Archive for setembro, 2009

Bailando com a vida

casal idosoO homem e o tempo se influenciam mutuamente, produzindo profundas mudanças nas subjetividades e diferentes representações que lhe permitem lidar com a questão temporal (Goldfarb, 1998).

O número de pessoas idosas alcança tamanha proporção que, hoje, caracteriza o envelhecimento populacional. Os estudos apontam como expectativa de vida para 2020 uma média de 71 anos. No entanto, essa não  ocorre de forma uniforme, pois de acordo com estudos realizados, o aumento da longevidade para a mulher foi mais significativo do que para o homem.

A forma de se pensar e viver o envelhecimento vêm mudando. As transformações sociais trouxeram o prolongamento da vida humana e um estilo de vida muito diferente. Há um tempo, considerar- se a velhice como sinônimo de doença era o pensamento dominante. Na Gerontologia o envelhecimento não significa decadência, mas a seqüência da vida, com suas peculiaridades e características (Almeida & Lourenço, 2007).

Já é longínqua a representação da velhice através da senhora sentada em sua cadeira de balanço fazendo tricô, restrita ao lar e à família e através do homem, avô, de bengala e inativo. Hoje, a maioria dos idosos é dinâmico, vaidoso e com motivação para o viver.  Assim sendo, observa-se um aumento de sobrevida e de qualidade.

O estilo de vida é considerado fundamental na promoção da saúde. Fomentam- se a prática de exercícios físicos e a manutenção de atividade intelectual. Contudo, a qualidade de vida dos idosos é estritamente ligada a sua integração social e às suas atitudes positivas. Nas mulheres é muito visível esta mudança.

O filme “Chega de saudade” traz uma boa representação dessa etapa de vida, no momento atual. Traz como contexto um baile da terceira idade. A história é um flash de tudo que faz parte da essência do ser humano.   Aborda o amor, a solidão, a traição e o desejo que permeiam a vida do ser humano como um todo. As mulheres exibem seus corpos através da vestimenta e da dança, no desejo de atrair os homens, e eles, através da dança e dos cortejos, tentam obter relacionamentos furtivos. Traz como mensagem a importância do viver o aqui agora, do abandono dos fantasmas do passado e do seguir dançando conforme a música. “O importante é bailar até que a luz se apague”. Aceitar-se sempre e reconhecer habilidades e limitações, não importando qual  idade seja.

Norma Emiliano

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Filmes

Sugestões de filmes que apresentam questões relevantes na etapa do ciclo  vital do indivíduo e/ou família na etapa do envelhecimento.

1. A Balada de Narayama
Questões relevantes: contexto sobre e família além das fronteiras culturais, estatus da idade, longevidade, morte e o momento da morte.

2. A Dança da Vida
Questões: vida sexual na velhice

3. Antes de Partir
Abordar sobre o  da prenuncio e o despertar para a realização dos desejos.

4. Ao Entardecer
Encontro de gerações de mulheres e o profundo laço de mãe e filha.

5. Bejamin Button
Questões: Apresenta a vida e a morte no mesmo patamar numa fábula que traz o percurso da vida inversa.

6. Chega de Saudade
Questões: amor, desejo, traição e solidão. Formas que as pessoas escolhem de viver o envelhecimento

7. Cocoon
Questões relevantes: longevidade, extensão da vida, apoio social, satisfação no casamento, relacionamentos de família.

8. Elsa & Fred- Um Amor de Paixão
Sobre o amor na terceira idade

9. Meu pai, um estranho – I Never Sang for My
Questões relevantes : dinâmica e as complexidades das relações entre gerações.

10. Morangos Silvestres
Questões relevantes: os estágios do adulto, reminiscências, revisão da vida, saúde mental e confusão mental.

11. Na Companhia de Estranhos – Strangers in Good Company
Questões relevantes: diferenças entre os sexos, mulheres mais velhas, apoio social, gerontologia diferenciada, personalidade.

12. O Enigma de uma Vida
Questões relevantes: crises de meia-idade, fases do desenvolvimento adulto, apoio social, cooperação.

