Archive for dezembro, 2009

Natal- Fernando Pessoa

Fernando

Imagem Google

Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

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Briga de casais

briga de casal

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O casamento é aquele ambiente idealizado em nossa infância onde somos amados sem reservas e tudo funciona por conta própria, e, se não funcionar, é culpa do outro”.  Kitty LaPerrière

Constatamos nos atendimentos a casais o desalento dos parceiros por não conseguirem mais se entender. Falam dos conflitos contínuos, da indecisão de se manterem juntos e da impossibilidade da comunicação. Sentem-se perdidos, sofrem, e cada um está convencido de que o outro é a causa do problema.

O início dos relacionamentos é envolvido pelas idealizações de cada um dos membros do casal. Passada a fase do encantamento, surgem as diferenças, que são sentidas como uma traição às expectativas depositadas  na relação através das idealizações. Assim, surgem os primeiros conflitos. Um culpa o outro por sua infelicidade. Surgem as mágoas e a comunicação começa a ser interrompida.

Se pensarmos que o casal é composto de três partes: dois indivíduos e uma relação, cada uma das partes necessita ser observada. No contexto do casal, inconscientemente, cada um ajuda o outro em suas atitudes. As influências são recíprocas.

Ao resolver viver junto, o casal se compromete numa história comum que implica  na tomada de decisões conjuntas, formando-se  uma rede de interdependências complexas. Criar uma história comum significa lidar com diferenças. Cada um tem suas próprias experiências que moldaram seu modo de ser, pensar e agir. Além do que, de acordo com Framo “ os conflitos interiorizados, originados das relações familiares, do passado, são revividos no presente através das relações conjugais.”

 

A relação de casal é um processo de construção contínua, isto significa mudanças nas atitudes e nas regras para se adequar às diversas necessidades de cada etapa.  Estas, algumas vezes, são difíceis de serem apreendidas e realizadas.  Nos momentos de transição, quando se instala a paralisação, acaba sendo detonada uma crise.

Normalmente, não se recorre à terapia até que os problemas cheguem ao clímax. Entretanto, a crise se percebida e avaliada no momento oportuno, pode possibilitar uma nova vitalidade e a redefinição do contrato do casal.

Norma

 

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Como é por dentro uma pessoa

niilismocego- 22/01/2007 – Poema ilustrado Fonte: Jornal da Poesia Música – La Valse des Monstres Imagens: Imagebank

Poesia Fernando Pesssoa

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Diferenças

símbolo do espiral.

Google imagem: www.flickr.com/photos/monicachaves/3626453721/

No limite do meu ser o inatingível me aprisiona
O intuitivo percebe, a razão desconhece.
O que entender? O limite do meu ser
Ou o limite do outro ser?

Confundo-me, perco o fio da meada.
A dor que sufoca a alma
Perde-se no sentir do meu ser.
Meu querer, seu querer.
Cada qual com o seu próprio ser.

Encontrar/desencontrar,
Chegar/partir.
No limite do meu ser.
Ganhar/perder.
No meu ser a tristeza, o  frustrar, o buscar,
O crescer.

Norma




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Dança relacional

dança rel

A chegada do primeiro filho traz para o casal mudanças significativas, não só na rotina cotidiana, mas de papéis, que vão fazer ressurgir emoções, muitas delas inconscientes. Nesta etapa, quando o casal passa a desempenhar a função paterna, os modelos familiares vêm à tona e, algumas vezes, confundem trazendo sentimentos incompreensíveis como por exemplo: sentimento de culpa, na maioria das vezes, na mulher e de rejeição, no homem.

Vivemos um momento de profundas transformações sociais, no qual a mulher vem ocupando novos espaços e alcançando, no plano sexual, uma maior liberdade. Contudo, ainda, enfrentamos nos consultórios os dilemas conjugais, nos quais no cerne do distanciamento e conflito conjugal detecta-se a dificuldade de reorganização do casal para lidar com esta etapa de vida da família ( nascimento dos filhos).

O nascimento de um filho requer mudanças na organização familiar para as quais um ou ambos os cônjuges podem estar despreparados. As exigências de um bebê requer funções diferenciadas dos cônjuges e o tempo que o casal passa junto se restringe. Nesse processo, na maioria das vezes, perdem de vista o relacionamento íntimo e só compartilham a função paterna.

O filho precisa ser acolhido, sentir-se pertencente, ser protegido mas, também, ser encorajado a se desenvolver e isto está diretamente ligado à forma como o casal administra sua relação, seu vínculo amoroso e sexual. Assim sendo, é inevitável o conflito se os pais não conseguem desfrutar da companhia um do outro sem os filhos.
Normalmente, encontramos alianças entre pais e filhos, por exemplo: mãe aliançada a filha e/ou pai aliançado ao filho, que podem vir a se transformar em um verdadeiro campo de batalha, no qual temos como produto final prejuízo para todos os envolvidos.

