de que a vida perfeita não existe e que os problemas precisam ser percebidos e confrontados.  Indo além, assinalo que é no cotidiano que tecemos os fios de atitudes que podem construir sentimentos mais propícios ao bem-estar pessoal e relacional. Pense sobre isto.

Norma Emiliano

Referências bibliográficas:

Costa, J. F. A ética e o espelho da cultura. Rocco, Rio de Janeiro, 1995.

________ Vida: um princípio básico no bem-comum e na ética do convívio. Revista Proposta. N. 60. P. 10-15. 1994

Tags: , , ,

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes