Archive for fevereiro, 2010

Eros e psique- Fernando Pessoa

 

Bom dia,  caro leitor

Final de semana, pausa merecida, mas para este nosso encontro vem Fernando Pessoa  com sua poesia,  ilustrando  a travessia do conhecimento do si próprio, pois  o que procuramos está dentro de nós.

 

  Eros e Psique
deldebbio | 1 de maio de 2009

 
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

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Debate- A outra

A  outra, amante do homem casado  ou com outro compromisso, é um personagem muito presente no cotidiano de muitas famílias e,  constantemente, explorado nos roteiros de filmes, livros e telenovelas.

Como você, a partir do texto Mundo à parte e da música apresentada no video abaixo, entende a questão?

brunolimabh
3 de janeiro de 2007

Eu sou a outra

Ele é casado e eu sou a outra,
Na vida dele,
Que vive qual uma brasa,
Por lhe faltar
Tudo em casa.

Ele é casado e eu sou a outra,
Que o mundo difama,
Que a vida, ingrata, maltrata,
E, sem dó, cobre de lama.

Quem me condena,como se condena
Uma mulher perdida,
Só me vêem na vida dele,
Mas não o vêem, na minha vida.

Não tenho lar, trago o coração ferido,
Mas tenho muito mais classe,
Do que quem não soube prender o marido.

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Mundo à parte

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Na penumbra da sala, uma mesa bem posta. No ar o perfume das flores. Ao fundo, um casal envolvido ao som de “Em algum lugar do passado”. Esse é um cenário perfeito ao romance.

O desejo de amar e de ser amado faz parte da condição humana. Todavia, em nome desse amor, a vida traz para muitos, principalmente, para as mulheres, uma condição de se manterem em um segundo plano. Mas, nem sempre é esse (amor) o considerado como o vilão da história. Ser a outra traz alguns estigmas e configura para a relação um mundo à parte.

Alguns autores, entre eles Elza Berguó, já mencionam a hipótese de que há no Brasil uma poligamia disfarçada. Apontar-se para o maior número de homens em comparação ao de mulheres é limitar a compreensão dessa questão.

No jogo da sedução, no lugar de amante, as fantasias dominam.  Na relação distante a idealização predomina. Não se conhece a pessoa como ela é realmente. Promessas são feitas. Feitas em palavras que quase nunca se transformam em atos.

A aproximação das pessoas se dá por vários fatores. Há mulheres que por serem comprometidas e se sentirem entediadas da rotina consideram mais confiável se relacionarem com homens também comprometidos. Há outras que namoram homens comprometidos por desejarem a liberdade; outras dedicam sua vida, com uma eterna lealdade, ao homem que se divide entre a família e a amante. Essas se sentem “importantes”, pois são “o refúgio” de homens “infelizes” no casamento. Sejam quais forem as motivações, normalmente, surge a esperança de que em algum dia ele a escolherá definitivamente (quando perceber que não pode viver sem ela, quando os filhos crescerem, quando a mulher melhorar de saúde, quando…etc.).

Estar em cena, só quando é possível e/ou entre quatro paredes, distante dos olhares de conhecidos, pode trazer sentimentos contraditórios (insegurança, ciúme, culpa) que acabam intoxicando a alma e o corpo. Segundo Beauvoir, “esperar pode ser uma alegria.(…) mas passada a embriaguez confiante do amor(…) misturam-se ao vazio da ausência os tormentos da inquietação”.

Além disso, há também a possibilidade de a mulher sofrer violências, desde físicas até a violação da intimidade do lar, no momento em que a esposa entra em cena, tentando afastar a “intrusa” do seu marido. Mas, nem sempre esses fatores são considerados relevantes.

Nas histórias cinematográficas pode-se observar que existem a artista principal e a amiga. Na sua história de vida você pode escolher qual será o seu papel. Neste sentido, algumas perguntas podem ser norteadoras dessa escolha, ou seja: O que deseja da relação, quais seus projetos, que tipo de homem quer ao seu lado? Enfim, nada deve se sobrepor ao seu compromisso com você mesma. O encontro com o parceiro, mesmo que perdure, é contingente.  O nós não deve ocupar todo o espaço, pois é no Eu e Tu, individualizados, que se confirma a mútua escolha de uma parceria.

Norma Emiliano

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“Fim da casa paterna” Carlos Drummond de Andrade

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Poema que revela os conflitos que atravessamos no processo de individualização.

 
“Vou dobrar-me à regra nova de viver.
Ser outro que não eu,
até agora musicalmente agasalhado
na voz de minha mãe, que cura doenças,
escorado no bronze de meu pai, que afasta os raios.

Ou vou ser menos, talvez isso,
apenas eu unicamente eu,
a revelar-me na sozinha aventura em terra estranha?

Agora me retalha o canivete desta descoberta:
eu não quero ser eu, prefiro continuar objeto de família”.

Drumond

Em Esquecer para lembrar (Boitempo III). R. de Janeiro: J. Olympio, 1979.

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A incerteza do amanhã

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A sua queixa é a freqüente insatisfação, o sintoma é a depressão. Não consegue entender seus sentimentos; sente-se paralisado. Muitos são os motivos que impulsionam as atitudes humanas e muitas delas são conscientemente desconhecidas.