Neste sentido, tanto a relação conjugal como a entre pais e filhos dependem de como foram vivenciadas, interpretadas e elaborados os conflitos por cada um dos membros. As histórias familiares, os modelos dos subsistemas (conjugal, paterno, fraterno) influenciam no modo como os parceiros adaptam- se às novas situações. Portanto, de acordo com Bowen “o maior laboratório é a casa dos pais”. Uma visão objetiva das forças que nos moldam ajuda a nos libertarmos de expressá-las inconscientemente.
Norma

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Nem tudo é fácil- Cecília Meireles

emersonerd
28 de junho de 2008

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“Menino Jesus verdadeiro”

Poemas de Alberto Caeiro do “Guardador de Rebanhos” falado por Maria Bethania

Publicado por Marie-Sol em  http://mais.uol.com.br/poemusica

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“Será que vou rezar?”

sem título

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Finalizando a semana,  trago  para você  uma reflexão sobre a homenagem e celebração nas palavras deste excelente escritor.

Bom final de semana

“Será que vou rezar? É. Cada um celebra o que escolhe. Acho que farei uma sopa de fubá que tomarei com pimenta e torradas.

SOU UM ADMIRADOR de Gandhi. Cheguei mesmo a escrever um livro sobre ele. Estou planejando convocar os amigos para uma homenagem póstuma a esse grande líder pacifista e vegetariano. Pensei que uma boa maneira de homenageá-lo seria um evento numa churrascaria, todo mundo gosta de churrasco, um delicado rodízio com carnes variadas, picanhas, filés, costelas, cupins, fraldinhas, lingüiças, salsichas, paios, galetos e muito chope. O grande líder merece ser lembrado e festejado com muita comilança e barriga cheia!

Eu não fiquei doido. O que fiz foi usar de um artifício lógico chamado “reductio ad absurdum” que consiste no seguinte: para provar a verdade de uma proposição, eu mostro os absurdos que se seguiriam se o seu contrário, e não ela, fosse verdadeiro.

Eu demonstrei o absurdo de se celebrar um líder vegetariano de hábitos frugais com um churrasco.

Uma homenagem tem de estar em harmonia com a pessoa homenageada para torná-la presente entre aqueles que a celebram. Uma refeição, sim. Mas pouca comida. Comer pouco é uma forma de demonstrar nosso respeito pela natureza. Alface, cenoura, azeitonas, pães e água.

Escrevo com antecedência, hoje, 27 de novembro, um mês antes, para que vocês celebrem direito. A celebração há de trazer de novo à memória o evento celebrado. É uma cena: numa estrebaria uma criancinha acaba de nascer. Sua mãe a colocou numa manjedoura, cocho onde se põe comida para os animais. As vacas mastigam sem parar, ruminando. Ouve-se um galo que canta e os violinos dos grilos, música suave… No meio dos animais tudo é tranqüilo. Os campos estão cobertos de vaga-lumes que piscam chamados de amor. E no céu brilha uma estrela diferente. Que estará ela anunciando com suas cores? O nascimento de um Deus?

É. O nascimento de um Deus. Deus é uma criança. O nascimento do Deus criança só pode ser celebrado com coisas mansas. Mansas e pobres. Os pobres, no seu despojamento, devem poder celebrar. Não é preciso muito. Um poema que se lê. Alberto Caeiro escreveu um poema que faria José e Maria, os pais do menininho, rir de felicidade: “Num meio-dia de fim de primavera, tive um sonho como uma fotografia: “Vi Jesus Cristo descer a terra. Veio pela encosta do monte tornado outra vez menino. Tinha fugido do céu…’” Longo, merece ser lido inteiro, bem devagar…

Uma canção que se canta. Das antigas. Tem de ser das antigas. Para convocar a saudade. É a saudade que traz para dentro da sala a cena que aconteceu longe. Sem saudade o milagre não acontece.

Algo para se comer. O que é que José e Maria teriam comido naquela noite? Um pedaço de queijo, nozes, vinho, pão velho, uma caneca de leite tirado na hora. E deram graças a Deus. E é preciso que se fale em voz baixa. Para não acordar a criança. Naquela mesma noite, havia uma outra celebração no palácio de Herodes, o cruel. Ele tinha medo das crianças e mataria todas se assim o desejasse. A mesa do banquete estava posta: leitões assados, lingüiças, bolos e muito vinho… Os músicos tocavam, as dançarinas rodopiavam. Grande era a orgia.

É. Cada um celebra o que escolhe. Acho que vou fazer uma sopa de fubá que tomarei com pimenta e torradas. E lerei poemas e ouvirei música. E farei silêncio quando chegar a meia-noite e, quem sabe, rezarei?”

Rubem Alves – Folha de São Paulo, 27/11/2007

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