Archive for novembro, 2009

A velhice e a perda da identidade

envelhecer

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Envelhecer bem é aceitar a velhice como um bem. Para atingir a sabedoria e a serenidade e para inventar uma nova maneira de viver, é preciso ter sido capaz de adaptar-se ao longo da vida. Na medida em que se soube viver, também se deve saber e ser capaz de envelhecer” Duarte, 2000.

Freqüentemente nos defrontamos com a necessidade de responder à pergunta “quem sou” que a identidade nos remete.

O tema identidade sempre foi explorado nas artes em geral (música, literatura, etc.) e diferentes campos do conhecimento (sociologia, filosofia, psicologia, etc.) tentam explicar como nos tornamos humanos a partir das compreensões diversas sobre a natureza humana. Contudo, é a vida social que nos proporciona as trocas afetivas que desde o começo da nossa vida, vão construindo nossa identidade através de estruturas culturais, como por exemplo, a família, e dos mecanismos que a sociedade cria para dar códigos que regulem a vida dos seus membros, como por exemplo, a linguagem.

Em todas as etapas da vida o ser humano incorpora aspectos externos e internos. Os externos compõem-se da participação na cultura: papéis familiares e sociais, emprego, a maneira de se apresentar ao mundo e a participação nele. Os internos referem-se aos significados que essa participação possui para cada um. Neste sentido, a forma como cada um vai vivenciar o envelhecimento está diretamente ligada à influência cultural e como ao longo da sua vida enfrentou os obstáculos.

Vivemos num momento histórico em que o envelhecimento populacional é a nossa realidade e paradoxalmente impera a cultura da juventude. Isto significa que a identidade do ser humano pode vir a tornar-se vulnerável à medida que avance cronologicamente no tempo. Entretanto, o homem é ator e autor da sua própria história.  A compreensão do envelhecimento “como um processo cujo início se dá no momento do nascimento” (Sathler/PY) favorece para que possamos estar interferindo através da conscientização de que os estereótipos em relação à velhice (apatia, tristeza, implicância, etc.) comprometem a qualidade de vida e que também os idosos compartilhem da responsabilidade de uma velhice aberta para usufruir a vida, uma vez que as alegrias da autodescoberta e a capacidade de amar são contínuas.

Segundo  Gail (in Passagens, 1990), “a principal tarefa da idade madura consiste em renunciar a todas as nossas proteções imaginárias e ficarmos de pé, nus no mundo, como o ensaio para assumirmos plena autoridade sobre nós próprios”.

Norma

Feferência bibligráfica:

SATHLER, Julieta & PY, Ligia. Pensando perdas e aquisições no processo de envelhecer. In Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro, Ed. Revinter, 1994. pp.15-17

SHEEHY,Gail. Passagens. Ed.Francisco Alves, 1990.

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A coroa do advento

advento3

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“Você não veio ao mundo para ser “esmagado” por imposições, mas para cumprir o propósito do seu espírito”. Silvia Schmidt

As lojas se revestem de verde e vermelho, o que em nossa cultura pode aludir respectivamente à esperança, à vida nova e à paixão, à conquista. O advento se aproxima. Na tradição cristã, o advento é um tempo de reflexão e preparação espiritual; é um tempo apropriado para fomentar a construção da esperança. Para o mundo do mercado é momento das vendas. Entre o espírito da fraternidade e o mundo da exclusão social, (miséria, desemprego, discriminações) a humanidade caminha.

Duas forças regem o caminho da humanidade: a força material, econômica impulsionada pelo trabalho e expressa no consumo e a força espiritual, impulsionada pelo amor e expressa na solidariedade.  Entretanto, a exigência da felicidade construída pelo padrão do capitalismo traz um peso e uma contradição. O ser humano tem necessidades primárias (alimentação, teto, vestimenta, etc.) que precisam ser atendidas diariamente, mas muitas pessoas não as conseguem. Por outro lado, vive-se um cotidiano marcado pelo consumismo, violência, desigualdades e perdas.

O que é felicidade? A felicidade humana se constrói em atos de amor a si próprio e aos outros. Nos livros sagrados encerra- se esta sabedoria “veja- se no próximo”. De acordo com Bowen (1978) a natureza humana contém dois conjuntos de forças opostas: as que unem as personalidades e as que lutam para se libertar rumo à individualidade. É nesse equilíbrio que caminham a solidariedade e o individualismo.