13. O Regresso para Bountiful – Trip to Bountiful)
Questões relevantes: significado de um lugar, apego a um lugar, relações entre gerações, cuidados com os pais, envelhecimento no campo.

14. The Stone Boy
Questões relevantes: relacionamentos em família, papel dos avôs, laço

15. Shirley Valentine
Questões relevantes: crise de meia-idade, diferenças entre gêneros, relações entre gêneros.

16. Uma História Real
Questões relevantes: relações entre irmãos, apoio social, sabedoria, envelhecimento no campo.

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Celebração da Vida

celebração da vida

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Em que posso ajudar?

A realidade é feita de tudo que se acredita e/ou se imagina.

A família, o casal ou o indivíduo chega ao consultório trazendo em suas expressões faciais e corporais, suas dores. Suas queixas trazem os obstáculos que a vida lhe produz e a forma como são percebidos e enfrentados.

O foco da visão clínica do profissional que se baseia nos fundamentos da Terapia Familiar Sistêmica é o inter-relacional. Assim sendo, de acordo com esta perspectiva, a terapia não é uma intervenção centrada em um indivíduo “doente”, mas um ato de participação e crescimento num grupo com uma história. (Andolfi, 1989). Desta forma, o individuo é visto como produto de suas relações e a família é considerada uma unidade, em que todas as partes estão ligadas, interagindo- se. Portanto, para compreender o indivíduo e os seus problemas realiza-se uma apreciação do seu contexto familiar.

De acordo com Groisman (1991)“observando-se o funcionamento da família, percebe-se que, ao invés de um dos membros representá-la, cada um deles começa a falar de si mesmo entrelaçando o outro na comunicação. É o encontro do comigo com o consigo”.

O processo terapêutico ocorre em um trabalho conjunto (entre o cliente e o terapeuta), tendo como foco a autonomia, que engloba o pertencer (fazer parte) e separar-se (individuação); o desenvolvimento da consciência do padrão de funcionamento, de suas dificuldades, das escolhas e responsabilidade  e a mudança do que ocasiona as questões (pautas disfuncionais). Assim, favorece-se uma variedade maior de estratégias de funcionamento.

No tratamento ganham destaque as relações do indivíduo consigo mesmo e entre os indivíduos. Cada cliente é um universo único. Sua visão de mundo, de si próprio e de suas relações precisa ser compreendida sem contaminação das experiências do terapeuta.  Cada ser humano enfrenta as diversas situações da vida de forma peculiar, tendo em vista que as interpretações e reações baseiam-se na história de vida, nas crenças e nos valores.

As intervenções do terapeuta ocorrem através da comunicação verbal, de exercícios reflexivos, da prescrição de tarefas e da relação terapêutica. Nas sessões a relação terapêutica é relevante como modelo de mudanças.

A diferença deste enfoque é que o sintoma é visto como ponto de partida, tendo como foco as relações que o produzem e o mantêm.

O encontro e o diálogo possibilitam a apreensão da atitude do homem como ser relacional. O processo terapêutico favorece ao cliente (família, casal, indivíduo) ter uma visão global da situação e uma preparação para elaborar um caminho próprio com base na sua liberdade de escolha.  .
Não se podem transportar as experiências pessoais, percebê-las como comum a todos.  Elas são tão singulares que o máximo que se pode fazer é senti-las em sua plenitude e transformá-las em fonte de aprendizado para o crescimento pessoal e relacional.
Norma Emiliano

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Debate sobre o conto Acorrentada

A partir do conto Acorrentada e de sua vivência pessoal, você considera que os fantasmas do passado tolhem as oportunidades de se encontrar fontes de felicidade?

Acorrentada

A preocupação com a doença é uma ameaça constante ao seu cotidiano. Busca a prevenção, os cuidados necessários, na tentativa de bloquear qualquer ataque. Porém, esqueceu-se do seu eu e acaba surpreendida com vários sintomas que a levam de tempo em tempo às intervenções cirúrgicas, à mutilação do corpo.

Manteve firme a postura impecável. Ninguém podia saber o que se passava. Solitariamente, foi buscando os tratamentos cabíveis. Não entendia por que seu corpo não lhe obedecia.

