Archive for outubro, 2009

Debate- Desamparo e amor

O texto reflete  sobre desamparo do homem agravado na sociedade atual; discorre sobre a ética e os afetos. Como você percebe e sente este desamparo nas relações?

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Costurando Retalhos

 

No decorrer da vida, muitos momentos ultrapassam as fronteiras do aqui e agora transformando- se em emoções e sentimentos retidos, que nos congelam no tempo. Contudo, outros momentos nos chegam e nos ajudam a desatar os nós e a seguir em frente. Assim costurando estes momentos, forma- se e transforma- se as imagens do Ser.

Os pensamentos voam e trazem à memória a infância colorida e adolescência fantasiosa. A música, a dança, os bailes. Ah! belos recortes. Amor eterno amor; sonhos constantes com o meu amor. Horas e horas a fio, à espreita da sua passagem para uma simples troca de olhar.Tantos dias, semanas e anos, a espera de um grande acontecimento. Porém, tu e eu não se entrelaçam e traçam caminhos diversos. Entretanto, o romance, a idealização, o sonho adolescente se mantiveram.

Novo encontro, nova vida, compromissos, ganhos e perdas. Casamento, filhos, carreira, nascimentos e mortes. Sucessão de eventos, importantes nas etapas do ciclo vital individual e familiar.

Idas e vindas pelas histórias. Entre encontros e desencontros, nascimentos e mortes, perdas e ganhos na roda da vida tudo foi sendo passado a limpo. A criança mimada, a adolescente responsável prematuramente, a mulher sonhadora,  entre a ilusão e a realidade, trazem à fase da maturidade novos matizes.

Após a conquista, o ponto de atração trai e em meio à desorganização, o Ser se perde e se acha e, facetas reprimidas, algumas ainda desconhecidas, despontam.

Amar e encontrar no olhar do outro a mulher inteligente, sedutora e desejada, traz à tona o momento lírico do amor adolescente. Jogos de olhares, de palavras e gestos. Amor vivido na forma de sentimento anteriormente retido. Na expansão e na expressão dos sentimentos a possibilidade de poder partir e recomeçar uma nova história, na qual ambos os amores se entrelaçaram libertando a mulher adolescente.

Muitas são as estradas e em cada uma surge uma encruzilhada. Das escolhas, (inconscientes), “sempre certa do parceiro”, vão aflorando as emoções congeladas que urgem em se derreter. No calor dos novos encontros e momentos algumas emoções vão se desfazendo e inundando  este antigo novo Ser.

Estar no aqui e agora liberta, resulta de poder se abrir para permitir que o auto conhecimento vá além da subjetividade, que as experiências  aconteçam, que o olhar se expanda para além do momento presente, que o passado seja confrontado e os retalhos possam ser costurados.

Norma Emiliano

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Duas histórias, uma mesma dor

Nas expressões o testemunho de cada forma de Ser.

Corpo curvado e olhar tristonho. Nas primeiras palavra as lágrimas afloram, demarcando a difícil convivência com a doença, que se debate ao tratamento. Na pele a marca do transtorno causado pela agressão medicamentosa. A vida lhe agrediu e não se dera conta do tanto que fora.  Os sintomas sinalizaram que a sua fortaleza se despia.

Tem dois filhos independentes, tem sua carreira; não seria um casamento falido que lhe abateria. Pensou ter dado “à volta por cima”. Enganou- se. Distante da família origem, conseguiu trabalhar, criar os filhos e ser esposa, mas a decepção conjugal criou mágoas profundas que ficaram escondidas no fundo da sua alma. Hoje, a doença chega e mostra- lhe que precisa de apoio, que sua luta não pode ser solitária. Atrás das lágrimas a garra pela vida e a dor pela ameaça da morte.

O corpo ereto, a vivacidade da voz e o brilho nos olhos. No contar sobre a  evolução da doença o receio de mencioná-  la, pois é forte a crença de que o seu nome é um ponto de atração. Os cabelos, substituídos pela peruca, denunciam a sua negação. É difícil conviver com a doença e o pior é não ter resposta ao tratamento. Mostrar-se normal é a sua prioridade. Endivida- se pela compra da peruca que se assemelha a sua anterior cabeleira.

Sofreu com o conflito conjugal, sofre com a doença, mas o que importa é como se apresenta. Seu desejo de vida se confunde ao medo de confrontar os seus medos. Nega. Ao negar sua dor para si e ocultá- la dos filhos e demais pessoas, fecha-se. Passou a vida adiando os confrontos e não se deu conta que foi além do que podia resistir. A doença eclode e ela não a dimensiona. Faz tudo disciplinadamente e deixa- se levar. Não percebe que por trás da negação tem o medo da morte e acaba enfraquecendo a sua luta.

Ao longo do seu desenvolvimento o indivíduo constrói seu próprio reduto. As defesas pessoais, na sua maioria inconsciente, criam armaduras que enrijecem a personalidade. Em ambas as histórias, o desconhecimento do padrão de funcionamento pessoal impede que cada uma possa enfrentar o momento com espontaneidade e flexibilidade.

Ambas são perseguidas por sombras do passado que constroem as defesas pessoais. Ambas desejam imensamente driblar a doença que as corrói, mas não deixam a vida fluir.

Conhece a verdade e ela te libertará“. Biblia

Norma Emiliano

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