A atualidade traz o forte cunho do individualismo que se bem aplicado pode trazer bons resultados pessoais e sociais. Para alcançá-lo torna-se necessário buscar a si próprio no sentido da responsabilidade pessoal e coletiva, ao autoconhecimento e ao desenvolvimento da auto-estima. Por outro lado, na medida em que se desenvolve a auto-estima com olhar crítico e generoso sobre si mesmo, possibilita- se que não haja tanta contaminação pelo modismo maligno que fixa conceitos de beleza, status e padrões de felicidade.

Formamos uma rede, assim para que o bem-estar seja profícuo é necessário que haja uma outra forma de convivência social. De acordo com o primeiro artigo da Declaração Universal de Direitos Humanos “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.  Contudo, nem sempre o que está escrito é a realidade. Esta seria uma forma ideal de convivência .

Neste sentido, na medida em que possamos ampliar a autopercepção, a percepção da riqueza das relações sociais como fonte de aprendizado e  possamos ter como objetivo pessoal e coletivo a solidariedade, estaremos trilhando caminhos de esperança de tempos melhores. Que o  ritual Natalino contamine a essência e que numa corrente de amor  impulsione a conquista de  um mundo onde sejam  possíveis a dignidade, a justiça, a paz .

Norma

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Amor e tempo

Destaco neste sábado dois  temas relevantes : amor e tempo.

Imagens, texto e fundo musical se associam, transmitindo de forma poética as idéias dos  autores.

Para você leitor um ótimo final de semana.

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Acordar, viver

Carlos Brum3

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Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia
seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas
ásperas
de amanhã com as coisas
de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade

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Acorda, gente.

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“Se alguém tem um conflito profundo, o importante é tentar participar dos dois polos do conflito, e assim lentamente poderá vir à tona um novo símbolo que os reunirá, ou estará acima ou abaixo dos dois polos.” . Jung

O sentido da vida é a própria vida. Contudo, o ser humano em sua trajetória pessoal e coletiva dá sentido a sua existência. Através do cotidiano constroem- se pontes que dão acesso às diversas áreas do conhecimento. Algumas pessoas constroem seu saber através das experiências vivenciadas, o que comumente chama- se “escola da vida”. Assim sendo, nada em relação ao acúmulo do conhecimento sobre a humanidade deve ser desprezado.

O desenvolvimento científico e tecnológico avança, descortinando antigos mistérios. Por outro lado, as relações humanas, o comportamento dos indivíduos na sociedade atual assustam, dando um caráter de insegurança a esta sociedade. A sobrevivência da espécie humana, da forma como a conhecemos, é questionada.

As transformações climáticas, a ecoesfera, as violências do indivíduo dão mostras do caminhar da humanidade. Indicam os valores, o fio condutor desta trajetória. Vive- se uma dramática deterioração das condições gerais de vida. Retomar o tempo, do bonde à  tranqüilidade das calçadas com crianças brincando, com homens e mulheres sentados em roda a conversar. Rever o armazém, o boteco, as lojinhas de tecido, tudo reflete um tempo. Tempo costurado na tranqüilidade de poder esperar.

No supersônico, mais um recorte. Pessoas apressadas, muitas falas, muitas ofertas, muitas demandas agonizantes da fome. No vende e compra, os ditames destas últimas décadas que globalizam e isolam. As transformações marcam as vidas, fragmentam os indivíduos e o mundo urge de humanidade.

A percepção da desenfreada destruição não tem detido o lado ambicioso e egocêntrico do ser humano que vive em paradoxo. O ter e o ser não mais se afinam. O desejo do desejo não tem chegada. Nesta busca inflada pela mídia,a vida escorrega por entre dedos.” Vão se os dedos e ficam- se os anéis”. As vidas se perdem no vácuo da existência. Muitos lamentam as perdas, mas o tempo anuvia as dores. Entretanto, cada vez mais, o cotidiano grita para o despertar da consciência do excesso, que pode levar à destruição de muitas espécies entre elas, a do homem.

Norma

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Meu Ser

Ser

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Surgem imagens
Pequena menina enroscada nos braços fortes
Raios de sol em meio a escuridão.
A escuridão do desconhecido.

Muitos rostos, muitas imagens.
Agonia centrada na incerteza do  Ser.
Trilhas incertas na busca do encontro
Do encontro do Ser.