A todo custo, continuou sua tarefa, mas o pânico tomou-a. Perguntava – se: como agora esconder que não sou o que mostrava. Não conseguia sair mais de casa. Muito medo. A morte a assombrava.

Os fantasmas do passado a perseguiam. Não pôde deixar a menina brincar, a alegria crescer. Diante das contingências da vida, a responsabilidade lhe tocou muito cedo. Precisava ser forte. Não podia demonstrar sua tristeza, sua solidão, seu medo. Virou adulta e acorrentada aos seus fantasmas. Não pôde ser ela.

A profissão, fonte maior do seu prazer; a competência, seu maior escudo. Agora o que resta? Sente que a vitalidade se esvai. Pensa! Eu estou viva! Será que tenho tempo de reconstruir minha história, descobrir tesouros ocultos, fazer uma caminhada pontuada pela verdade, pela afetividade? Ser humana e apenas viver?

“Aceitar as estrelas que trazemos é o que faz a diferença entre o que queremos ser e o que verdadeiramente somos.” José Oliva

Norma Emiliano

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Nas ondas do mar

Encontros…
O ponto de  encontro..
Vindas e idas.
Desencontros…

Azul espumante e celeste.
As ondas vêm e vão
Perdem- se na imensidão.

Encontros e desencontros
As ondas  vêm e vão
Perdem- se na imensidão

Mar, encontro encantado, vivido
Perdido, sentido na  solidão.

Norma

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Euniverso – Novo paradigma e o Estatuto do Idoso

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Debate sobre o conto Contando o tempo

 

 

Contando o tempo traz a mensagem de que o envelhecimento paterno provoca sentimentos antagônicos; desejo de aproximação e afastamento.

 

O que você pensa sobre isto?

Contando o Tempo

O despertar trouxe presságio e mal estar. Ainda ouvia a voz do pai que na noite anterior, ao telefone, reclamava de dores musculares e da apatia da mulher, sua mãe.

O envelhecimento paterno provoca-lhe sentimentos antagônicos; desejo de aproximação e afastamento.

As lembranças da infância e adolescência lhe remetem à disposição, união e comprometimento paterno e profissional que cada um dos pais expressava. Havia alegria. Não tinham amigos. A família lhes bastava.  Pela manhã, todos à mesa, comentavam diversos assuntos do dia anterior, enquanto a mãe apressadamente beijava-os na saída para o trabalho.

O tempo embaçou não só aqueles rostos queridos, mas também o seu cotidiano.  Reagindo, levanta-se e no espelho observa os vincos em seu rosto que a passagem do tempo trouxera.

O silêncio que lhe envolvia a alma se quebra. Ao lado, vozes, sons do despertar familiar. Seus filhos falam e riem trazendo vida à casa. Apressa-se, deixando os pensamentos de lado indo ao encontro do seu mundo, no qual muito tem a fazer.

Quando tudo se aquieta, com tranqüilidade, traz aos pensamentos o pequeno recorte matutino. Percebe o medo que o confronto com o envelhecimento paterno lhe traz.  Pergunta-se: por que sente pena e culpa? Por que não sente o prazer de ainda tê-los, de usufruir o carinho que lhe dedicam e de poder compartilhar a alegria de ser hoje a pessoa que ela é? Teve tantos bons exemplos e não consegue aceitar as mutações naturais pelas quais estão passando.

Sabe que seu pai mesmo reclamando de dores ainda participa do coro da Igreja, faz artesanatos em madeira e se dedica afetuosamente à mulher que já não consegue ser mais tão ativa, mas demonstra seu companheirismo cuidando para que o lar se mantenha ordenado e confortável. Nessas reflexões busca entender que passagem do tempo é inevitável e as mudanças fazem parte da vida. Todos têm altos e baixos e os obstáculos, em qualquer etapa da vida, podem ser encarados como ponto para evolução pessoal.

De volta ao espelho, olha-se e esboça um sorriso. Reconhece seus receios, pega o telefone e carinhosamente pergunta a mãe como foi o seu dia.

 

 

 

 

 

 

 

 

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