O conjunto de comportamentos que vincula as pessoas umas as outras formam importante ligação entre elas e gera o que podemos denominar de apego. Assim, as experiências relacionais infantis vão determinar as futuras representações de si mesmo e dos outros. A visão do homem é restrita, parcial e limitada criando o apego às coisas próximas conhecidas. Contudo, a vida nos é ofertada e nos confrontamos com a sua impermanência.

O apego humano, apesar de ser indispensável ao desenvolvimento da criança, condiciona e limita a vida das pessoas por elas desejarem a constância e permanência de coisas e pessoas. Desta forma, muitas causas de infelicidade, conflitos e tensão estão vinculados ao apego. Os desejos do homem são incessantes e daí surgem as frustrações por não se obtê-los, por não se conseguir o suficiente, por possuir algo que não se quer mais ou por se conseguir e perdê-los.

Em sua história familiar a luta pela sobrevivência foi grande. Eram cinco pessoas, pai, mãe e três filhos. O pai muito acomodado restringia-se a um emprego seguro no qual ganhava pouco. A mãe, muito ativa, de tudo fazia para dar o que comer aos filhos. O pai era muito honesto, responsável, mas muito distante afetivamente. A mãe era o porto seguro. 

Após o casamento dos irmãos, suprimiu etapas de um recente namoro. Em menos de um ano nasceu o primeiro filho.  A partir de então assumiu o compromisso de não deixar faltar nada à família. Isto, ao longo do tempo virou uma obsessão e só pensava no dia de amanhã. Nada o satisfazia, nada valorizava.  Procurava garantir o sustento da família e ser carinhoso com os filhos por não querer repetir com eles a distância que existia entre ele e o pai. Por outro lado, continuava ter a mãe como o porto seguro. Em suas incertezas, a ela sempre recorria.  Passou o tempo.  Não conseguindo viver o aqui e agora e ficou depressivo. A preocupação intensa com o amanhã impede a criatividade cotidiana.

Para que uma corda vibre em nós, é necessário não só que ela seja nossa, mas também que um contexto adequado a faça vibrar”. Elkaim. Ele atribui a sua depressão à insatisfação constante. Todavia, a junção da sua história e a da parceira faz o encaixe para a manutenção do padrão de comportamento que o afasta da sua intimidade pessoal. Não sabe quem é e o que deseja.

A esposa é proveniente de uma família pobre, na qual a mãe é do lar e submissa; o pai é o provedor, extremamente autoritário e agressivo. Ela tem três irmãs, sendo ela a filha do meio. Cedo quis trabalhar e se tornar independente. No casamento, não quis ter a posição submissa da mãe. Na falta de um modelo de parceria, assumiu a família e o controle do lar. Queixa-se da falta do companheiro, mas não percebe que não abriu espaço para que o companheirismo pudesse emergir.

Ambos estão perdidos em cobranças pessoais e inter-relacionais, mantêm-se prisioneiros do passado e não conseguem viver o presente. O medo da repetição da figuras paternas traz como pano de fundo a incerteza do amanhã.

Norma Emiliano

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“Não me peçam razões”

 

Este espaço é um dos meios que utilizo para me comunicar. A comunicação causa impactos em nossas vidas e é no relacional que aprendemos e crescemos.
Nas observações, indagações e reflexões caminho em direção da construção de um mundo mais humano e acolhedor. Assim, trago, hoje, para você, através do romancista, poeta e dramaturgo e autodidata José Saramago, um poema  que expressa  crítica à desvalorização da essência da vida.
Bom final de semana.

Norma

 

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in “Os Poemas Possíveis”

O Video  soma a sonoridade a beleza da letra.

 

LeoMOV
18 de janeiro de 2009

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Convite à reflexão e à ação

 amor sem escala 

Filme -  AMOR SEM ESCALA

Se quiser se dar bem na vida, tem de deixar a mala leve, ou seja, sem moradia fixa, sem amigos, sem família, pois afinal tudo isso nos prende em compromissos e obrigações, e é o movimento leve que nos dá liberdade”.

 

A temática  do filme  Up in the air  parte da premissa que os relacionamentos são pesos que precisam ser abandonados para se ter agilidade na vida. Assim, traz uma análise dos medos sobre como é se sentir conectado a alguém.

A personagem principal, sem laços familiares,  faz o tipo solteirão convicto, passa boa parte de seu tempo em aviões, aeroportos e hotéis. Seu maior objetivo na vida é conseguir 10 milhões de milhas e ser a sétima pessoa no mundo a obter um cartão ultra vip.

O desenrolar do filme retrata a contemporaneidade. A velocidade é considerada o valor soberano e as conexões humanas efêmeras. Na Solidão e nas relações humanas criam- se as possibilidades de reflexões sobre valores que permeiam o cotidiano atual. Na trama a presença de duas mulheres favorece um novo rumo da história.  

 

A análise do individualismo e do isolamento do sujeito no âmbito das relações sociais, os valores atuais predominantes despertam que sentimento em você?

 

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Tocando em frente

Cada ser encontra a sua própria felicidade superando os obstáculos da vida, apreciando suas belezas  e seguindo em frente. 

lannewss
11 de março de 2008

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