Ser amante e vagante.
Muitos são os encontros
Ser de muitos seres
Encontro das várias formas do Ser.

Ser menina, alegre/triste.
Ser mulher amante/ vagante
Ser da vida, do encontro
Do encontro dos muitos seres.
Do encontro do meu Ser.

Norma

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Amor em arte

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Essência da vida

essencia da vidaA autora do pôster é Marga Cuerva, do Colégio marista de Igualada (Barcelona). Google Imagens

A rede de relacionamentos precisa ser regada e provida dos nutrientes. É do encontro das almas que nascem os melhores frutos da vida.

Na atualidade, é comum nos espaços domésticos e empresariais a preocupação com fatores que possam influenciar favoravelmente o ambiente. Para tal, encontram-se respostas em linhas de estudos como a cromoterapia e o Feng-Shui (filosofia chinesa). Acredita- se que luzes ou mesmo o uso de determinadas cores podem afetar a disposição e os sentimentos. Por outro lado, outros estudos apontam para as energias geradas pela mente e as emoções capazes de produzir efeitos tanto bons quanto negativos.

Os sentidos canalizam estímulos que frequentemente ficam inconscientes afetando o indivíduo de forma sutil; a médio e longo prazo, esses estímulos podem trazer conseqüências à vida das pessoas e às organizações, em geral. Portanto, estudos evidenciam as influências recíprocas entre o ambiente e os indivíduos.

O nível de bem-estar das pessoas e a satisfação pessoal são ingredientes fundamentais tanto à qualidade de vida quanto aos resultados empresariais. Logo, as interações  constituem- se no fio condutor destes processos.

Algumas famílias e organizações desviam suas crises para reformas ambientais. Entre cimentos e tintas ocupam suas horas e pensamentos criando uma falsa idéia de projeto comum. As pessoas envolvem-se exteriormente e as emoções e problemas ficam congelados nos impasses. Outras almejam mudanças, mas não se percebem como parte essencial deste projeto e esperam por “milagres”. De acordo com James Redfield, “os sinais da vida devem ser respeitados”.

No jogo relacional estão as peças fundamentais para o desenvolvimento pessoal e grupal, seja ele familiar ou empresarial. Parafraseando Roberto Santos, “a “prata da casa” só se mantém na mesa da casa se estiver sendo constantemente polida e adequada a sua finalidade”. O que significa que todo processo precisa ser constantemente avaliado para que se possa adequar às necessidades oriundas de cada etapa.

Sintomas expressam a paralisação; seja no ciclo de vida individual, familiar ou organizacional. Podem aparecer nos indivíduos através das doenças, como obesidade, diabetes, infarto, e através do consumo de substâncias como álcool, drogas e tranqüilizantes, etc. Nas empresas podem surgir em forma de fraudes, negligências, pressão dos clientes, baixa motivação interna, etc.

O papel das lideranças (pais, coordenadores, diretores, gerentes, etc.) é fundamental para a estruturação do clima emocional ambiental. Seu autoconhecimento, controle emocional, percepção, trato, afetividade, respeito às diferenças pessoais, etc. vão favorecer o alcance de objetivos produtivos.  Assim, nas palavras de Maturana “a história dos seres vivos é uma experiência (…) implica em participar com os outros de um projeto comum, o que só é possível se, na convivência com o outro(…) incorporar o amar e o  respeitar.”

Norma

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Beleza da vida

Hoje, especialmente, o dia me suscitou o desejo de compartilhar a beleza que a vida pode nos propocionar.

O dia claro, o mar de ondas calmas e uma leve brisa foram meus companheiros de caminhada nesta bela manhã. Em seguida o som de uma orguestra dominou o ambiente do próximo local a que me  dirige. Portanto, considero que natureza, música e paisagem formam o  trinômio perfeito para compor este nosso espaço. Em função disto, escolhi um video da autoria de Lenomaraes.

Veja, ouça e coloque um pouco da beleza no seu dia.

Bom final de semana.

Norma


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Ser livre

Passaros-voando-2

Asas ligeiras dançam no ar
O infinito, interminável espaço para voar.

Ser livre, voar sem amarras
Perder-se na luz
Sair da escuridão, das garras do eu prisioneiro,
Das marcas profundas do viver.

Voar, voar no infinito.
Voar, dançar, e se perder
Largar as certezas…
Voar, dançar, perder e encontrar
Encontrar e perder.
Ser livre para poder voar.

Norma


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